sábado, julho 19, 2003

Metablogando


Lido na Espada Relativa (comentários a um post):

--- quote ---

Shinho [A Espada Relativa]:
(...) Engraçado, nos comentários podemos escrever coisas em calão e sem preocupações... hmmm, um assunto a refletir.
100nada (catarina) [100nada]:
(...) (é verdade, isso da informalidade nos comentários, curioso, não é?)
Shinho [A Espada Relativa]:
O comentário está mais próximo da linguagem falada, o meio é o mesmo, mas a interacção muda o discurso. O ser humano é muito permeável ao meio.
Fabien [A Sombra]:
Os comentários são como os chatrooms com delay. Apesar de ter verdadeira aversão aos chats, considero este sistema muito simpático. Aliás, são mais um sistema de micro-mail em cada post que um chat com delay! Tanto webslang até faz mal, mas vocês entendem. Depois, é como falar com um artista em privado, após a performance. É o diálogo que abre o estilo, enquanto o discurso o fecha.
Em termos de comunicabilidade, sucede exactamente o oposto. Um diálogo formal torna-se seco e um discurso que se torne intimista diminui as possibilidades de comunicação.

--- end quote ---


Já há uns tempos ando para escrever sobre os Blogs e o incidente ocorrido com JPP, RS, o Devblog e o neca que se fez passar pelo JPP (assinando "Abrupto" um comentário ofensivo no blog do Carlos F.) calha às mil maravilhas para me decidir a fazê-lo agora.

A Internet, embora por vezes não pareça, já existia muito antes dos blogs. Para além de fonte de informação, que vai das notícias em tempo real aos sites neonazis, passando pelos guias para construcção de explosivos sofisticados e pelos tops de música popular, começou cedo a ser um meio ímpar de comunicação, através do e-mail e do site pessoal, a que se sucederiam os chatrooms, literalmente "quartos de cavaqueira", atingindo estes uma sofisticação cada vez maior, ao ponto de não haver browser que se preze que não ofereça a possibilidade de participar na discussão do momento em simultâneo com a navegação na Web.

A possibilidade de interagir desta forma, à distância e incógnito, ainda por cima em tempo real, veio abrir um maravilhoso mundo novo, em que um reformado do Texas se pode fazer passar por uma parisiense de 19 anos e despertar paixões num executivo japonês quarentão que, na realidade, é uma dona de casa do País de Gales.
Veja-se o ocorrido, recentemente, com aquele ex-marine de 31 anos que se apaixonou por uma inglesa de 19, na realidade uma menor de 12 anos, embora altinha para a idade, tudo através da Net.

Recentemente, a propósito de uma "conversa" no Blog "A Espada Relativa" (excertos da qual reproduzo acima com a autorização dos bloggers que a publicam), comentava-se a diferença de tom e estilo entre o que se escreve nos "comentários" e o que se edita na página do Blog, os primeiros descontraí­dos, alguns em excesso, os últimos mais cuidados, alguns, também, excessivamente "polidos".
Admito que a presença dos comentários nos blogs é um aliciante, pois não só os mesmos serão lidos pelos respectivos bloggers como por qualquer visitante da página onde são afixados. Cria-se, de imediato, uma atmosfera de participação e interactividade que contribui para a popularidade do blog.
Estes são os que chamo de "Blogs interactivos".
Depois existem os que não permitem a inserção de comentários directos, antes preferindo o e-mail como forma de comunicação leitor-blogger. Deste modo, apenas no caso de o blogger entender publicar o conteúdo do e-mail ele será conhecido dos restantes leitores. É uma comunicação "antiquada" (o e-mail está ultrapassado... como o tempo passa...), se comparada com o imediatismo do "comment software", mas previne uma série de situações que, apesar de caricatas, nada de estranho têm no universo da Internet. A apropriação de identificações alheias é uma delas. O caso que sucedeu a JPP, no Devblog.
Estes são os que chamo de "Blogs editoriais" (inspirado pel'A Sombra).

Apetece citar Maquiavél, recordando um recente post de RS, e perguntar o que é melhor: ser temido (editorial) ou ser amado (interactivo)? Pois, como o conselheiro do Príncipe, sendo impossível ser-se as duas coisas, diria que ser temido, portanto editorial, é o melhor. Mas não me arrogo o direito de estabelecer aqui uma regra, pois cada um se sente melhor de acordo com variados factores, aos quais sou alheio na totalidade.
A Internet é um imenso depósito de personalidades, reais e fictícias, e é isso que faz dela um instrumento simultaneamente maravilhoso e perigoso, admirável e odioso. Um dos últimos lugares onde se pode ter regras de forma anárquica sem cair no ridículo.

Como diria o neca que assina "Abrupto" em Devblog:
"Uma armadilha chinesa é aquela em que quanto mais a vítima se mexe mais presa fica. (...) Abrupto... ou não... ou talvez... ou será que interessa ?" (Comentário [em Devblog] por (")Abrupto(") 19/7/2003).

De facto, será que interessa?
Um abraço a todos os bloggers e aos que os lêem.

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