quarta-feira, outubro 22, 2003

Post-Traumatic Stress Disorder


Ricardo Dias Felner, autor do artigo Os senhores de negro (in Pública, 12Out2003), respondeu-me pela segunda vez, desta feita ao meu post
"Um tal Felner".

Sempre sucinto (oxalá o fosse nos artigos que escreve), confessa que teve dificuldade em me compreender, isto porque considera que não escrevo "muito bem" (sic). E remata a curta mensagem da seguinte maneira:
"De qualquer forma, do que se entende, só diz parvoíces. Não seja primário." E envia um abraço, que daqui retribuo.

Em que ficamos, então?
Bem tento adaptar o meu estilo ao interlocutor a que se destina, mas não tenho sorte nenhuma. Não sei ao certo qual a porção do que escrevi Ricardo Felner entendeu, mas deve ter entendido o bastante para se insurgir contra ela (1), seja lá qual for.
De todo o modo, parece que feri a sua susceptibilidade - um objectivo primário, confesso, mas que, como todas as coisas simples, me deu prazer.

A forma como Ricardo Felner defende a sua dama (no caso o seu artigo) é enternecedora (2), e só fica bem, a quem escreve, defender os seus escritos. Demonstra, porém, não considerar a minha opinião aplicável ao texto Os senhores de negro, isto é, que não procurou relativizar ou fazer passar por naturais os fenómenos "duces" e "praxes" (3).
Compreenderia o uso do estilo "National Geographic" (ou mesmo "Herman Geographic") como o mais apropriado para falar dos mesmos (4), mas não vislumbro qualquer ironia, subliminar (5) ou explícita (6), no seu texto.

Devo confessar, no entanto, que a possibilidade de ser o Ricardo Felner um "ex-caloiro" de uma escola de jornalismo ou, quem sabe, de uma Faculdade de Letras, só agora me ocorre, o que explicaria (7) a reverência e naturalidade com que discorreu sobre o tema em causa.
Por este facto (8), só agora contemplado, me penitencio. (9)

Aliás, se imaginarmos Ricardo Felner de joelhos, gravador em punho e olhos postos no solo, frente aos "duces" entrevistados no seu artigo, teremos de concordar que ele (10) nem está mau de todo. Há muito pior!

Fabien Jeune
Outubro de 2003


Anotações ao texto acima:
(para benefício de Ricardo Dias Felner) (*)

(1)
"ela" - a porção do texto que entendeu
(2)
"enternecedora" - a forma
(3)
isto é: os fenómenos "duces" e o fenómeno "praxes", mas, também, o fenómeno "duces" e o fenómeno "praxes" - note que "duces" não leva maiúscula de propósito e que, se aplicado o plural a "fenómeno", estamos a falar dos que existiram no Entroncamento, em tempos
(4)
"dos mesmos" - dos fenómenos citados
(5)
"subliminar" - no caso do estilo "National Geographic"
(6)
"explícita" - no caso do estilo "Herman Geographic"
(7)
"o que explicaria" - a possibilidade
(8)
"este facto" - tal só agora me ocorrer
(9)
neste parágrafo se encontra a explicação para o título deste post
- PTSD: ver aqui -
(10)
"ele" - o artigo

(*) mais explicações, só contra "hard currency"

post scriptum:
Decidi correr o risco de não me fazer entender por Ricardo Felner, abdicando da resposta que concebi inicialmente, infinitamente mais inteligível de tão simples, pois constava de apenas três palavras em muito bom português.
Assim, como está a actual, quem sabe não será compensado o esforço de Ricardo Felner em compreender o que escrevo - mesmo que, em sua opinião, não o faça "muito bem".

post scriptum 2:
Recebi um e-mail da Playstation indicando a impossibilidade de me pagar pela publicidade que tenho feito à PS2, de onde o novo formato das minhas notas. :)

post scriptum 3:
Assumo a possibilidade de o último e-mail de Ricardo Felner ser como o "bater da porta", apesar do "abraço", de onde a situação descrita por RS em "No shit..." se poder aplicar aqui e, nesse caso, justificar a minha opção de resposta n'A Sombra e não por e-mail, directamente ao Ricardo. Como em qualquer blog, isto sou eu a... "pensar alto".

E, já agora... (slam)

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