segunda-feira, novembro 28, 2011

De Auschwitz a Pittsburgh


Com o aproximar do Natal e as anúnciadas primeiras neves (deve nevar amanhã pela primeira vez, este Outono), é altura de arrumar a casa e resgatar a àrvore e as decorações natalícias da cave. A meio de tais tarefas dei pelas minhas notas do tempo em que fui voluntário no Museu da Força Aérea dos Estados Unidos (permaneço ligado à Fundação do Museu como "amigo", mas não é o mesmo).
Aqui fica uma delas:

3 de Julho, 2010

Uma jovem mulher mostrou aos seus dois filhos, no mapa dos campos de concentração da exposição sobre o holocausto, o local onde a bisavó de ambos esteve internada durante a Segunda Guerra Mundial. Apontava com o dedo para uma área no Sul da Polónia, talvez Auschwitz-Birkenau, quando um dos pequenos lhe perguntou: "E onde fica Pittsburgh?" (no mapa) Ela sorriu e apontando o braço para Este, disse: "Ali, bem longe."

Muitos fugitivos judeus encontraram refúgio nesta parte de Ohio e as suas famílias aqui vingaram e permaneceram. Um dos meus colegas no museu é ele mesmo um sobrevivente do holocausto e as fotos de família tiradas antes da fuga fazem parte da exposição permanente sobre esse período - e lá está ele, pequenito, longe de imaginar que ia iniciar a sua viagem para o Novo Mundo.
Como ele, muitos dos voluntários que trabalham no museu são pedaços vivos da História que tornam ainda mais fascinante o maior museu de aviação militar do mundo.

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segunda-feira, maio 09, 2011

Em suma...

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Shadow, shadow on the wall...

Ontem foi o dia da Mãe nos Estados Unidos - para a minha mãe sempre foi a 8 de Dezembro, agora é quando calha, ou seja, no primeiro Domingo de Maio e até o chamam "das mães" (e eu que pensava que mãe há só uma...) e foi há uma semana que os Seals mataram Osama Bin Laden mas nada disto faz esquecer a crise; aqui, como em Portugal, a longa e lenta mas inexorável marcha rumo ao social-corporativismo continua. Adeus socialismo, adeus capitalismo... Tenho de admitir que transformar de uma assentada toda a classe média - liberal ou conservadora - em órfãos ideológicos é brilhante mas, em rima, adiante.
Os beija-flores regressaram, a terra está pronta para mais uma plantação de tomates, as àrvores retomam o esplendor primaveril, o gato está a reagir bem à cadela velhinha que vai passar uns tempos cá em casa, com quatro novos Michelin o "barco" desliza suave e, finalmente, o Sol brilha e faz calor - sim porque, este ano, as pás de neve e os baldes de sal só desceram à cave em meados de Abril.
Em suma, a vida continua... Como a luta.
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It's raining again...

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