sábado, outubro 25, 2003

Ame


Sempre que chove lembro-me de ti.
Não o esquecendo, lembrar-te-ás de mim,
A cada gota de água que beijar o teu rosto.

Sugiro, ainda:
Ghost in the shell . OST

Ame (jap.) - Chuva

Kaze


Este vento é ideal para montar.
Hoje se poderia competir, realmente, com ele.

(O meu espanta-espíritos está feliz.)

Sugiro:
Ghost in the shell . OST

Kaze (jap.) - Vento

Resto de uma noite de Outono . 3


Convém avisar não só os ingleses
Como todos os outros;
Os putos da Sé,
As tias da Foz,
O Pimentinha,
Os queques da Boavista,
Os curiosos,
O Paulo,
As musas, avisar as musas!,
E os poetas, Deus meu, os poetas
Convém avisá-los;
E o Jaime, apesar de merceeiro,
O Manoel, apesar Deneuve,
As miúdas,
As putas,
Os de lado algum,
Esses convém encontrá-los antes,
E eu; eu tenho de avisar
O Joaquim,
Que estão todos avisados.

23Out2003

Resto de uma noite de Outono . 2


Curiosamente, nas costas da T-shirt que Joaquim Castro Caldas usou no Maus Hábitos, a noite passada (23Out2003), estava estampada uma reprodução de Les Demoiselles d'Avignon... Premonição?

Resto de uma noite de Outono . 1


Para que fique registado
O nado foi morto
A troco de um chavo
Apalavrado

23Out2003

sexta-feira, outubro 24, 2003

O bordel de Picasso


O Cruzes Canhoto!, um dos nossos blogs indispensáveis, reordenou a sua lista permanente de ligações aos blogs que visita assiduamente, escolhendo para o efeito títulos de livros.

Tal escolha, por motivos que um dia talvez torne públicos, é muito do nosso agrado, especialmente em termos estéticos. Como dizem os próprios "canhotos", algumas escolhas são deveras enigmáticas, outras bem evidentes.

A nós, A Sombra, tocou-nos em sorte o "Les Demoiselles D'Avignon (Studies in Modern Art, No. 3)", de William Stanley Rubin, Helene Seckel, Judith Cousins, editado pelo Museum of Modern Art de Nova Iorque, em 1995.

Pela honra concedida, agradecemos.

Pel'A Sombra,
RS

quinta-feira, outubro 23, 2003

23 de Outubro


Sim, de Outubro.
Hoje, o único engano é não estarem presentes os "Apalavrados", mas apenas o Joaquim. E, desta vez, convém avisar não só os ingleses...

nota:
Nunca se sabe o que esperar destas noites...

Choque


Há muito tempo que não tinha notícias de um velho amigo, apesar de não vivermos tão afastados assim. Com ele e a sua família, íntima da minha, passei bons momentos, em Gaia e em Almeida, onde viveram os seus antepassados. Que saudade de Almeida... Há quanto tempo.

As recentes notícias que dele tive, porém, não são boas. Há pouco tempo atrás, foi vítima de um acidente de viação no IP4. Um veículo veio chocar frontalmente com o automóvel onde viajava, em companhia da esposa, do filho e da filha, ainda crianças. A pequena, mais gravemente ferida, encontra-se ainda no hospital (onde entrou em estado crítico) queira Deus que a recuperar bem.

Esta triste nova leva-me a escrever sobre um assunto que tenho evitado, n'A Sombra, dada a minha posição sobre o mesmo, que considero polémica: a segurança rodoviária. A segurança das nossas estradas é motivo de crescente alarme. As causas da sinistralidade automóvel, em Portugal, não são exclusivas de ninguém, contrariamente ao que alguns media, como a própria RTP e o seu bacoco "Prós & Contras" tentam ou tentaram concluir. O Estado mantém e faz construir estradas sem condições de segurança e recorrendo a materiais de fraca qualidade; os seus utilizadores, condutores de veículos motorizados de todas as espécies, ultrapassam de largo os seus limites pessoais, na forma como conduzem.

Conduzir, em qualquer parte do mundo, é um risco.
Mesma na melhor via rodoviária, o melhor e mais consciente condutor pode entrar na faixa contrária por motivo de uma falha mecânica ou por qualquer indisposição física; ninguém está livre, por exemplo, de uma avaria na direcção ou de um problema cardíaco, enquanto conduz. Acontece. E, quando acontece, pode provocar um acidente terrível. Em estrada, o risco está sempre presente, mas o que se verifica, em Portugal, é o aumento desse risco por culpa da atitude dos responsáveis pela construção e manutenção das estradas e dos que nelas circulam.

Dois exemplos, a demonstrar a responsabilidade partilhada desta forma:
1. Entre Condeixa e Tomar, numa estrada já de si manhosa que conheço bem, entro numa zona de curva e contra curva a 70 Km/h. O asfalto é novo. Demasiado novo. É noite e, de repente, as marcações desaparecem da estrada, exactamente entre as duas curvas. Não se trata de um "acidente". Verifico no regresso, dias depois, que continuam por pintar. No momento, valeu o conhecimento da estrada e as excelentes luzes do automóvel. A não ser assim, poderia ter saído da minha faixa...
2. Na via rápida que liga o centro de Gaia à Arrábida, saio de uma estação de serviço. Entro na via de quatro faixas junto a um cruzamento onde, no semáforo vermelho, se encontram parados dois automóveis, um atrás do outro, na faixa interior do sentido Gaia-Porto, onde me encontro. Lentamente, entre ficar atravessado atrás do segundo automóvel parado ou aceder à faixa exterior e parar no semáforo, opto por sair da traseira dele e assumir a posição junto ao cruzamento, à esquerda do primeiro automóvel. Então, começo a ouvir uma sirene. Não vejo a estrada na direcção do Porto, pois estou ainda atrás do segundo automóvel parado. Do lado de Gaia não vejo nenhum veículo. Polícia? Ambulância? Inconscientemente, prefiro aguardar até ver a origem da sirene e travo, ficando atravessado atrás dos dois automóveis parados, em lugar de continuar a manobra. No mesmo instante em que travo, vindo do Porto e na minha faixa, um Punto prateado passa a meio metro do meu pára-choques dianteiro, seguido de um carro da polícia de sirenes ligadas. Devia ir a uns bons 150 ou 160 Km/h... Se tivesse continuado a manobra, o que seria perfeitamente legal, teria levado com o desgraçado de frente, mais os polícias que não teriam tempo de reagir, àquela velocidade.

Provavelmente, numa como noutra situação e sem culpa nenhuma, poderia bem não estar a escrever estas linhas.

Vou ser sincero. Conduzo rápido. Sou um condutor "agressivo", isto é, conduzo com os olhos muito à frente do veículo que me antecede ou da curva que se aproxima e faço da potência, mais que da velocidade, a minha defesa, isto é, entre travar ou acelerar escolho 90% das vezes a segunda. Uso mais a caixa que os travões e uso a minha parte da estrada na totalidade. Em qualquer circunstância, de noite ou de dia, em estrada ou em cidade, conduzo com as luzes ligadas, hábito que tenho das motos.
Os meus limites, porém, conheço-os bem e são atingidos, normalmente, bem antes dos limites da máquina que conduzo. Mesmo quando conheço bem essa máquina, muito raramente chego ao seu limite, e quando tal acontece é porque ele é inferior ao meu - falo de 80 cavalos, no caso do Punto, e de 70 cavalos, no caso da Yamaha XTZ 750, que foi a minha última moto.
Já conduzi máquinas com mais de 100 cavalos e essas não lhes conheço os limites, nem nunca os procurei atingir na via pública.

Nas centenas de milhares de quilómetros, em duas e quatro rodas, que já fiz, em Portugal e em alguns países da Europa, já sobrevivi a malucos que encontrei de frente na auto-estrada e na cidade, a pesados em manobras, de noite, após uma curva; a obras não sinalizadas - e isto tanto em Portugal como lá fora, embora muito mais casos destes me tenham acontecido neste país que em qualquer outro, mas devo salientar que já fiz muita auto-estrada alemã sem limitação de velocidade e nem uma única vez passei pelo que passo em Portugal.

Como já referi várias vezes, n'A Sombra, a propósito de outros casos, tudo começa na formação. Pessoas bem formadas são incapazes de conceber ou construir estradas más e são incapazes de exceder os seus limites, uns e outros evitando, assim, atentar contra a vida dos que conduzem e dos que com eles viajam. Seja a que título for, a culpa será sempre da fraca educação que temos, que tem incutido um sentido de impunidade e desrespeito sem paralelo na nossa sociedade; na estrada, no trabalho... Em tudo.
Quando falamos de segurança rodoviária, portanto, não é de mais polícia ou GNR que falamos; não é de multas e radares e limitações; é de educação. Pura e simplesmente.

Rui Semblano
Porto, 23 de Outubro de 2003


nota:
Ao meu amigo Américo e à sua família, desejo que esta infeliz circunstância seja, em breve, apenas uma memória a tentar esquecer, e que todos recuperem desse trágico acidente da melhor forma possível.

Cat...


Hoje libertei uma pequena criatura, há três dias fechada numa garagem. Há três dias que esperava um milagre, sem comer nem beber. Hoje decidi que não havia engano e removi céu e terra para que alguém abrisse aquele maldito portão.

É branco e preto.
Já tem uma dona.
E, como tem o rabo negro com a pontita alva, chama-se Pincel!

:)

quarta-feira, outubro 22, 2003

Dog...


Só um humano poderia ter inventado
a expressão mundo cão...

A reter, rever e... rever outra vez.

nota:
Sim, existe vida em outros planetas.

Post-Traumatic Stress Disorder


Ricardo Dias Felner, autor do artigo Os senhores de negro (in Pública, 12Out2003), respondeu-me pela segunda vez, desta feita ao meu post
"Um tal Felner".

Sempre sucinto (oxalá o fosse nos artigos que escreve), confessa que teve dificuldade em me compreender, isto porque considera que não escrevo "muito bem" (sic). E remata a curta mensagem da seguinte maneira:
"De qualquer forma, do que se entende, só diz parvoíces. Não seja primário." E envia um abraço, que daqui retribuo.

Em que ficamos, então?
Bem tento adaptar o meu estilo ao interlocutor a que se destina, mas não tenho sorte nenhuma. Não sei ao certo qual a porção do que escrevi Ricardo Felner entendeu, mas deve ter entendido o bastante para se insurgir contra ela (1), seja lá qual for.
De todo o modo, parece que feri a sua susceptibilidade - um objectivo primário, confesso, mas que, como todas as coisas simples, me deu prazer.

A forma como Ricardo Felner defende a sua dama (no caso o seu artigo) é enternecedora (2), e só fica bem, a quem escreve, defender os seus escritos. Demonstra, porém, não considerar a minha opinião aplicável ao texto Os senhores de negro, isto é, que não procurou relativizar ou fazer passar por naturais os fenómenos "duces" e "praxes" (3).
Compreenderia o uso do estilo "National Geographic" (ou mesmo "Herman Geographic") como o mais apropriado para falar dos mesmos (4), mas não vislumbro qualquer ironia, subliminar (5) ou explícita (6), no seu texto.

Devo confessar, no entanto, que a possibilidade de ser o Ricardo Felner um "ex-caloiro" de uma escola de jornalismo ou, quem sabe, de uma Faculdade de Letras, só agora me ocorre, o que explicaria (7) a reverência e naturalidade com que discorreu sobre o tema em causa.
Por este facto (8), só agora contemplado, me penitencio. (9)

Aliás, se imaginarmos Ricardo Felner de joelhos, gravador em punho e olhos postos no solo, frente aos "duces" entrevistados no seu artigo, teremos de concordar que ele (10) nem está mau de todo. Há muito pior!

Fabien Jeune
Outubro de 2003


Anotações ao texto acima:
(para benefício de Ricardo Dias Felner) (*)

(1)
"ela" - a porção do texto que entendeu
(2)
"enternecedora" - a forma
(3)
isto é: os fenómenos "duces" e o fenómeno "praxes", mas, também, o fenómeno "duces" e o fenómeno "praxes" - note que "duces" não leva maiúscula de propósito e que, se aplicado o plural a "fenómeno", estamos a falar dos que existiram no Entroncamento, em tempos
(4)
"dos mesmos" - dos fenómenos citados
(5)
"subliminar" - no caso do estilo "National Geographic"
(6)
"explícita" - no caso do estilo "Herman Geographic"
(7)
"o que explicaria" - a possibilidade
(8)
"este facto" - tal só agora me ocorrer
(9)
neste parágrafo se encontra a explicação para o título deste post
- PTSD: ver aqui -
(10)
"ele" - o artigo

(*) mais explicações, só contra "hard currency"

post scriptum:
Decidi correr o risco de não me fazer entender por Ricardo Felner, abdicando da resposta que concebi inicialmente, infinitamente mais inteligível de tão simples, pois constava de apenas três palavras em muito bom português.
Assim, como está a actual, quem sabe não será compensado o esforço de Ricardo Felner em compreender o que escrevo - mesmo que, em sua opinião, não o faça "muito bem".

post scriptum 2:
Recebi um e-mail da Playstation indicando a impossibilidade de me pagar pela publicidade que tenho feito à PS2, de onde o novo formato das minhas notas. :)

post scriptum 3:
Assumo a possibilidade de o último e-mail de Ricardo Felner ser como o "bater da porta", apesar do "abraço", de onde a situação descrita por RS em "No shit..." se poder aplicar aqui e, nesse caso, justificar a minha opção de resposta n'A Sombra e não por e-mail, directamente ao Ricardo. Como em qualquer blog, isto sou eu a... "pensar alto".

E, já agora... (slam)

terça-feira, outubro 21, 2003

Desmentido oficial


Lido em O Proletário Vermelho:

--- quote ---

De momento, todos os revisionistas radicais desse partido
[PS] se encontram na sombra, esperando por tempos melhores (...).

--- end quote ---



A Sombra desmente categoricamente que Helena Ricca, Fernando Granjo ou Manuel da Cerveira Pinto sejam "revisionistas radicais desse partido", apesar de nunca aqui terem publicado uma entrada.
Aliás, n'A Sombra não existe nenhum "revisionista". Quanto a radicais... :)

nota:
O bold na transcrição é da nossa responsabilidade.

... si muove!


Já ia desligar o computador quando fiz a última recolha de e-mail e não resisto a publicar esta curta mensagem:

E-mail enviado por Fabien Jeune:
(fabien.jeune@clix.pt)

--- quote ---

Para a próxima, envia os e-mails que tens
para enviar ANTES de apagar a luz.

Fab

--- end quote ---


Depois explico.
E, de novo, uma noite tranquila a todos.


nota:
Às vezes tenho saudade do tempo em que o Fabien
enviava e-mails para A Sombra, como toda a gente... :)

E pur...


Não me perguntem nada.
Eu só vim aqui fechar a luz.

Boa noite.

(click)


(em fundo: o som da insensatez original)

segunda-feira, outubro 20, 2003

Um tal Felner


E-mail enviado por Ricardo Felner:
(ricardo.felner@publico.pt)

--- quote ---

Sr. Fabien Jeune,

Porquê um "tal Felner". Não gosta do nome? Está no seu direito. De qualquer forma, se tiver alguma coisa contra mim ou contra a minha reportagem sobre os "duces" pode escrever para o meu email.

--- end quote ---


Caro Sr. Ricardo Dias Felner,

Agradeço, antes de mais, o envio do seu e-mail, motivado pelo meu post "Moderado", n'A Sombra.

Porquê um "tal Felner"? Bom, não um "tal Felner", mas "um tal Ricardo Dias Felner". Não tenho a honra de o conhecer e pareceu-me despropositado dar a entender que tal era o caso, escrevendo "o Felner" ou "o Ricardo", mas adivinhou. Foi uma farpazita, de facto, como o atesta a designação de "pseudo" acoplada a "artigo" quando me referi ao que escreveu na revista Pública em causa.

Mas deixemos a questão do nome para último lugar e passemos a esse mesmo artigo, publicado na revista Pública de 12 deste mês.
Imagine o Ricardo Felner uma reportagem sobre os antipraxistas (e atente bem no "anti", pois é o exacto oposto do "dux"), na mesma revista, com um título do género Os heróis da liberdade - sem aspas - extraído de uma introdução que rezasse algo como: Os colegas dizem que estes heróis da liberdade são a única defesa contra a praxe - sem aspas em lado nenhum. Familiar?
A frase é sua, mas escrita assim: Os súbditos [sem aspas] dizem que os senhores de negro [tal como aqui em bold e sem aspas] cumprem bem as funções de zelar [tal qual - mas zelar por quem ou por quê?].
(Como deverá ter compreendido, os "duces" e os "antipraxistas", para mim, estão ao mesmo nível, que é muito baixo.)

Está a ver onde quero chegar?
Imagine um artigo sobre as Totenkopf das SS nazis intitulado da mesma forma que o seu: Os senhores de negro - assim mesmo.

Se se trata de um artigo de opinião, nada contra a forma e o estilo da escrita, mas sim contra a forma como passou pelo crivo da escolha editorial - estou a recordar-me de uns artigos curiosos da autoria de uma espécie de revisionista mal disfarçado, no Público. E não o estou a comparar a esse senhor, mas a ilustrar o meu ponto de vista, pois cada um é livre de escrever e dizer o que quiser, desde que o faça em seu nome e não representando um mass media, mesmo a revista Pública, que não é o jornal Público, eu sei.

Não era sua intenção branquear ou, pelo menos, descrever os "duces" e a praxe académica como fenómenos perfeitamente naturais? Não o creio. E, repare, ao não o crer estou a elogiar o seu intelecto; estaria a denegri-lo caso sugerisse que nem se apercebeu de tal coisa ao escrever algo como o artigo em questão. E nem a caixa com um suposto "outro ponto de vista" vem ajudar, bem pelo contrário.
A única coisa que não engana, no seu artigo, são as fotos, em especial a do "asno moderado" João Luís - que valem por qualquer conjunto de palavras que o Ricardo Felner tenha escrito ou venha ainda a escrever sobre o assunto.

E, como vê, nada tenho contra o seu nome, caro Felner; apenas contra a forma como o usou, assinando um artigo de opinião por peça jornalística.

Cordialmente,
Fabien Jeune

PS:
Agora que existe uma relação directa entre nós, não tenho mais motivo para me referir a si como "um tal Ricardo Dias Felner", antes como "Ricardo Felner", como em "Foi o Ricardo Felner quem me enviou este e-mail", ao que me poderão dizer: "Ah... O tal Felner dos "duces"?" - mas essa parte já não é de minha responsabilidade.

PS2:
Esta entrada foi enviada por e-mail para o Ricardo Dias Felner.

PS3:
Ou a Playstation me começa a pagar ou vou ter de arranjar outro método para identificar as minhas notas de roda-pé... Hmmm...

PS4:
Espero que não tenha nada contra o meu nome! :)
É que é mesmo o meu nome e com muita honra.

Azar português


Claro que o Português Suave não podia continuar. Um português não pode ser confundido pela absurda inclusão de tão brando adjectivo no nome de uma marca de cigarros. Já aproximar o acto de fumar a ser sortudo não é grave, se não se entender o que Lucky Strike significa.

Realmente, ter uma marca escrita em português pode ser um azar dos diabos, por oposição a... um Golpe de Sorte.

2 fast 4 me 2 slow 4 you...

... or what?

A nossa entrada "Pimba!" e aquela a que se refere, lida em Dunhill King Size, foram editadas e publicadas quase em simultâneo. Resultado: a citação, n'A Sombra, ficou imprecisa. Mas não por muito tempo.

A transcrição exacta já pode ser lida, na referida entrada como, claro, no original do Victor Hertizel, que começa a ser uma "sombra da sombra", e nós dele, a julgar pelos tempos de publicação nos respectivos blogs!

:)

No shit...


Há quem não perceba certas subtilezas da linguagem e há quem não perdoe certos abusos de linguagem, mas todos deveríamos compreender que, depois de o nosso interlocutor sair da sala e fechar a porta, o que dissermos a seguir será sempre e apenas para nós próprios.
A conversa, de facto, terminara já antes da porta se fechar.

nota:
No guts, no glory.

Em breve...


Na nossa entrada "Vista geral..." ficou prometida a divulgação de um blog que congregará as diversas entradas sobre a discussão do método eleitoral, que teve lugar na blogosfera lusa.

O Francisco Mexia Alves, do Blog sem nome, já iniciou o trabalho!
O local de reunião das referidas entradas encontra-se em:

Método Eleitoral.

Aguardamos a concretização do projecto e renovamos o abraço de agradecimento ao Blog sem nome e, em especial, ao Francisco, pelo trabalho que está a realizar, realmente pro bono publico.
Assim esteja concluída a primeira fase, o Método Eleitoral entrará para a nossa lista de Blog Links permanentes e, quem sabe, será um dia o primeiro a integrar uma lista especial de blogs desse género - agregadores de entradas de vários bloggers sobre um tema em discussão. :)

domingo, outubro 19, 2003

Pimba!


Lido em Dunhill King Size:

--- quote ---

Nós Pimba

Intervenção de Pacheco Pereira no Jornal da Noite da Sic de hoje.
[19Out2003]

(...) Em segundo lugar a recomendação cultural de Pacheco
[Pereira]. Ângelo de Sousa em retrospectiva. Sobre a mesma, veja-se "Merda da boa!", Sábado, Outubro 18, 2003, n'A Sombra (a merda dos permalinks não funcionam, prefiro indicar a data e o titulo). Faço minhas as palavras de outrem - "A arte é o que o artista produz. O artista é todo que se diz como tal". E gostos não se discutem. O que destaco é a forma como Pacheco apresenta a sua sugestão. "E quando começa?" pergunta Clara de Sousa. "Bem, é por estes dias". Pois é, leste a noticia num qualquer roteiro cultural e achaste que ficava bem recomendar uma exposição. Fica sempre bem recomendar uma exposição, é intelectual, e eu sou um intelectual em missão de educação das massas. (...)

--- end quote ---


Dois coelhos com uma só pedra, hein? Boa malha.
Um abraço ao Victor, desde A Sombra.

nota:
Os permalinks, às vezes, são irritantes... :)

Para acabar de vez com a justiça


Os exemplos são inúmeros. Cada vez que uma figura pública é chamada a depor, constituída como arguida ou levada a julgamento, para não falar de quando é presa preventivamente, começa a guerra das audiências e das vendas, nas televisões e nos jornais. Massacram-nos durante dias com notícias de abertura bombásticas, com base, tantas vezes, na dita "voz corrente" e nada mais. Depois lá virão os desmentidos lacónicos e as notas da redacção em letras pequenas, perdidas no meio das notícias locais ou das páginas de opinião... Sempre afastadas das aberturas e das primeiras páginas. Assim obriga a lei do mercado.

A indecisão em publicar uma manchete duvidosa custa muitos milhares de euros, porque há sempre quem não hesite em a publicar e recolher os dividendos; uma notícia não confirmada que não abra um noticiário televisivo pode custar a perda de audiência para outro canal menos escrupuloso e o reflexo no "share" pode cifrar-se em perdas de publicidade da ordem dos milhões de euros.
Como sempre, e cada vez mais, tudo se resume ao dinheiro. A máxima hipócrita do jornalismo - "todos têm o direito de saber tudo sobre todos" - é rainha e senhora, mas não se trata do direito à informação; o que está em causa é o direito a ganhar mais e mais dinheiro, não interessa como. E no caso da justiça, em Portugal, o circo começa a ser demasiado.
A comunicação social diz e escreve não importa o quê sobre os processos em curso que envolvem os chamados "mediáticos" - mesmo os casos que não chegaram ainda a tribunal (chegarão algum dia?) são expostos de qualquer maneira, literalmente, com base no rumor, no boato, no "diz-que-disse".

A Sombra nunca mencionou, por exemplo, o caso da pedofilia, emitindo juízos de valor ou outros sobre os seus agentes; nunca mencionou, por exemplo, o caso da Universidade Moderna nesses termos. Talvez o único caso expressamente mencionado, por mim, com referências aos seus intervenientes, ainda assim limitado à evidência, foi o recente escândalo Cruz/Lynce. Emiti, nessa entrada, uma opinião que viria a ser confirmada dias depois; a de que Martins da Cruz não estaria isento de responsabilidades e que se deveria ter demitido na mesma altura em que o fez Pedro Lynce. Não se afirmou até onde ia a responsabilidade de um ou de outro, pois isso caberá à justiça, se algum dia for esse o caso. Aliás, o texto em questão avisava, claramente, que todos nós poderíamos ser um Lynce ou um Martins da Cruz; e muitos de nós já o fomos, ao menos uma vez na vida. Tratou-se, portanto, de uma critica à atitude de Martins da Cruz, não de um juízo sobre o seu papel no caso, apesar do que é conhecido, para mim, ainda por determinar.

Eu próprio não falei ainda em Paulo Pedroso. N'A Sombra, foi Fabien (FJ) a fazê-lo, ironizando o regresso do deputado às páginas do Jornal de Notícias e ao Parlamento. A meu ver, não se trata de um juízo sobre o alegado envolvimento de Paulo Pedroso no processo da pedofilia, mas sobre a sua atitude perante a situação em que se viu envolvido.
Existirá uma cabala contra o Partido Socialista? Será real o envolvimento do deputado em questão? Será ele inocente ou culpado? Não sei e interessa-me sabê-lo, mas não me interessa, e não interessa, expressar publicamente o que penso sobre isso. Até poderei emitir uma opinião sobre a questão relativa ao PS, mas nunca sobre o envolvimento ou não de membros desse partido ou de quem quer que seja no processo.

Estou de acordo com Fabien. Paulo Pedroso devia estar calado - fala demasiado. Justifica-se. Não devia fazê-lo mais. Bastou-me a sua declaração inicial de inocência. Ouvimos. Eu não a esqueci. Estou de acordo com todos os que entendem que Paulo Pedroso devia manter-se afastado da cena pública até estar cabalmente demonstrado que nada tem a ver com o processo da pedofilia. Entendo que, a falar, o deveria fazer para exigir que a situação se esclareça, judicialmente e rapidamente.
Em seu lugar, postar-me-ia "à porta" de Rui Teixeira, e dir-lhe-ia: "Meu caro, não se incomode a prender-me preventivamente; não vale a pena. Todos os dias, quando sair de casa e ao regressar, me encontrará aqui. Não irei a lado nenhum até que sejam provadas as acusações que me são feitas ou que as mesmas sejam refutadas por falsas".
E assim fosse considerado inocente, faria da identificação e responsabilização dos que proferiram as falsas acusações uma missão a levar até às últimas consequências, isto é, a sua punição com a máxima força da lei.

Paulo Pedroso faz bem em acreditar que nos esqueceríamos dele se fosse para casa, mas faz mal em pensar que é no Parlamento e nas páginas dos jornais que vai garantir ser recordado com dignidade.
E faz bem em acreditar que nos esqueceríamos dele se ficasse em casa porque não é em casa que deveria ficar, mas "à porta" de Rui Teixeira. E faz mal em acreditar que é retomando a sua actividade de deputado e a de colunista que vai garantir a dignidade da sua memória, pois são sinais ambíguos e equívocos que mais depressa se tomam por outro algo.

A justiça cai na rua, ao ser tratada como tem sido pela comunicação social. Na rua e da amargura. Em qualquer processo, apenas deveria ser legítimo, e expresso como tal em letra de lei, publicar ou divulgar notícias relativas ao mesmo emanadas dos advogados de acusação e de defesa, dentro dos limites já existentes, e nada mais.
A todos os outros agentes, incluindo acusados e acusadores (que teriam os seus advogados para falar por si), seria negada e punida por lei qualquer manifestação pública de opiniões sobre os casos em processo, fossem elas de juizes, autoridades, investigadores, familiares de acusados ou de acusadores ou... jornalistas.

Todos os trabalhos jornalísticos, valham eles o que valerem, servem apenas para explorar uma situação em benefício próprio dos órgãos que os emitem. Uns serão brandos e moralizadores, outros acutilantes e tendenciosos, protestem eles "culpado" ou "inocente" nas suas linhas ou nas suas entrelinhas. Que se diga algo sobre a atitude dos agentes, em si mesma, é uma coisa; que se façam campanhas em favor dos mesmos ou contra eles é outra.

Enquanto tivermos juizes, testemunhas, arguidos e seus familiares, acusadores e seus familiares, investigadores, "identificados" e "anónimos", nas televisões, nas rádios e nos jornais, a emitir opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, não existirá justiça em Portugal.
Mas talvez seja esse o objectivo. Acabar de vez com ela.

Rui Semblano
Porto, 17 de Outubro de 2003