sábado, fevereiro 14, 2004

O fim como meio


--- quote ---

texto com pedaço de carta
(a noite)


(o autor saudando o leitor)

E emudecemos
muito
pois era a única direcção
dançável se e quando insondável
E passamos pela palavra secreta
pela imagem secreta
E pelo segredo comum

o fim não é o fim
o silêncio não é um fim
pois há uma vela acesa
E um epitáfio ainda
assim façamos nossa vida um dia
a vida é tudo, posso amar-te no degredo,
Em toda a parte há céu e flores e deus,
se viveres um dia serás livre,
a pedra do sepulcro é que nunca se levanta

E emudecemos um pouco
pois era a direcção
dialéctica
E passámos pela física
pela metafísica
e pela pedra

(o autor definindo a noite)

--- end quote ---

Poema extraído de "o fim não é o fim",
por Pedro Ludgero
(Amores Perfeitos, Vila Nova de Famalicão, Janeiro de 2004)

Porque...
... nem todos somos "escritores frustrados" na minha família!
Parabéns, Pedro, pelo teu segundo livro!
Venha o terceiro, já que o tens pronto!


nota:
Por ocasião do lançamento do livro, na Academia Musical de Vilar do Paraíso, em Vila Nova de Gaia (onde o autor lecciona), sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2004.

nota 2:
Há quanto tempo não se falava de poesia ou se escrevia um poema, n'A Sombra... E o Joaquim que também está prestes a editar mais um livro. "E tu?" - perguntaram-me, no lançamento do livro do meu primo Pedro - "Quando é que editas os teus escritos?", ao que estive mesmo para responder que editava outros, mas num blog. "Num quê?" - pois. Por isso é que "só" estive mesmo. :)

nota 3:
A propósito de poesia, registo o simpático convite do Vamos Lixar Tudo para traduzir o poema Aubade, de Philip Larkin, desafio lançado originalmente pelo 3 tesas não pagam dívidas, mas dadas as actuais circunstâncias tenho de declinar a gentileza. Um abraço para o Carlos e para o Rui. ;)

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Agora, amigo?!


José Pacheco Pereira, no Público de ontem, vem dar o dito por não dito e "acha" que "se calhar" tinha sido preferível "não fazer nada" no Iraque a fazer o que foi e está a ser feito...

Ó amigo! Agora?
Agora Inês é morta, homem.

Olhe, fale das europeias ou das nossas presidenciais, ou faça uns haikuzitos; agora do Iraque, faça um favor a si próprio e não diga nem escreva mais nadinha.

(enviado por e-mail para o abrupto JPP...)

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Já sabia...


Quando acabaram os trinta e veio a segunda série, estava a ver que ia sair uma terceira. Hoje, com o número 89 da colecção Mil Folhas, do Público, lá veio a esperada notícia: quem edita 90 edita 100!

A colecção de livros editada pelo Público é simpática, pois além de proporcionar grandes obras da literatura a um preço muito acessível (e com capa dura!), os títulos seleccionados são interessantes, na sua maior parte. As edições especiais, como o Eça e os volumes de Natal, também foram uma boa ideia, embora a tradução dos Contos de Dickens que já tinha (de João Costa, edição Círculo de Leitores) vaporize a desta colecção, mas enfim...

O problema é que já gostava de ler antes de o Público editar a colecção, de onde já ter muitos dos livros que comprei - são os números... se não fossem numerados, ainda saltava os repetidos, assim, cedo ao marketing coleccionista -, embora os considere uma boa compra. Ler um livro traduzido por dois tradutores diversos é como ouvir uma mesma peça musical dirigida por maestros diferentes. Agora, 100?

Ok. Já tinha prometido que, nesta eventualidade, compraria mais dez, mas nunca mais trinta! Se depois dos 100 vierem com a cantiga dos 200 (o que duvido), a mim não me apanham! Mas já conheço o ditado... Never say never...

Quanto à colecção, espero que chegue aos mil, como as folhas. É que muito boa gente começou a ler "a sério" por causa destes livros a 5 euros "mais o jornal".
Um verdadeiro serviço... Público.

Parabéns!
Venham os 100.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Something Old, Something New...


É um recorde absoluto.
Dez dias sem publicar nadinha e o Fabien "na reserva" (sim, que dos restantes nem falo!). Dada a assiduidade a que A Sombra habituou os seus leitores (que aqui continuaram a vir todos os dias! - obrigado) penso que uma explicação é devida.

Tem a ver com a "bota" que o Fabien disse querer ver como descalçaria... Pois bem, no que toca à Sombra e ao Cinema para Indígenas, muito mal. O tempo não tem dado para nada e o trabalho aperta. Mas isto não diz muito a quem não sabe o que faço e o que este ano tem de diferente.

Walk with me...

Sou um daqueles felizardos que conseguiu a ocupação ideal. Trabalho no meu tempo e, na prática, até quando não faço nada ganho dinheiro. (Não, não sou piloto de fórmula um, nem corretor da Bolsa, nem advogado - não resisti, que me desculpem os advogados!)
Sou pintor.
Esta afirmação é, em si mesma, espantosa, pois não é uma ocupação simpática. A maior parte dos pintores que conheço, sobretudo os que têm formação académica, fazem tudo menos pintar. Eu tive sorte, pois a minha formação académica é gráfica, ainda por cima, mas vem daí o ter-me tornado pintor. A minha cara metade, a Lina, que os leitores habituais d'A Sombra e do Cinema para Indígenas (tão esquecido...) já "conhecem", é licenciada em pintura e, felizmente, consegue viver da pintura, também. Por sua vontade, fiz umas experiências com os meus velhos aerógrafos (que tinha encostados numa gaveta desde que encontrei os Macintosh - em 1985...) e a aceitação superou todas as minhas expectativas - a tal ponto que coloquei a minha empresa gráfica em suspenso e só faço serviços gráficos em situações especiais - como a edição do Panorama, por exemplo.

(A propósito, o número um, seguinte ao zero, saiu a semana passada, o que também contribuiu para o meu afastamento da blogosfera. Nem tempo tive ainda para o colocar on-line... Adiante.)

Tenho uma exposição individual marcada para 5 de Março e ainda algum trabalho para fazer, mais catálogo e convites e... (claro que sou eu que trato disso, uma das excepções em que volto a ser designer gráfico - permaneço o meu cliente mais exigente).
Normalmente, estaria folgado a esta altura, mas no fim do ano passado vendi alguns trabalhos que pensei não me fazerem falta e, entretanto...

Entretanto já fui a Tomar umas quatro vezes desde o fim-de-ano e... mas isso é para a entrada abaixo, publicada em ordem inversa para benefício da leitura!
(...)

(ver Something Borrowed, Something Blue..., abaixo)

Something Borrowed, Something Blue...


(Se começou a ler aqui, "está mal!"
- ver Something Old, Something New..., acima)


(...)
Pois é.
Já andávamos a pensar nisso desde o ano passado e, de repente, a 2 de Janeiro deste ano, demos por nós à procura de Igrejas e Quintas em terras dos Senhores do Templo.
No início do ano, eu e a Lina decidimos casar.

Os que passaram por isso, já sabem como é o "tornado". Neste momento, estou no seu interior e tudo é mais calmo - à excepção da preparação da exposição de pintura - mas a entrada foi tremenda! Datas, locais, confirmações, padres, caterings... You name it.
Agora, até Abril, será mais calmo. Depois é a saída do centro do tornado para a tempestade, de novo - papéis, casa, pormenores, convites... e o CPM (don't ask...). :)

Assim aproveito para comunicar "blogosfericamente" o meu enlace com a Lina, que jamais poderia perder e me dá a força que por vezes não tenho, a 31 de Julho deste ano, na igreja de Santa Maria do Olival, onde estão sepultados nada menos que 21 mestres templários (!), em Tomar (na falta da Charola, em restauro vai para catorze anos...).

E uma vez que vos revelei o meu mister, aproveito para vos convidar para a inauguração da exposição, que ocorrerá no Auditório Municipal de Gondomar, a 5 de Março, pelas 21 horas, que se intitula "Ars est celare artem".
A Blogosfera estará representada. :)
Quanto ao pintor, bem, não uso o meu nome real, mas um heterónimo.
Trata-se de Aguiar (João Pedro) e, um dia, também teve um blog.
Alguns convites seguirão por correio, para alguns de vós, outros por e-mail, mas fica a sugestão, desde já, a todos os que passam por esta Sombra.

Está explicada a minha ausência.
Envio aos que me escreveram, estranhando a situação, um abraço bem forte; obrigado, do fundo do coração. Vocês estão sempre comigo, pois continuei a ler-vos aos pouquinhos, mesmo não tendo tempo (e inspiração) para escrever.


Duas chamadas particulares:
- Para o amigo Baeta,
Aqui estarei sempre. Quanto às melhoras, depende do teu ponto de vista! :)
"A vida é sombra que foge..."
- Para a querida LU,
Obrigado pelas palavras e nunca, mas nunca peça desculpa por me escrever. Estarei sempre aqui, de uma forma ou de outra. Prometo tentar publicar nem que seja um Haiku de vez em quando, enquanto o tempo aperta! ;)


Sempre,

Rui Semblano e João Pedro Aguiar
Vila Nova de Gaia, 11 de Fevereiro de 2004


nota:
Abaixo está uma entrada que já deveria ter sido editada.
Vamos ver se resisto a voltar "a sério" antes de o poder fazer verdadeiramente! Que saudades d'A Sombra - e só foram dez dias!!
(ver I love you just the way you are...)

I love you just the way you are...


É inacreditável, mas esperado.
Agora que ficou demonstrado que não havia qualquer perigo eminente que justificasse a invasão do Iraque e que a memória ainda fresca dos piores anos de Saddam Hussein impedem que a desculpa dos direitos humanos seja invocada em sua substituição de forma credível (nessa altura, Washington e Londres suportavam o esforço de guerra iraquiano), devemos ser condescendentes com os governantes que nos atiraram para um conflito a que a ONU não deu o aval. Devemos condescender porque não nos mentiram ao afirmar que o Iraque possuía armas de destruição em massa prontas a usar, pouco importa se em 45 minutos ou em 45 dias. Não nos mentiram porque foram enganados.

Os culpados, dizem-nos, são as fontes que lhes forneceram informações falsas por verdadeiras e essas fontes são os serviços secretos norte-americanos e britânicos, pois têm obrigação de verificar as informações que obtêm e não podem, portanto, atirar a culpa para as fontes originais (sejam lá quais forem...).
A isto se chama atirar areia para os nossos olhos.
É que, se bem se lembram - e os próprios responsáveis dos serviços de informações dos EUA e do Reino Unido já o reafirmaram -, os serviços secretos norte-americanos e ingleses sempre afirmaram que não possuíam dados relevantes sobre a presença de ADM's no Iraque. Sempre que lhes perguntaram, claro. Os relatórios que Colin Powell e Tony Blair apresentaram eram baseados nessas informações, sempre consideradas exageradas por Hans Blix, que pretendia tempo para as confirmar.

Agora sabemos porque não lhe deram tempo.

Mas condescendamos; condescendamos...
Admitamos que os serviços secretos dos Estados Unidos e do Reino Unido nunca aconselharam prudência e contenção aos seus governantes e que nunca foram pressionados para "espevitar" os meros indícios ou pistas, transformando-os em provas (as tais que Durão Barroso afirmou ter visto com aqueles olhinhos que a terra há-de comer...); que fabricaram do nada a tese dos 45 minutos (RU) e a dos camiões-fábrica de armas químicas e biológicas (EUA), por exemplo. Admitamos que foi assim.
O facto de nos terem dito uma mentira convencidos de que esta era verdade diz-nos o quê sobre estes homens, cada um dos quais com poder para desencadear um ataque nuclear, com base nas informações de que dispõem?

Pobres W. Bush e T. Blair... Afinal, como diria José Manuel Fernandes, não são mentirosos, são apenas estúpidos. Já podemos estar mais descansados. É que começar uma guerra com uma mentira é criminoso, mas fazê-lo por estupidez é perfeitamente aceitável.

Que os países como Portugal, sem meios suficientes para verificar as informações desta natureza que lhes são apresentadas, tenham confiado em dois aliados tradicionais e amigos de longa data, ainda se compreende - embora hoje fosse de esperar alguma indignação, mas não; nadinha -, mas já não se compreende que os responsáveis pelas informações tenham sido enganados a tal ponto pelas suas fontes que transmitiram uma ideia totalmente errada aos seus Governos. Isso é o equivalente a passar um atestado de estupidez à CIA e ao MI5, mas afirmar que essa é a desculpa para justificar a guerra mais injustificável desde a invasão da Polónia, em 1939, é um atentado à inteligência de qualquer um.

Mas se pensarmos, concretamente, na reacção da sociedade portuguesa - e dos seus políticos - a este escândalo, talvez não seja um atentado significativo. Se calhar, para a maioria dos portugueses, a idiotice "Enganos não são mentiras" até é capaz de colar. A mim, desde o princípio, nunca me enrolaram, mas, também, quando fiz o 9º ano tive de passar nos exames para aceder ao 10º. Sou uma espécie em vias de extinção. Acho que não conto para a estatística.
Talvez para a National Geographic, quem sabe...


Rui Semblano
Porto, 1 de Fevereiro de 2004

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Miklos Fehér (1979-2004)


Alguns vêm lembrar os desconhecidos que morrem todos os dias de forma semelhante à de Miklos Fehér e que não tiveram o destaque que este mereceu. Quererão com isso dizer que se sobrevalorizou a sua morte ou as suas circunstâncias por se tratar de uma figura pública, de um jogador profissional de futebol de um grande clube.

Eu não senti nada disso, apesar de o meu pai ter morrido no seu trabalho, de forma semelhante à de Fehér, vítima de um problema cardíaco totalmente inesperado. A morte do meu pai, como a de tantos outros cidadãos ditos comuns, não foi primeira página de jornais ou notícia de abertura, meio e fim de noticiários televisivos; não foi nem tinha nada que o ser.

A infeliz forma como Miklos Fehér morreu (e sim, existem formas felizes de morrer) teve a triste circunstância de ser gravada em imagens, transmitida em directo para milhões de pessoas e recolocada em emissão nos noticiários... Assistir à morte "ao vivo" causa uma emoção mais forte do que saber, simplesmente, a sua ocorrência. Ao ver aquelas imagens, emocionei-me até às lágrimas. Miklos Fehér era um jovem alegre e simpático que gostava de jogar futebol e que sonhava com grandes feitos - como devem sonhar todos os jovens. Ver uma vida assim ceifada, em directo na televisão, emocionou todos os que viram as imagens e transformou essa morte em algo mais que a de um mero futebolista. De repente, podíamos ser nós. Ninguém disse que a vida era justa, mas custa muito quando somos forçados a lembrar-nos disso.
O estatuto de Miklos Fehér somado com a forma como a sua morte foi transmitida, geraram um fenómeno natural de interesse superior ao normal por parte dos Media; e se alguns, como a própria Sport TV, se mostraram dignos, outros houve que se aproveitaram da situação de uma forma a que, infelizmente, já nos habituaram, explorando-a e transformando-a de acontecimento trágico em circo.

Desde os "jornalistas" que entrevistaram qualquer um que lhes aparecesse à frente para saber "o que sentia", passando pelos intermináveis directos e pela inserção das imagens da morte em spots inenarráveis que passavam a toda a hora, até à autêntica novela que foi seguir o caixão até à Hungria... Assim se transforma uma última homenagem mais do que merecida numa pantomina - a que os familiares de Miklos Fehér foram poupados por não falarem português e porque os nossos "repórteres" não falam húngaro - graças a Deus!

Pelo caminho, as insinuações de dopping de alguns "jornalistas" (que "acharam que deviam dizer aquilo", apesar de confessarem ser "totalmente infundado e irrelevante" - !!!), o "desfribilizador" de Valentim Loureiro, o Secretário de Estado que trocou a Hungria pela Turquia e tantos outros casos tristes que acontecem quando se fazem horas e horas de directo televisivo em que é preciso dizer sempre "mais qualquer coisita" e que transformaram este evento em motivo de chacota pelos cafés de Portugal...

Miklos Fehér merecia mais.
Mais respeito e mais dignidade.

Adeus, Miki.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Driving


Sobre a prevenção rodoviária é preciso ter a coragem de assumir de uma vez por todas que ela não existe. Ponto.

As alterações recentes ao código da estrada visam, principalmente, aumentar de forma exponencial o tipo, o número e o valor das multas. Muito pouco mais. O que é que isto significa? Que vamos ter menos acidentes? Que vamos ter condutores mais conscientes? Que vai deixar de morrer tanta gente na estrada? Nada disso. Significa apenas que todos teremos de pagar mais para andar na estrada.

Vou ser o mais sincero possível: não concordo com limites de velocidade fora das localidades. Para mim, é exactamente o mesmo que limitar os quilómetros que cada um pode fazer por ano. Já pensaram nos acidentes que se evitavam se cada condutor fosse obrigado a respeitar um limite de 10.000 quilómetros por ano? Cada qual é responsável por si e pelo estado de conservação da sua viatura. Por exemplo, em lugar de multar o excesso de velocidade da forma que tal tem sido feito, que tal uma inibição de conduzir por um ano quando se conduzisse sem a última revisão feita à mais de 5.000 quilómetros? Ou de três anos quando o veículo excedesse em mais de dois meses o limite da última inspecção? Porque multar o excesso de velocidade não evita acidentes; mais ainda, do modo como a multa é obtida, é um factor de potenciação de acidentes.

O que fazem a GNR/BT e a DT/PSP? Escolhem um sítio onde existe limitação de velocidade, montam uma emboscada, deixam que o excesso tenha sido cometido e, mais à frente, lá estão a causar um engarrafamento com os infelizes que foram apanhados na armadilha... Isto não tem nada de prevenção, caros amigos.

Em primeiro lugar, se existe uma limitação de velocidade, ela deveria ser aplicada a cada local segundo a sua especificidade, isto é, existem sítios onde a velocidade não é limitada só porque "está escrito", mas porque circular a mais de x km/h nesses locais pode ser realmente perigoso - ou existem obras, ou escolas, ou atravessamento de máquinas ou veículos agrícolas, ou a própria estrada é particularmente traiçoeira nesses troços. Tal só é aplicado em poucos casos. De resto, mesmo vias com quatro faixas ou mais e separadores podem estar limitadas a 50 km/h se "encostadas" a localidades. Isto é pura e simplesmente estúpido - mas uma benção para os agentes da autoridade!

Um exemplo na primeira pessoa:
A aproximação a Tomar, vindo do IC3, é feita por uma via de quatro faixas com separador central e boa visibilidade, possuindo mesmo zonas de segurança laterais para autocarros ou emergências. É uma zona industrial e deserta, mas existem passadeiras em determinados pontos; porém, tais passadeiras são bem visíveis à distância e encontram-se quase todas (arriscaria todas, mas não tenho a certeza) junto das rotundas existentes ao longo da via, que funcionam como um limitador de velocidade natural e onde não existe prioridade para quem nelas entra.
Faço esta estrada frequentemente, pois vou várias vezes a Tomar, sempre que estou em Alvaiázere, local que visito quase mensalmente, e nunca reparei a que velocidade circulava nesse sítio. Existe espaço e campo de visão, ultrapasso pela minha faixa esquerda, dado que tenho duas à disposição, e sou forçado a abrandar a cada rotunda, o que acontece a intervalos curtos da estrada. Pois essa zona (nunca tinha reparado, confesso, apesar da sinalização que é pouca mas existe) é considerada localidade e, como tal, limitada a 50 km/h. Nunca encontrei um peão numa passadeira, nunca lá vi um acidente, nunca vi um aviso de radar ou de zona de acidentes. É uma zona de condução muito fácil e tranquila, depois das curvas manhosas da EN110, antes do IC3, para quem vem de Condeixa.
Conduzia nessa via, com a Lina a meu lado, quando vi um flash, vindo de uma das áreas de segurança laterais. Nem me passou pela cabeça que fosse um radar, mas ela achou que sim. Estava a ultrapassar um automóvel que seguia na faixa da esquerda, pelo que tinha acelerado um pouco para o fazer. Logo após era a rotunda. E o pandemónio!

Era, de facto, um radar. Estava camuflado na berma da estrada, ocupando uma das áreas de emergência, num veículo preto de grande cilindrada (ou tamanho, pelo menos). Nem um aviso antes. Mas o melhor foi quando chegámos à rotunda. Adivinharam. A PSP de Tomar tinha montado um verdadeiro circo na própria rotunda, que não é muito larga, de modo que os automóveis infractores amontoavam-se por metade dela, encostados à berma em dupla fila! Havia mais carros parados que agentes para os multar (só enquanto estive parado, o rádio do agente que me multava anunciou mais três que não foram mandados parar por "falta de condições"! - depois mandavam a multa pelo correio...) e o polícia que me mandou encostar teve de saltar para o meio da rotunda para me fazer sinal, quase sendo atropelado pelo carro que seguia à minha frente! Uma festa autêntica!

Pois fiquei a saber que circulava a 90 km/h, ao ultrapassar o tal carro na tal via com quatro faixas e separador... Um autêntico perigo... Ao agente, só disse isto: "Ainda bem que conheço bem a zona e sei que é perfeitamente segura, pois caso não o fosse, bem me podia ter despistado e morrido ou matado alguém só para ficar bonito na vossa fotografia." Ele encolheu os ombros e disse, olhando para o verdadeiro batalhão de colegas: "Não posso fazer nada... Se a foto ficar bem, vai receber a multa..." Pois. O que importa é a porcaria da foto. A minha segurança e a dos outros que se dane.

No dia seguinte lá passei de novo, sem olhar para o velocímetro, como sempre. Tudo normal, nenhuma velocidade excessiva para o local, para o veículo que conduzo e para mim. Os 80, 90 do costume, digo eu, agora que já sei o que mede o radar quando passo... Numa estrada assim, diga-se a verdade, é impossível conduzir pela segunda faixa (a da direita) em segurança a menos de 70 ou 80 km/h. Se era para ir sempre a 50, que não fizessem quatro faixas, nem separador, nem áreas de paragem nas bermas. Mas que é um rico sítio para passar multas é; e este nem ao menos é perigoso, excluindo o circo montado na rotunda quando há operações daquele tipo.

A última multa que tive por excesso de velocidade foi em 1991, antes de Moledo. Conduzia a boa velha GS500 e fui mandado encostar da mesma forma. Eu, um BMW M3 e um Ferrari GTO (lindo de morrer!). Apesar de tirada numa "emboscada", não protestei. Foi bem passada. Que me tirem a foto a mais de 180 numa nacional, por muito seguro que eu e o meu veículo sejam (hoje já não faço estas coisas...), aceito perfeitamente. Agora o que não aceito é outra coisa: para além de ser multado da forma ridícula como fui em Tomar, não aceito que seja obrigado a conhecer todos os milímetros das estradas portuguesas e os seus pontos perigosos ou onde acontecem acidentes por excesso de velocidade. Tenho o direito de ser avisado antes e as autoridades não têm o direito de, nesses locais, jogarem com a vida das pessoas só para conseguirem "boas fotografias".

A solução?
Mesmo em sítios como o que descrevi em Tomar, onde o limite é uma parvoíce, é realizar operações frequentes com avisos prévios e de rotina sem existência de operação, mas com a presença dos avisos. Ninguém arriscaria ser "flashado" depois de ter visto que - por vezes - a PSP está mesmo lá. Bastaria isso para todos, mesmo estupidamente, reduzirem a velocidade. Isto seria particularmente eficaz em locais verdadeiramente perigosos. Mas não.
Claro que prevenir custa dinheiro, quase não dá uma única multita e exige muito trabalho da parte das autoridades. Deste ponto de vista, concordo plenamente que uma operação "emboscada" por mês enche o cofre, fica barata e não dá trabalho nenhum. Prevenção para quê? Mais vale investir em boas lentes e câmaras! A segurança na estrada que se dane.

Qualquer dia, ainda vou estar parado a falar com um agente da PSP naquela rotunda cheia de carros parados e me vai entrar um Subaru pelo carro dentro, a travar como um doido, para aí a 80 ou mais. Estou mesmo a ver a cara do agente, aos berros para o rádio!
"Diz-me que este cabrão ficou na fotografia!!"

E espero sobreviver, claro, para vos contar como foi. :)


nota:
Sobre uma entrada da Beatriz, no Divã de Portugal, sobre fumar e conduzir, apenas sugiro menos fundamentalismo. Qualquer dia somos todos obrigados a conduzir com reflectores na roupa, para o caso de termos de parar na estrada, à noite...
Pessoalmente, decidi adoptar a mesma postura de automóvel que tinha de moto: quando quero fumar, encosto e dou um giro ao ar livre. Nunca ninguém fumou neste automóvel, nem fumará em qualquer outro que venha a ter. Resultado: ainda hoje, quatro anos depois da sua compra, me dizem que "cheira a novo". ;)

quarta-feira, janeiro 21, 2004

The Boot


O Fabien tem razão.
Eu é que tenho de descalçar "a bota"...

MAS UMA AJUDINHA VINHA A CALHAR! (grrr...)

Clap Clap Clap


Nem me vou dar ao trabalho de comparar o State of the Union Address de 2004 com o de 2003, mas esta selecção serve às mil maravilhas para ilustrar o que vai pelos lados do Congresso dos EUA e o calibre do discurso deste ano...

--- quote ---

(...)
Key provisions of the Patriot Act are set to expire next year. (Applause.) The terrorist threat will not expire on that schedule. (Applause.) Our law enforcement needs this vital legislation to protect our citizens. You need to renew the Patriot Act. (Applause.)
(...)

--- end quote ---


extraído de WhiteHouse.gov

Ou seja...
W. Bush diz que partes fundamentais do Patriot Act vão expirar em 2004 e o Congresso aplaude... Logo a seguir afirma que a ameaça terrorista (A ameaça) não expira em 2004 e é aplaudido de novo... E mais aplaudido é ao afirmar em jeito de conclusão que é necessária uma renovação do Patriot Act...

Mas afinal o que aplaudiam os congressistas? Se a explicação para estes aplausos for a dos sectores de onde vieram (o primeiro dos democratas, o terceiro dos republicanos e o segundo de ambos, por exemplo) ainda vá lá, mas a julgar pelas imagens televisivas parece que toda a gente bateu palmas a tudo, não importa o quê... E ainda nos queixamos do nosso parlamento...

Resumindo, o autor da animação que ganhou o prémio do spot de 30 segundos dedicado a G. W. Bush acertou em cheio na previsão deste discurso. Terrorist-Terrorist-Terrorist-9/11-9/11-9/11-GodblessAmerica. Tadaa!!...

nota:
E gostei de saber que nada mudou com os resultados da invasão do Iraque. Afinal, os EUA não precisam de pedir autorização a ninguém para se defenderem. Na perspectiva de se defenderem outra vez na Indochina, se preciso for - mas na Coreia não! Não generalizemos, please!

Extraído da mesma fonte insuspeita:

--- quote ---

(...)
From the beginning, America has sought international support for our operations in Afghanistan and Iraq, and we have gained much support. There is a difference, however, between leading a coalition of many nations, and submitting to the objections of a few. America will never seek a permission slip to defend the security of our country. (Applause.)
(...)

--- end quote ---


Deixei o aplauso nesta, também. Achei giro. :)
Onward, Christian soldiers, marching as to war,
with the cross of Jesus going on before... Tralala...

Contemplativamente


Sobre a nota no post abaixo de (e para) RS:

Serenamente, contemplo o modo como vais descalçar esta "bota", caro Rui. Aliás, a minha vontade era dar algumas pistas sobre o Enigma "templário" que referiste, pelo que o meu estado contemplativo termina por ser a "mão" que pediste! :)

Besides, not all the king's horses and all the king's men...

(editado e publicado desde o Retiro) :)

The Rush


Pois é... Como diz uma amiga minha, quando a vida real aperta é a virtual que paga! O certo é que este meu lado da vida, a blogosfera, nada tem de virtual e não me agrada não ter podido publicar o que vou escrevendo nos meus cadernos... Mas o tempo não dá para tudo e este ano vai ser complicado!

Apesar disso, as próximas entradas falarão das primárias do partido democrata nos EUA, de prevenção rodoviária e, claro, do discurso do Estado da Nação de 2004, pelo "presidente" W. Bush.

Ainda me falta actualizar o CpI (que desgraça!) e as ligações nos Links Completos d'A Sombra, pois há novidades! - Isto tem a ver, também, com aquele "enigma" a que me referi antes. Vai ser um ano de mudança! E que mudança!

Obrigado a todos pela paciência!

Um abraço,

RS


nota:
Logo agora o Fabien decidiu entrar noutra das suas fases contemplativas...
Hey! Give us a hand here! :)

sábado, janeiro 17, 2004

Dark Side of the Moon


George W. Bush tem mais uma prioridade?

O objectivo de colocar de novo norte-americanos na Lua não deve ser confundido com o dispersar de recursos necessários à "Guerra contra o Terror". De facto, fontes próximas do Pentágono afirmam que Washington tem provas irrefutáveis do envolvimento da Al-Qaeda no financiamento da agência espacial chinesa. Fala-se mesmo de fotografias de Osama Ben Laden em testes na base de Dongfeng, a cidade aeroespacial também conhecida por Shuang Cheng Tzu ou Base 20, que teriam sido autenticadas pela análise de uma amostra de urina conseguida no mercado negro de Beijing por agentes secretos norte-americanos, alegadamente contrabandeada de Dongfeng por elementos do clube escatológico local, que provou ser idêntica a várias outras encontradas em diversas cavernas do Afeganistão onde as forças especiais dos EUA chegaram demasiado tarde para capturar o terrorista, mas a tempo de recolher a sua urina para testes.

Não se trata de uma nova prioridade, portanto. É apenas um plano de contingência, para o caso de Osama Ben Laden ser o próximo Taikonauta...

Monstros


Lido no Público de 16Jan2003:

--- quote ---

(...)
Em suma: nenhuma solução baseada na força bruta, no "apartheid" ou nas retaliações indiscriminadas garantirá algum dia a paz a Israel. Ora o drama de Israel é que Ariel Sharon nunca aprenderá tal lição elementar.

--- end quote ---


(extraído do editorial de José Manuel Fernandes, intitulado "A Mãe-Bomba" - ver versão on line aqui)

Não é que o texto esteja mau, nem sequer que não exprima o tipo de ideias a que José Manuel Fernandes nos habituou, usualmente baseadas na bitola norte-americana - ou talvez seja o seu modo de imitar as "condenações" de Washington à política israelita para a Palestina; o certo é que não tem nada a ver com quem o escreveu.

Reem Raiyashi, a jovem palestiniana suicida, de 22 anos e mãe de dois filhos, optou pelo mesmo método bestial de retaliação contra Israel que tem vindo a ser usado um pouco por todo o mundo islâmico. Mas o seu alvo, ao menos desta vez, era legítimo. As vítimas mortais eram militares ou para-militares israelitas.
Como já aqui referi, uma coisa é fazer explodir um autocarro civil em Telavive, outra é fazer explodir uma coluna militar, um veículo militar ou... um posto de controlo.

Os postos de controlo são particularmente odiosos.
Através deles, Israel sufoca o futuro Estado palestiniano. São, quanto a mim, não só um objectivo militar legítimo como um dos que importaria eliminar de todo.
Não é raro que militares israelitas detenham ambulâncias palestinianas por mais tempo que o necessário nesses postos. Se o doente transportado estiver mesmo mal, pode morrer ali mesmo, perante a fleuma dos israelitas. Já aconteceu.

Apesar da natureza deste alvo e das vítimas mortais do atentado de Reem Raiyashi não serem civis, a sua razão de ser é a mesma dos que optam por alvos mais "suaves". E o catalisador desses ataques é exactamente o mesmo. Daí que ache estranho, no mínimo, que José Manuel Fernandes venha agora "explicar" a origem deste ódio, socorrendo-se desta jovem mãe infeliz.

Caro José Manuel Fernandes,

O ódio dela foi alimentado pelo mesmo monstro que alimenta os animais que se fazem explodir no meio de mulheres e crianças judias. E nem mesmo existe a certeza de ter sido escolhido o objectivo como militar. O mais certo, aliás, era que Reem Raiyashi se fosse fazer explodir num qualquer autocarro israelita, tendo accionado os explosivos no posto de controlo por ter sido exposta pelos militares.

E se quer que lhe diga, na Palestina, como em Israel, como em todo o lado, não existem bons monstros ou maus monstros. Apenas monstros. O que foram antes de se tornarem bestas é irrelevante.

Um cão pode ter sido o mais dócil e carinhoso animal do mundo, mas uma vez enlouquecido, é abatido da mesma forma que outro que sempre foi raivoso. As diferenças entre ambos estão no passado, não no presente. No presente, essas diferenças são simplesmente inexistentes.

Rui Semblano
Porto, 16 de Janeiro de 2004

sexta-feira, janeiro 16, 2004

The Movement


Lido na Tribuna Socialista:

--- quote ---

(...)
Será que não existem razões de sobra para dizermos NÃO! para lançarmos uma GREVE GERAL que mande este governo às urtigas?

Porque espera TODO o movimento sindical?

--- end quote ---


Apesar de concordar plenamente com a ideia expressa pelos exemplos de governação dados antes da formulação destas duas questões, não resisto a perguntar ao João Freire:

Mas, TODO qual?...

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Made in USA


Um dos indicadores sobre a situação interna dos EUA que mais prezo são as palavras que me chegam das terras do tio Sam na primeira pessoa. Eis dois bons exemplos (e fresquinhos):

De um português residente no Texas:

(...)
Eu entretanto ja não sou engenheiro e estou a viver no Texas (a terra
daquele chimpanzé que vive agora na Casa Branca!) e resolvi comecar um blog
com poemas sobre o mar e sobre navios, etc.
(...)


De uma norte-americana residente na Georgia:

(...)
At the risk of being put on some Ashcroft watch list, I am forwarding this link.
http://www.bushin30seconds.org/index.html
(...)


nota:
Ambos os remetentes enviaram as mensagens como privadas, de onde omitir as suas identidades, não se tratando de correio para A Sombra.

nota2:
Quanto ao comentário da minha amiga, sobre a lista Ashcroft, há muito que ela, eu e muitos outros devem estar a ser lidos pelos rapazes do Carnivore!
Seguindo o exemplo de um dos spots de 30 segundos sobre "Dubya" (na ligação que mantive na sua mensagem), aqui vai uma achega:
Terrorist, nine-eleven, airport, uranium, target and, of course, George sucks!
(hello boys!)


:)

God bless America!

O Passado Imperfeito - Parte 2


O ano que passou não foi muito bom para a Europa, mas o que esperar de 2004? Os que se opuseram à invasão do Iraque chegam a regozijar com a posição do eixo franco-alemão, como eu o cheguei, expressando-o publicamente nas páginas do Público em carta ao director, "Valha-nos a Velha Europa", datada de 30Jan2003 e publicada a 01Fev2003, se não me falha a memória... (ver Anexo abaixo). Não era tanto pelos Governos de França e Alemanha que me regozijava, antes por estes reflectirem acertadamente a opinião das suas opiniões públicas, pois quanto aos motivos de Chirac e Schröder a conversa é outra. Os interesses de ambos no Iraque, desde contratos petrolíferos à indexação do petróleo iraquiano ao euro, foram determinantes para a oposição do eixo franco-alemão à política norte-americana para o Golfo Pérsico. Não fosse isso e existisse um "entendimento" quanto à partilha dos despojos de guerra e hoje teríamos a Legião Estrangeira em peso em Tikrit e uma Divisão Panzer em Falluja.

A agenda escondida de franceses e alemães é cada vez mais aberta e tem como principal objectivo a obtenção de mais poder e influência no plano interno (UE) e no externo (ONU, OMC...). A visão da Europa perfilhada um dia pelo Europeu comum, enquanto espaço agregador de diferentes realidades e culturas com a mesma identidade geográfica sob uma só bandeira, começa a esbater-se neste jogo perigoso. E tão perigoso é que arrisca o desmembramento da UE, tal como a conhecemos, sendo o cenário mais certo o limitar da Europa dos 25 a uma mera Hansa, enquanto se cria um núcleo duro com real significado político, económico e, porventura, militar - embora esteja na estrutura militar futura da UE uma das possíveis plataformas de entendimento e salvação, já que uma UE militarmente forte depende de todos os seus membros em termos de efectivos.

Rumsfeld não estava completamente enganado ao falar de duas "europas", mas eu não lhes chamaria "velha" e "nova", além de que, aparentemente, existem bem mais que duas. Desde o grupo original que fundou a UE ao Reino Unido orgulhosamente só (mas "remando" para Oeste); dos países mediterrânicos (entre os quais Portugal não se encontra, por mais líricos que queiramos ser) aos países de Leste; e não nos esqueçamos dos "não alinhados" como a Suíça e a Suécia ou os euro-wanna-bees como a Turquia.

A Europa como entidade una a nível político, que exceda a mera organização económica, é cada vez mais uma miragem. A integração das economias da zona euro é uma anedota de que o PEC foi o paradigma; o respeito por cada um dos Estados membros é exaltado no papel para ser espezinhado na prática; assinam-se cartas atrás das costas uns dos outros, hoje a favor, amanhã contra... As presidências rotativas vão esgotando a sua razão de ser e produzindo diplomas de circunstância e regulamentos internos que a poucos mais dizem respeito para além dos eurocratas de serviço, enquanto passam as batatas quentes de umas para as outras, como no caso da Constituição Europeia, que acabou por se tornar num calhamaço que ninguém lerá por completo (a começar pelos cidadãos comuns...).
Seria razoável que uma estrutura como a Europa se construísse de cima para baixo, isto é, harmonizasse e simplificasse, passando o conceito às estruturas dos países membros. Nada disso. As tentativas de criação de um espaço coerente em termos políticos resultaram num projecto de Constituição que não se compreende e em que ser holandês, belga ou espanhol é ainda mais importante que ser europeu.

A minha identidade, enquanto portuense, nada me impede de sentir a nacionalidade portuguesa. No entanto, a minha cultura é muito diversa da de um lisboeta ou de um algarvio, mas considero qualquer um deles tão português como eu e com os mesmos direitos e deveres que eu - e reciprocamente.
Do mesmo modo, apesar das ainda maiores diferenças culturais, a que se juntam as linguísticas, considero-me tão europeu como um polaco ou um grego e, da mesma forma que ser português não me retira em nada a identidade portuense, ser europeu nada me tira da identidade portuguesa. O resto é política e democracia. Bem usadas, transformarão a Europa num espaço federal em que teremos orgulho de viver e ter como compatriotas gentes tão diversas como as eslavas e as mediterrânicas. Se mal usadas, como têm sido, dá nisto. Cada um a rezar ao seu santinho, esquecidos de Deus.

Continuo a pensar que o futuro nos reserva uma Europa Federal, primeiro, e um Mundo Federal, depois, quando os grandes espaços (como África, o Médio Oriente, a Ásia e a América do Sul) se estruturarem de modo similar. Pura futurologia, sem dúvida, e nada que os meus bisnetos venham a ver, mas talvez os seus vejam, se ainda existir um Mundo para unificar quando viverem.
O que acredito é que mesmo o primeiro passo nesse sentido, a Europa Federal, não será para os meus dias. Para os dos meus filhos? Não sei. Talvez nem para eles. Mas existirá. E será uma entidade homogénea, delimitada a Oeste pelo Atlântico e a Leste pela Grande Rússia. A Turquia, apesar da herança da NATO, nunca será Europa. Nunca o foi. Ou o Líbano será Europa. E Israel, já agora. Ainda sobra espaço para o Zimbabwe e para a Coreia (do Sul, claro!), a não ser que os EUA a metam na NAFTA, junto com a Turquia, que já convidaram.

A Europa é, antes de mais nada, um espaço geográfico, ponto final. Se vamos pelas afinidades culturais, laços históricos, traços sociológicos, qualquer dia teremos todos os países que já foram colónias europeias a pedir a adesão. Aliás, qualquer país da Commonwealth tem mais afinidades com a Europa do que a Turquia... Exceptuando o "Eurofestival" da Canção!

Quem tem mais responsabilidades no falhanço do projecto europeu? Quanto a mim, dois países partilham a maior parte delas - e em doses quase iguais: a Alemanha e o Reino Unido. E não vale a pena desancar nos franceses, pois estes agarraram-se à Alemanha para não perder a boleia e o eixo franco-alemão é mais uma operação parisiense de controlo de danos que outra coisa qualquer.

A Alemanha procura claramente o que o Japão procurou (e ainda procura) após a Segunda Guerra Mundial: conquistar pela economia o que falhou pelas armas. O mal-estar provocado em Berlim pelas posições de Varsóvia quanto à guerra no Iraque e à Constituição europeia tem em si as sementes do Pangermanismo. A integração da Polónia na UE é uma vitória que os polacos não querem dar à Alemanha; uma vitória que, porém, os alemães já obtiveram, conscientes do que é o euro, na realidade, somado com uma herança cultural que nunca deixou de ser prussiana. A procura de mais poder económico - e, por sua via, político - é uma constante da política alemã desde a queda do muro de Berlim. Lentamente, a Grande Alemanha reconstitui-se sob os nossos olhos. Para o caso de não terem reparado, existem já muitos mais europeus que falam alemão e trazem euros nos bolsos que quaisquer outros - e em breve serão muitos mais!

Quanto ao Reino Unido, a sua vocação sempre foi claramente Atlântica (De Gaulle é que tinha razão...) e não nos devemos esquecer que o seu império cobriu, um dia, um quarto da superfície deste planeta e que a Commonwealth não é miragem nenhuma. A ligação de Londres a Washington excede em muito a partilha dos mesmos "ideais democráticos e liberdade para todos" e a distância que vai de Portsmouth a New York é muito menor que a que separa Southampton de Callais... Embora não pareça.

Temos assim o país europeu sem o qual não é viável uma estrutura militar coesa e digna de nota mais interessado em alianças externas à Europa e o país europeu sem o qual não é possível um espaço económico forte mais interessado na glória nacional de antanho... De facto, nenhum deles está muito interessado na Europa - no que a Europa poderia ser. Restam as "humanidades" e os pequenos-burgueses. Os outros vêem passar navios. Como nós.

Ser europeu é ainda uma ideia demasiado abstracta. A última fronteira, o que nos poderia identificar como europeus, esbate-se com a proposta de adesão da Turquia, de que já se disse ser óptima para os turcos! Pudera! Até para o Burkina Faso! É o vale tudo, uma vez mais, e já quase ninguém vê aqui Europa alguma.
Existe a Europa de alta velocidade (à qual nem de TGV lá chegaremos), a de média velocidade e a de baixa velocidade, mas existe pior! Existe a Europa virtual, que vai de Portugal à Mongólia!... Começa a ser ridículo.
Os instrumentos criados para harmonizar as relações políticas e económicas entre os membros da UE resultam todos ao contrário. Chega a parecer que quantos mais existem, menos nos entendemos uns com os outros. É a morte lenta da consciência europeia; já não pensamos como europeus. Justamente quando pensamos sê-lo surge um Chirac a quebrar o PEC ou um Portas a clamar pelo Império e pela cristandade...

Não sei o que se seguirá à UE que hoje conhecemos, mas sei que a única coisa que a segura, neste momento, são as moedas que trago no bolso e nada mais.
E é muito pouco.


Rui Semblano
Porto, Dezembro de 2003


ver O Passado Imperfeito - Parte 1


Anexo:

From: Rui Semblano
To: Público
Sent: Thursday, January 30, 2003 1:24 PM
Subject: Carta ao Director


Valha-nos a "Velha Europa"

Depois do discurso do Estado da União parece cada vez mais evidente que os EUA farão a guerra com o Iraque por motivos que nada têm a ver com a intenção de desarmar Saddam Hussein ou sequer com o objectivo de "libertar" o povo iraquiano. A não ser assim, em lugar de agendar para 5 de Fevereiro a apresentação nas Nações Unidas das alegadas "provas" contra o Iraque, teriam não só revelado esses dados, publicamente e de imediato, como passado a informação aos inspectores da ONU mais cedo, para que actuassem em conformidade.
Sendo assim, a hipocrisia desta Administração norte-americana torna-se clara. Dizem saber quais as faltas de Saddam Hussein, mas não usam essa informação para permitir à ONU que a use no terreno de forma expressiva, antes a guardando como trunfo para "justificar" a sua guerra.
Só lamento que, quando se tornam evidentes estes factos, Portugal alinhe com esta posição do governo dos EUA. Se o tivésse feito mais cedo, ao menos poderia alegar que, por princípio, não voltaria atrás. Agora, a posição de Portugal torna-se tão hipócrita como a da Administração norte-americana, com a agravante de tomarem partido contra o eixo franco-alemão num momento particularmente significativo, em matéria de União Europeia. Parece que Durão Barroso tem pressa de se juntar à "Nova Europa", segundo Rumsfeld.
Valha-nos a "Velha".

Time flies...

(*)

Não estive muito cinéfilo estes dias - a que um PC particularmente não cooperante não ajudou nadinha (grrr...) - pelo que a actualização do CpI, que mencionei abaixo, ainda não foi efectuada.

Pelo facto, aos que a procuraram, as minhas desculpas.
A ver se em breve fica resolvida a questão - até porque já é quase quinta-feira outra vez (o novo dia de estreias!) e os bilhetes vão-se amontoando!

nota:
A minha inveja vai direitinha para os felizardos que operam em Mac! Sortudos! :)

(*) Time flies..., o tempo moscas (trad. livre)

domingo, janeiro 11, 2004

Updating...


Estão actualizados os blogs de apoio d'A Sombra:
Os Arquivos Manuais e os Blog Links Completos.

Resta a actualização (bem precisa!) do CpI, com:

LOTR - The Return of the King;
Master and Commander;
The Last Samurai.


(a ver se amanhã estamos cinéfilos) :)

sexta-feira, janeiro 09, 2004

A Armadilha Diabólica...


"A honestidade, a responsabilidade e o respeito pela palavra dada, a ética profissional, serão valores em extinção, em conflito com o progresso e as mudanças inerentes?"
António Baeta in Honestidade e Pragmatismo

Changes...

A pergunta do amigo António Baeta é daquelas que, desde a aurora do Século XIX (pelo menos), assalta o espírito humano a cada ano que passa.

(pausa para acender o Montecristo, como prometido... Continuando:)

Veio-me à memória o início de um álbum de Edgar P. Jacobs, da série "Blake & Mortimer"; mais precisamente "A Armadilha Diabólica".
Blake aguarda Mortimer no salão de fumo de um hotel parisiense e, enquanto espera, ouve um diálogo que se desenrola numa mesa adjacente à sua. Era este:

- ... Ah! Que tempos estes! Veja estes jornais!... Ameaças de guerra! Perigo atómico! Revoluções! Convulsões sociais! Catástrofes!... O mundo parece possuído pela loucura... Decididamente, os nossos antepassados eram mais sensatos! A vida calma e disciplinada que levavam punha-os a coberto destas aventuras... Eram bons tempos!...
- Ora, ora! Obscurantismo e tirania é o que eram os "seus" bons tempos!... Pelo meu lado, prefiro virar-me resolutamente para o futuro!... Assistimos à criação de um novo mundo! Amanhã, graças aos extraordinários progressos da ciência, a humanidade, liberta das servidões materiais, poderá finalmente consagrar-se com toda a liberdade aos prazeres do espírito!...
- Teoria sedutora, mas que, receio bem, lhe faz ver o "seu" hipotético futuro a uma luz demasiado idílica!... "O meu passado", pelo menos, já deu as suas provas!...
- ... Ora! É com um desprezo piedoso que o "meu futuro" julgará o "seu passado" ignorante e bárbaro!...


No álbum, Blake comenta, para si mesmo:

- Hum!... Passado!... Futuro!... quem sabe se os "bons tempos" com que sonham não serão simplesmente o tempo presente, gentlemen!...

Este episódio foi editado pela primeira vez um ano antes do meu nascimento, em 1962. Hoje, não estaria assim tão seguro como Blake, embora já concordasse com ele antes...
De facto, estes tempos presentes, de bom têm quase nada. Ainda hoje recebi um e-mail enviado por João Pedro Freire (Tribuna Socialista) que criticava - e muito bem - a iniciativa do PSD e do CDS-PP que visa limitar a liberdade de imprensa, com o pretexto de que os recentes acontecimentos relacionados com as fugas de informação no processo Casa Pia são inadmissíveis e, limitando e regulando a actividade jornalística, assim poderem evitar que tal se venha a repetir.

Este exemplo é apenas um de muitos em que, nas sociedades ditas desenvolvidas e democráticas, as liberdades e direitos individuais são sacrificados para proteger o "bem comum".
"Amanhã podes ser tu!" é o lema desta gente (a élite, os especialistas de que João Pedro Freire me dizia serem os manipuladores exclusivos da democracia - esse bem demasiado precioso para ser deixado nas mãos do povo...).

"Amanhã podes ser tu a morrer num atentado; amanhã podes ser tu a ser enterrado vivo num terramoto; amanhã podes ser tu a ver o teu nome nos jornais como pedófilo ou coisa pior... A não ser que nos deixes proteger-te!..." - dizem-nos.

Os valores de que nos fala António Baeta (honestidade, responsabilidade, respeito pela palavra dada, ética profissional) deveriam ser intemporais, mas a sua conotação com o passado é inevitável quando se pergunta se não estarão a ficar gastos pelos ventos da mudança que trazem o futuro... E aqui reside a gravidade da pergunta. O diálogo que transcrevi acima, datado de 1962, refere-se a modos de vida que, ambos, integrariam os valores postos em causa na pergunta de António Baeta. Agora, no "nosso" presente, verificamos que não temos as vantagens com que sonhava o defensor do "futuro" na obra de E. P. Jacobs, mas verificamos mais. Verificamos que nele estão a desaparecer os valores amorais, aqueles que são independentes de qualquer moralidade.

A razão é simples.
A moralidade que nos é imposta pelos que supostamente elegemos, sejam poder ou oposição, não se compadece de valores amorais. Tudo o que não possa ser catalogado ou referenciado (como A Sombra, por exemplo) é considerado perigoso, subversivo, desestabilizador e nefasto.

Um dos nossos bloggers "fantasmas", como lhes chamei um dia, o Fernando Granjo, chama a isto a "Teoria do Centrão"; isto é, a normalização da sociedade democrática, a uniformização das tendências, a ilusão da alternativa.

Os nossos Senadores esqueceram-nos...
A sua razão de ser são eles próprios.
De tal modo se perverteu o conceito de democracia que as suas manobras, isentas de qualquer honestidade, responsabilidade, palavra e ética, parecem absolutamente normais ao cidadão comum. Recordem-se do povinho que defende Fátima Felgueiras! O erro dela não foi ser desonesta, irresponsável, não ter palavra ou ética. Foi ser apanhada. Relembrem o caso Paulo Pedroso e a reacção do PS antes e depois da sua acusação formal. Já ninguém percebe mais nada. É o caos? Ainda não. Nem sei se chegará tão cedo, mas uma coisa é certa: é o vale tudo em ambiente fechado. Isto é, para "eles" vale tudo, para "nós" nada vale.

Quem são "eles"?
"Eles" são os que criaram uma ilusão que tomamos por realidade para que nos possam controlar e explorar (The Matrix); "eles" são os que nos fizeram crer que a honra é um adereço de opereta (The Last Samurai); "eles" são os que tentam rescrever o passado e nos prometem um futuro radioso para que esqueçamos o presente (1984)...

"Eles" são os arquitectos desta armadilha diabólica a que chamamos democracia... Mas durmam, que sei eu? Durmam descansados. Afinal, amanhã é outro dia... Pragmático.

nota:
Previsão meteorológica para 9 de Janeiro de 2004 em Portugal Continental:
Chuviscos ou chuva. (o trânsito vai estar péssimo...)

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Estava-se mesmo bem!


Enigma actualizado... :)

A estadia em Terras do Falcoeiro (Al-Baiaz, Alvaiázere) durou bem mais que o previsto. Ao regressar, verifico que as visitas se mantiveram, o que é sempre digno de registo e merecedor de agradecimento aos que procuram as palavras nesta Sombra.

Os dias de silêncio ficaram a dever-se a uma inesperada, mas já devida, demanda por descendentes dos Senhores do Templo, suas quintas e igrejas, bem como por um padre Borga (não esse, mas o seu irmão), pároco da igreja de Santa Maria do Olival - um dos mais interessantes monumentos Templários -, na região de Tomar. Um enigma a desvendar aqui, num futuro já bem próximo.

De relance, algumas notas:

1. Ao amigo Baeta, fica prometido um comentário à sua entrada Honestidade e Pragmatismo; e não estava a brincar quando disse que o faria fumando um cubano (State & Main)! O novo ano mal começou e, de facto, continua a primeira em queda e o segundo em alta... À portuguesa, mas não só.

2. Ao João de Rezende, que iniciou uma interessante meta-discussão ainda no "ano passado", também a promessa de meta-discutir um pouco, no seu seguimento.

3. Um apontamento (e agradecimento) ao Henrique Sousa, que tornou Deus visível, e que me apelidou de Serrano (o que, apesar de nado e criado junto ao mar, considero elogioso!). Passaremos a visitar o seu blog, que já conhecíamos "de nome". Mais um ponto de passagem a explorar na Blogosfera Lusa! Como disse há uns tempos, isto complica-se... E ainda bem! ;)

4. Um abraço ao Triplo Bek pela simpatia! Pirates rule!

5. E, finalmente, a publicação da segunda parte de O Passado Imperfeito, bem como de um resumo do trabalho realizado sobre a reconstrução de casas na Palestina.
E não me esqueci de Camelot 2003!

That should get things started this year. :)
Hey, we're back in the game.

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Está-se bem


Et me voici!
As Terras do Falcoeiro permanecem tranquilas. A viagem desde o Porto, entre a uma e as duas e trinta da manhã do primeiro dia do ano, nunca correu tão bem. Faz três anos, estava uma tempestade de respeito - de onde o título da entrada anterior.

Passado o primeiro dia do ano em paz e sossego, cá estou no Web.Café, a dar uma vista de olhos pela escrita da rapaziada (e das meninas, claro). Confesso que não consigo afastar-me demasiado da blogosfera. Um curioso campo magnético parece envolvê-la! Não é preciso investigar muito para determinar a sua origem: é gerado pelos que nela escrevem.

O ano começou mal, como diz o editorial de Nuno Pacheco, no Público de hoje. De facto, não sei porquê, parece que todos os nossos desejos para 2004 vão sair furados. Espero que não, mas pela amostra... Enfim, aguardemos a prisão preventiva de Jorge Sampaio, assim ele deixe de ter imunidade, assim como de Teresa Guilherme, João Baião, Cinha Jardim, Manuela Moura Guedes, Manuel Monteiro, Paulo Portas e outros cromos. Ah, esqueci-me de mencionar o porquê desta afirmação: é que enviei uma carta anónima a Rui Teixeira implicando-os a todos no processo, na esperança que ele os prenda por um ou dois anitos. Junto com o conteúdo desta entrada, espero que a carta seja anexada ao processo! :)

Uma coisa parece ser certa: 2004 será mais um ano "casapiano", pelo menos até ao começo do Euro. E por falar em Euro, já repararam que em inúmeras publicações estrangeiras e algumas nacionais (como o Público) o local de abertura do campeonato é apontado como sendo Lisboa? Passou-me alguma coisa ao lado ou o jogo de inauguração ainda é no Porto? Ainda vamos ter turistas à procura do estádio do Dragão em Sintra...

Antes que me esqueça, deixo uma sugestão para 2004: não se esqueçam de entrar nas auto-estradas com os depósitos cheios e a mala a abarrotar de bidões de gasolina, para o caso dos assaltos que se estão a preparar nas áreas de serviço se virem a verificar. Be prepared!

Enfim... Esta entrada já vai longa e a conversa está cada vez mais curta. Um fenómeno, n'A Sombra: uma entrada verdadeiramente nonsense. Deve ser da televisão estar sempre ligada, em casa dos pais da Lina. Não posso deixar passar este ano sem os convencer a instalar TV por cabo... É que hoje fui apanhado desprevenido e lá estava a Teresa Guilherme outra vez!! Eu a pensar que aquilo já tinha acabado! Espero que o Rui Teixeira tenha lido a minha carta - o nome dela aparece várias vezes! :)

Bom fim-de-semana a todos.

nota:
O Sol brilhou, hoje! Não está tudo perdido!
Até por ter sido dia de Inimigo Público!
(Seria do Scolari, um daqueles esqueletos?)

Edição e publicação: Web.Café, Alvaiázere.