sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Complete Idiot's Guide no. 7


Lista completa
de Complete Idiot's Guides d'A Sombra

algures na coluna da direita
8





"A oportunidade conferida pela estranha polémica dos cartoons sobre o profeta Maomé", que deu assim uma hipótese "de nos solidarizarmos com uma nação mais rica, mais culta, mais protestante, e mais alta que a nossa."

(Rui Zink in Público, 10/02/2006, sobre a manifestação junto à embaixada da Dinamarca, em Lisboa)

Entretanto chegou o Rato, sim, esse Vasco, e exclamou, ofegante:
- É pá! Só trinta gajos? - e acrescentou, perante o franzir de sobrolho de Maria Filomena Molder - E gajas, desculpem.
- Poucos mas bons. - revidou Zink, um pouco pálido de ter de respirar o mesmo ar do Rato.

Regra única: Vale tudo, mas mesmo tudo!

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Beauty and the Beast...


Uma pausa. Um som. Reler. Posted by Picasa



Nusrat Fateh Ali Khan & Peter Gabriel
Taboo - NBK
6

Twilight Zone

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Para quem tinha dúvidas sobre o porquê desta explosão de raiva no mundo islâmico só ter surgido meses após a publicação dos cartoons dinamarqueses - e se a revolta é instigada ou não - fica uma reprodução do jornal egípcio Al Fagr, de Outubro de 2005, com a exacta impressão dos ditos, para muçulmano ver.

Ouviram falar de distúrbios no Cairo, em Outubro do ano passado?
Nem eu.
Welcome to the Twilight Zone.


nota:
Ver a fonte desta informação aqui! e aqui!

nota 2:
Isto não significa que não se tenha de ter em conta como funciona o mundo árabe, muito pelo contrário! Pretender que isto é desculpa para grandes manifestações de apoio à irresponsabilidade e estupidez de alguns e à defesa do "mundo livre" é perigoso. Para já não dizer criminoso.
Atirar gasolina para o fogo é tudo menos inteligente.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Zionot



O repto que fiz n'A Fábrica foi aceite.
A resposta do Armando Ésse, em e-mail,
indica a Lusa como fonte das declarações
transcritas na sua entrada de um comunicado
da Reuters. (Come again?) Mas era esperado.

Se existem, porém, interpretações mais soft
das provocações de Mahmoud Ahmadinejad
eu não as conheço. O que esperar do Irão?


Entrada completa, abaixo. Posted by Picasa


Em última análise, Mahmoud Ahmadinejad mais não fez do que ir buscar as palavras do Ayatollah Seyyed Ruhollah Khomeini (lembram-se dele?), mas isso é o mesmo que ir buscar as palavras de Adolf Hitler em lugar de usar as próprias. Para grande parte da população islâmica de todo o mundo, "riscar Israel do mapa" não é um eufemismo; "riscar os palestinianos do mapa", aliás, também não o é para muitos judeus. Quanto a revisionismos, temos muitos e maus exemplos em todo o mundo, islâmico ou não.
Não são, portanto, ideias novas e não há, de facto, novidade nenhuma nas palavras de Mahmoud Ahmadinejad; o que há é a possibilidade de se tornar presidente de um país com capacidade nuclear - entenda-se "militar". Esse é o real problema.

Em 1973, parece ter ficado demonstrado, Israel esteve a um passo de usar a arma nuclear contra a Síria e o Egipto, durante a guerra do Yom Kippur. Confrontado com uma derrota que pusesse em causa a sua existência, não tenho dúvidas de que Israel usaria armamento nuclear. Não me agrada a demagogia de Fernando Rosas, mas sou obrigado a admitir que tem razão quando pergunta o que nos faz pensar que Israel nuclear é mais confiável que o Irão nuclear (Público, 08 de Fevereiro 2006, "O Irão e o Nuclear"). A resposta está na natureza da confiança. Desde a Guerra Fria que o Ocidente confia no juízo dos EUA em matéria nuclear; uma confiança cega, de acordo com o antigo secretário da Defesa de Kennedy e Johnson, Robert Mcnamara, para quem a resolução da crise dos mísseis de 1962 se ficou a dever a pura sorte. Essa confiança, cega ou não, é o que nos leva a entender um aliado nuclear dos EUA confiável e a desconfiar de um seu inimigo com a mesma capacidade, ainda que potenciais (inimigo e/ou capacidade).

O que eu não vi, nem ninguém, foi aproveitada a oportunidade de início de abertura proporcionada pelo antigo homem forte iraniano, concorrente de Mahmoud Ahmadinejad nas últimas eleições, Ali Akbar H. Rafsanjani, que foi perfeitamente ignorado pelos EUA (e pela Europa). Mahmoud Ahmadinejad já não sofre o mesmo tratamento; não só não é ignorado como é trazido para a ribalta em cada comunicado da Casa Branca relativo ao Médio-Oriente. Mais uma vez, apetece perguntar se não será este radical um sonho tornado realidade para os neocons do "New American Century", que sempre advogaram o estabelecimento de um controlo efectivo sobre o ouro negro, os seus produtores e distribuidores estratégicos, especialmente no Médio-Oriente. (1)

No Irão, até aqui relativamente cooperante com os EUA (não esqueçamos que é o único travão a uma revolta shiita no sul do Iraque e à desordem completa no Afeganistão), a subida de tom nas provocações aos EUA, à Europa, enfim, às Nações Unidas, tem por objectivo demonstrar essa realidade.
De facto, a mera possibilidade de controlar efectivamente a situação no Iraque e no Afeganistão - o controlo real é um embuste; nunca interessou aos EUA - passa pelo Irão. É sobre isto que Mahmoud Ahmadinejad realmente fala ao dizer que o Ocidente precisa muito mais do Islão que o contrário. Na essência, é de controlo energético que fala, naturalmente - o único controlo que os EUA procuram deter no Médio-Oriente, aliás, esse sim efectivo. (2)

A perversidade da situação, porém, é de tal ordem que me vejo forçado a concordar com a opinião de que o Irão de Mahmoud Ahmadinejad armado nuclearmente é um perigo. É no motivo que conduz a esse perigo que discordo; isto é, Mahmoud Ahmadinejad não é um maluquinho que vai bombardear Israel com a primeira bomba nuclear que conseguir produzir, mas é um fanático que pode bem ser manobrado nesse sentido - inclusiva e principalmente pelas reacções dos que temem que tal coisa venha a suceder.

Não se compare o incomparável.
Mahmoud Ahmadinejad não é Adolf Hitler e Vladimir Putin não será Neville Chamberlain. A História não irá repetir-se tão cedo, precisamente por ser demasiado cedo. Ninguém encostou os alemães à parede; a Alemanha prosperava e todos queriam relacionar-se com ela entre 1936 e 1938. Mesmo após a invasão da Checoslováquia não sofreu sanções significativas (para não dizer nenhumas) e todos procuraram um entendimento real e a não agressão.
Hoje, todos procuram agir contra o Irão, um país pobre e subdesenvolvido, cuja riqueza em petróleo mais pára nos bolsos de alguns ocidentais do que contribui para o avanço do país.

Hitler era como um pastor-alemão admirado e afagado por todos, que um dia resolveu morder a mão que lhe estendiam, sem que quem a estendeu tivesse feito algo para isso. Mahmoud Ahmadinejad é como um tigre acossado por todos e encurralado, em que ninguém quer tocar e de que todos têm medo.
A pressão, se não cessar, tornar-se-á insuportável e conduzirá a um ataque desesperado do animal que, então, será abatido. E o pior é que é exactamente isto o que se pretende. Resta saber se vai ser conseguido. E a que custo.

Rui Semblano

nota:
Gostava de conhecer o teor dos contactos mantidos entre Israel e os EUA relativamente ao Irão de Mahmoud Ahmadinejad. Aposto que são de natureza bastante diversa dos que surgem nos jornais. É que Israel, por sua culpa, está impossibilitado de dialogar directamente com o Irão (mesmo secretamente), o que torna uma situação desagradável num dilema trágico.


(1)
Saddam Hussein era aliado dos EUA e mantinha o Golfo em respeito (incluindo o Irão). Quando começou a inebriar-se com o seu poder, os EUA usaram-o para se estabelecerem na Arábia Saudita e no Koweit. Quando decidiu indexar o seu petróleo ao euro, arrastando consigo a OPEP, foi cilindrado.
Em 1991, os EUA não acabaram com Saddam Hussein para evitar o que hoje sucede e porque, ingenuamente, acreditaram que poderiam controlar a besta que haviam fabricado à distância. Ao completar a estrada para Baghdad, dez anos depois, mostram que não assistirão impávidos aos desafios de ninguém à sua supremacia, especialmente da Europa, pouco lhes importando o preço.
A questão do preço é, aliás, enganadora, pois os custos da actual guerra e a sua repercussão na economia dos EUA são diametralmente opostos aos lucros das companhias petrolíferas norte-americanas e ao impacto da guerra nas suas estruturas. Demagogicamente, o presidente G. W. Bush vem alertar para os perigos e malefícios da sobredependência dos EUA em relação ao petróleo (o árabe, em particular), mas se compararmos a preocupação das petrolíferas com a guerra no Iraque à que as mesmas demonstraram quando do Katrina, percebemos que algo está errado, ou melhor, que algo estava há muito preparado e muito bem planeado, na eventualidade de um conflito com o Iraque (e o Irão) acontecer.

(2)
Veja-se como tudo o que as tropas da "coligação" no Afeganistão se limitam a fazer é defender as rotas e pipelines de distribuição de combustíveis, não se empenhando em estabilizar e, consequentemente, deixar o país.



nota post(erior):

Armando Ésse, o proprietário d'A Fábrica que motivou esta entrada, comentou-a via e-mail. Aqui fica o seu comentário, na íntegra. Reprodução autorizada pelo autor.

(quote)
Muito bom post.
A atitude de desafio por parte de Mahmoud Ahmadinejad nos últimos tempos, é uma atitude de quem está consciente que os Estados Unidos não têm capacidade financeira e orçamental para fazer uma intervenção unilateral, juntando a isto, uma opinião pública americana que não dá, neste momento, grande espaço de manobra à Administração Bush. E só esta limitação financeira da parte dos EUA é que faz com que a troika europeia tenha sido envolvida nas negociações com o Irão, para que se num futuro próximo houver uma intervenção ela seja financiada pela comunidade internacional.
É pena que não se possa fazer comentários, no próprio post.

Um abraço.
Armando Sousa
(unquote)

Caro Armando (e leitores d'A Sombra),

Sendo um blog editorial, A Sombra apenas se contacta via e-mail, mas todos os comunicados são bem vindos e recebem tratamento imparcial, reservado que está, naturalmente, o direito de admissão para casos mais complicados (não se trata de seleccionar opiniões, mas modos de expressão, naturalmente).

Rui Semblano

Not for sale. (Yet!)


My blog is worth $11,290.80.

Not tempting enough. Add like nine zeroes and we'll talk. :)

Einschuldigung!


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Um tipo simpático, moreno e de olhos castanhos, entra num jornal e quer publicar a página inteira um manifesto devidamente ilustrado sobre a razão de ser do nazismo nos dias de hoje.
O editor, chamado para resolver o problema, ao ver tanta estupidez, incitamento ao ódio e suástica juntos num panfleto, recusa a publicação.

Então, o tipo, sempre simpático, chama-lhe a atenção para o seguinte:
- Compreendo a sua posição, mas repare, o que está em jogo não é o teor do manifesto, mas o facto de se eu não puder publicar a minha opinião hoje, amanhã será a si que esse direito é negado. É uma questão de direito à liberdade de expressão.
O editor, coçando a cabeça, olhou mais uma vez o panfleto e disse:
- Bom, se põe as coisas nesses termos...
- Claro. Nunca esperei que partilhe dos meus ideais; apenas que esteja disposto a morrer para que eu os divulgue.

E, enquanto o panfleto ia para publicar, o editor foi tomar uma cerveja com o tipo simpático. Não haveria muito a que pudessem brindar juntos, excepto... à liberdade de expressão.


A propósito de uma opinião de FJV, aqui.

Nota:
Algum dia teríamos de discordar.

Backtracking n. 4/06

A propósito de uma entrada de Armando Ésse (A Fábrica) que, citando a agência Reuters, fala de um concurso de caricaturas lançado por um jornal iraniano com o tema "O holocausto e os crimes dos EUA", mencionando as afirmações atribuídas a Mahmoud Ahmadinejad de que o holocausto é um mito e que Israel deveria ser riscado do mapa. A entrada termina assim:

(quote)
Tenho a certeza que ninguém na Europa vai queimar bandeiras iranianas, nem fazer manifestações contra a caricatura vencedora. Ainda bem que nos vão dar mais esta oportunidade para mostrar a nossa superioridade.
(unquote) - Destaque d'A Fábrica.

O repto que lhe deixei foi este:

(quote)
Caríssimo,

Um desafio à sua superioridade:
A identificação da fonte da transcrição que faz das afirmações de Mahmoud Ahmadinejad (o mito do holocausto e riscar Israel do mapa).
Cá o espero.
À Sombra, naturalmente.

Um abraço,
RS
(unquote)

Aguardemos.
E esperemos que a resposta não seja "Reuters"! Please!...

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Complete Idiot's Guide no. 6


Lista completa
de Complete Idiot's Guides d'A Sombra

algures na coluna da direita
8





"Any advocacy of national, racial or religious hatred that constitutes incitement to discrimination, hostility or violence shall be prohibited by law."

(in UN Covenant on Civil and Political Rights, Artigo 20, n. 2)

Os limites à liberdade de expressão sempre existiram, desde que tal conceito existe.
Advogar a liberdade de expressão sem limites é sinónimo de libertinagem.
Ver tantos neoliberais armados em anarquistas convictos daria para rir, se não fosse tão trágico e...
Perigoso.

Regra # 1: Niilistas! Saí dos armários!
Regra # 2: É proibido proibir.

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Help me brain



















Depois de inúmeras declarações de "Não sabemos se Osama Ben Laden está vivo", o próprio Osama decidiu enviar uma mensagem a G. W. Bush, escrita pelo seu punho, para confirmar que ainda estava na jogada. Bush abriu a carta e esta parecia conter uma simples linha de texto codificado:

370HSSV-0773H

Bush ficou estupefacto e enviou a mensagem para Condi Rice.
Condi e os seus ajudantes não perceberam meia e decidiram ir ao FBI.
Ninguém no FBI conseguiu resolver o enigma e foram à CIA e depois à NSA.

Sem fazer a mínima ideia do que aquilo queria dizer, resolveram pedir ajuda aos britânicos do MI-6.
Um minuto após o envio da mensagem para Londres, receberam a resposta dos serviços secretos de Sua Majestade:

"Digam ao presidente que está a pegar na carta ao contrário."

(piada cortesia de Ivan Roberto)

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segunda-feira, fevereiro 06, 2006

The spit




















As horas passadas em voo desde a Alemanha esbateram-se à abertura da porta do 737 que partilhara com cento e sessenta companheiros, parte da força que integrava e que regressava após um ano de comissão no Ultramar.

A hospedeira, loira, os olhos de um azul irreal que faziam escurecer o do seu uniforme, aguardava que saísse, mas ele ficou a olhar a luz projectada nos cabelos dela, levemente ondulados da brisa quente que entrava pela porta aberta que o esperava. Atrás dele, os seus companheiros esperavam um gesto, como tantas vezes haviam feito, em outras circunstâncias.
Estava na frente. Bastar-lhe-ia uma indicação e todos se protegeriam e assumiriam as posições correspondentes; de cobertura, de ataque; de espera... O halo de calor que se concentrava na saída da aeronave começava a infectar o ar condicionado. Que temperatura faria lá fora? O alcatrão da pista devia estar a ferver... Como a areia que deixaram para trás. Aquele momento durava uma eternidade, pois ele não conseguia ver naqueles cabelos loiros acariciados pelo vento suave e quente aqueles outros, morenos, embalados pelo mesmo vento, quem sabe, mas tão diferentes... Talvez estivesse na vitalidade, a diferença.

Alheou-se desse pensamento e, colocando os Ray-Ban, deu o primeiro passo. Não se deteve junto da jovem loira, que lhe desejou as boas-vindas... O sol bateu-lhe no rosto e, no mesmo instante, uma banda começou a tocar uma marcha de John Philip Sousa, "The Invencible Eagle". Iniciou a descida das escadas, seguido dos seus camaradas. Via a banda dos Fuzileiros, os políticos de ocasião, as famílias que acenavam, o povo em fundo. Recordava-se das imagens da chegada dos militares do Extremo-Oriente, nos anos sessenta. Sabia que podia repetir-se. Estava preparado para isso. Era um fuzileiro.

Não havia ninguém à sua espera; a sua família era o Corpo de Fuzileiros. Atravessou a pista na direcção da massa ululante, mantendo a calma. E então percebeu. Não eram insultos. Aquela multidão ovacionava-o. Ao passar por entre ela, verificou que o queriam tocar, que lhe davam palmadas nas costas e lhe esticavam as mãos para o cumprimentar, como se fosse uma estrela pop... Estavam em delírio.

Um tipo gordo, com ar de quem teria sido defesa central na sua juventude, quebrou a barreira que o separava da populaça e dirigiu-se a ele, sorridente, com uma revista numa mão e uma esferográfica na outra. Esfuziante, pediu-lhe para assinar a página em que a revista estava aberta. Tinha impressa uma caricatura de Maomé com um turbante em forma de bomba. Fora por aquele desenho que ele fora para o Ultramar. Fora por ele que perderam a vida tantos dos seus amigos e que matara tantos outros que nunca teriam a hipótese de o ser. Fora por ele que aqueles cabelos negros ondularam sem vida, ao vento do deserto.

Retirou os óculos de sol, olhando nos olhos o homem que não parara ainda de sorrir.
E cuspiu-lhe em cima.

Rui Semblano

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Shit for brains


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Soldados cristãos na vanguarda da
defesa do direito à liberdade de expressão.
God bless them.




Realmente, talvez valha a pena continuar a martelar neste assunto até que alguém se chateie valentemente e decida assumir que o choque de civilizações é uma realidade e aja em conformidade.
Já se começaram guerras por coisas piores e, além disso, estou certo que todos os que defendem a liberdade de expressão não se importariam de ir, ou de mandar os seus filhos, defender esse direito para os confins da Arábia ou da Indonésia.
Afinal de contas, os bonecos merecem.

RS

Stolen.


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Sorry, Paul.
Seahawks 10 . Steelers 21 (NFL)

(It's 3:20 and I'm up by 7... Must be out of my mind!)


nota:
Outro choque tecnológico.

domingo, fevereiro 05, 2006

Chocante...

O choque tecnológico atingiu-me na passada sexta-feira.
Resultado: Uma motherboard novinha... A antiga "assou".

Vai daí, ontem não editei nadinha.
Ainda pensei que o Fabien... Mas não.
Depois do último sarcasmo ficou introspectivo. Encore!...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Ponto final

O excelente artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público de hoje, analisa as várias vertentes do caso dos cartoons dinamarqueses de forma exemplar.

Aqui fica na íntegra. Acalmem-se, burgueses.

(quote)
O turbante de Maomé
Jorge Almeida Fernandes

Para lá da tempestade no mundo muçulmano, as caricaturas de Maomé são um assunto europeu, nosso. Em nome da liberdade de expressão, o jornal conservador dinamarquês Jyllands-Posten quis testar a resistência do islão à "blasfémia". Além de casos de mau gosto - apreciação subjectiva - os cartoons associam directa ou subliminarmente o profeta ao terrorismo. É legítimo? Uma parte dos editorialistas europeus defende o "direito à blafémia" como parte integrante da liberdade de expressão, que não pode ter limites senão na lei e no recurso aos tribunais. Excelente.

Amálgama racista
A Europa não tem de obedecer ao interdito muçulmano de representar o Profeta ou Allah. É uma questão teológica que não diz respeito ao mundo cristão. É outra a "nossa" questão: o insulto a uma comunidade religiosa ou civilizacional. "É difícil acreditar que os directores de um diário europeu não tenham sofisticação intelectual e cultura histórica para perceber que desenhar o Profeta como terrorista constitui um insulto maior", escreve o Jordan Times. Esta mesma amálgama é feita, após o 11 de Setembro, por pregadores evangélicos americanos de extrema-direita, como Pat Robertson. Não é colocada a bomba no turbante dum chefe do Hamas, mas no do Profeta. Por isso todos os muçulmanos são visados - obscurantistas ou terroristas. O racismo começa aqui. O direito à sátira "termina no ponto em que se torna provocação ou desprezo do outro", lembra o grande rabino de França, Joseph Sitruk. E, acrescenta Kofi Annan, deve respeitar a religião, um domínio explosivo.Eis a primeira hipocrisia do Jyllands-Posten: se tivesse testado a comunidade judaica com idêntica provocação, mostrando por exemplo Moisés a maltratar um palestiniano, seria imediata e universalmente condenado por anti-semitismo. Os judeus têm "tolerância zero" nesta matéria.A segunda hipocrisia é social: as sociedades ditas multiculturais do Norte da Europa pouco se incomodam com o facto de parte dos seus cidadãos ou imigrantes muçulmanos não cumprirem algumas leis básicas dos Estados em que vivem. É uma versão prática e racista da "tolerância".

Hipocrisia árabe
Que aconteceu? Imãs, ulemas e grupos islamistas radicais recuperaram o tema. A União Internacional dos Ulemas Muçulmanos apelou ao boicote dos produtos dinamarqueses e noruegueses. Outros ameaçam os militares dinamarqueses no Iraque. Os governos foram forçados a seguir o apelo da "rua árabe". A Arábia Saudita chamou o seu embaixador em Copenhaga e lidera a "indignação" dos crentes. "Estas caricaturas são islamófobas. Elas dividem as pessoas e apenas consolidam os muçulmanos mais radicais", declara à AFP o analista árabe Malek Chebel. É isto, e apenas isto, o que os europeus devem reconhecer e denunciar. De resto, diz Chebel, a reacção dos dirigentes árabes é "hipócrita" e visa dissimular a sua própria "torpeza". O mesmo se diga dos islamistas. Um dos mais virulentos denunciadores "da canalha que insulta o Profeta Maomé na Dinamarca" é o chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah. Ora, a sua televisão, Al-Manar, notabiliza-se pelo mais execrável racismo, figurando os judeus com focinho de porco. Há igualmente muçulmanos corajosos, como Jihad Momani, que publicou três dos cartoons no jornal al-Shihan, de Amã, para que os muçulmanos tenham noção da dimensão do caso. Pergunta em editorial: "Que fere mais o islão, estas caricaturas ou as imagens de um raptor de reféns que degola as vítimas perante as câmaras, ou ainda um kamikaze que se faz explodir durante um casamento em Amã?" A 6 de Janeiro, o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Rasmussen, teve de escrever à Liga Árabe dizendo que não podia interferir na liberdade de expressão, mas condenando "qualquer acção ou palavra que tentem diabolizar certos grupos em função da sua religião ou pertença étnica". Hoje, os dinamarqueses têm medo e perdem dinheiro. Esperemos que evitem o pior e não se ajoelhem perante os islamistas.

Irresponsabilidade
Ter moral para discutir com o islão exige que a Europa seja exemplar na sua crítica. Mas está algo doente. Tem tentado resolver a questão das opiniões "racistas" ou "negacionistas" por uma indefinida criminalização, que leva a casos absurdos, como o do orientalista Bernard Lewis, há anos simbolicamente condenado por um tribunal francês por pôr em causa a qualificação do massacre dos curdos em 1916 como genocídio. O problema é outro. Cada vez mais os europeus conhecem direitos e ignoram a ética da responsabilidade, que manda pensar na consequência dos nossos actos, mesmo quando usamos as mais fundamentais liberdades. O Jyllands-Posten quis educar os "seus" muçulmanos na liberdade de expressão. Prestou um serviço ao pior islamismo. Porque ele próprio foi, sem o saber, profundamente islamófobo.
(unquote)

Público, 3 de Fevereiro 2006

One more...

O Cinema para Indígenas está actualizado.
Este já devia ter visto, mas foi só agora.

nota:
E tem a ver com o que passa em Shadow's Mood, aqui ao lado.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Out of fear and respect...



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Neste espaço, algumas considerações sobre uma das
discussões do momento, a propósito deste assunto
(cortesia de jcd - Blasfémias):

Não nos sequestrem.

Entrada completa.





Eu já não me dava muito bem com a minha vizinha, que é daquelas beatas que vai à missa todos os dias e que sabe de cor todos os salmos, rezas e a história de todos os santinhos, mas perdi a pachorra.

Ela sabe que eu não acredito em nada dessas merdas, mas como mora mesmo em frente a mim, ela no primeiro direito e eu no primeiro esquerdo, tenta manter um clima de civilidade que me soa algo falso, porque é mesmo. Quando nos cruzamos, se for absolutamente impossível fazer de conta que não me vê, como quando me encontra dentro do prédio, lá me cumprimenta, mas é só e era assim que eu gostava. Quanto a mim, até por questões de condomínio, sempre evitei cortar relações por completo, mas agora foi demais.

Ontem, atingi o limite.
Então não é que chego a casa e dou com ela a conversar com o meu filho nas escadas? A conversa morreu ali mesmo, mas quando o miúdo me disse que ela estava a tentar convencê-lo a ir à catequese, passei-me! Fui bater-lhe à porta e, quando a abriu, berrei-lhe que me estava a cagar para a religião dela, que ela era um anacronismo (lixei-a com esta), que não a queria ver mais de volta do meu filho e que o Papa era um filho da puta.
O marido dela, que até me parecia um tipo tranquilo, veio a correr à porta ver o que se passava e eu aproveitei para lhe dar logo um valente estalo no focinho, que eles não me assustam. Aliás, era o que me estava a apetecer dar à estúpida da mulher dele, mas não podia, que eu não bato em mulheres!

A fulana, então, começou a gritar que era a liberdade de expressão dela que estava em causa e que podia dizer o que lhe apetecesse a quem lhe apetecesse, mas eu berrei-lhe mais alto que ela estava a confundir liberdade de expressão com liberdade religiosa e que o Papa era mesmo um filho da puta.
Nessa altura deu-lhe um amok e caiu para o lado, o marido levou-a para dentro de casa e eu fui a correr imprimir em formato A2 aquele cartoon do António com o preservativo no nariz do filho da puta do Papa, que por acaso até já morreu, e espetei-o do lado de fora da minha porta, mesmo em frente à dela.

Sempre quero ver se tem a lata de o tirar. Aí é que vai ser! Leva o marido, leva ela e leva quem mais me quiser privar do meu direito à liberdade de expressão.
Além do mais, o Papa é mesmo um filho da puta.

Rui Semblano


nota:
Se não perceberam, paciência. Não desenho.

Little Nations



"America wins the wars she undertakes, make no mistake about it. And we have declared war on tirany and agression. If this little country goes down the drain and can't maintain it's independence, ask yourselves what is going to happen to all the other little nations."

The President of the United States



Vasco Pulido Valente estabelece um paralelo entre os brutais aumentos do Estado-Providência das administrações L. B. Johnson e G. W. Bush. É um paralelo interessante e cheio de significado.
Será coincidência?
Não me parece. Espantar burgueses sempre foi prerrogativa dos neoliberais.

nota:
As palavras que transcrevi acima são de LBJ ou GWB? Adivinhe.

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Complete Idiot's Guide no. 5


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de Complete Idiot's Guides d'A Sombra

algures na coluna da direita
8





"Com vossa licença, uma observação sobre o liberalismo. Em percentagem do PIB, a sra. Thatcher aumentou, não diminui, a despesa com o Estado-Previdência. E não aumentou pouco, aumentou muito. George W. Bush, o próprio, foi, depois de Lyndon Johnson e da "Grande Sociedade", o presidente que aumentou mais, também em percentagem do PIB, a despesa com o Estado-Previdência. (...)"

(Vasco Pulido Valente in Liberalismo)

Regra # 39: Não ser demasiado previdente.
Regra # 45: Demasiada previdência é má, mas necessária.
Regra # 100: Em desespero, invocar o acordo ortográfico.

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Alfred!

Aguarda-se a chegada do quarto Alfredo
para responder ao segundo Rui Semblano.

A propósito disto.

nota:
Adoro entradas encriptadas!