sábado, dezembro 27, 2003

Strategy makes the Person

(*) entrada traduzida no final.

(...)
For uncommon skills and service, for the choices each one of them has made and the ones still ahead, for the challenge of defending not only our freedoms but those barely stirring half a world away, the American soldier is TIME's Person of the Year.
(...)


Person of the year - The american soldier
Time Magazine (Europe), 29 December 2003

(...)
Finally, the United States will use this moment of opportunity to extend the benefits of freedom across the globe. We will actively work to bring the hope of democracy, development, free markets, and free trade to every corner of the world.
(...)


The National Security Strategy of the United States
New York Times, 20 September 2002

nota:
Este saiu expontâneo e, para já, fica assim.

(*) Tradução:

A Estratégia faz a Pessoa

(...)
Por aptidões e serviço invulgares, pelas escolhas que cada um teve de fazer e pelas que os aguardam ainda, pelo desafio de defender não só as nossas liberdades mas as que apenas se começam a desenhar a meio mundo de distância, o soldado Americano é a Pessoa do Ano na Time.
(...)


Pessoa do ano - O soldado americano
Revista Time (Europa), 29 Dezembro 2003

(...)
Finalmente, os Estados Unidos usarão este momento de oportunidade para espalhar os benefícios da liberdade pelo mundo fora. Trabalharemos activamente para levar a esperança da democracia, desenvolvimento, mercado livre e comércio livre a todos os cantos do mundo.
(...)


Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos
New York Times, 20 September 2002

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Meia-noite...


Oh the weather outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
Let it snow, let it snow, let it snow!

It doesn't show signs of stopping
And i brought some corn for popping
The lights are turned way down low
Let it snow, let it snow, let it snow!

When we finally kiss goodnight
How i'll hate to go out in the storm
But if you really hold me tight
All the way home i'll be warm.

The fire is slowly dying
And my dear, we're still goodbying
But as long as you love me so,
Let it snow, let it snow, let it snow!


Pronto.
Agora, os presentes! :)

quarta-feira, dezembro 24, 2003

Noël...


Nestes dias que antecederam o Natal, A Sombra parou um pouco. Ao trabalho, juntaram-se os preparativos para a véspera de Natal, as compras, os jantares da época, as visitas, todo o rodopio que é, também ele, sinónimo de alegria, por ser provocado pela família e pelos amigos.

Apesar disso, é com prazer que anuncio que o Panorama nº 1 está pronto, encontrando-se em fase de revisão. Desta feita, após a Palestina, o tema será o Douro. Deverá sair em Janeiro, junto com o Miradouro, semanário regional de que é suplemento, sendo publicado na íntegra no blogarquivo onde já se encontra o nº zero, antes mesmo da distribuição nas bancas. Este foi outro dos motivos que me afastaram d'A Sombra, por estes dias. :)

A todos os amigos d'A Sombra e a todos os que nela repousam ocasionalmente, renovados votos de uma Noite Feliz.

nota:
Como prometido, os próximos dias serão dedicados ao projecto de reconstrução de casas na Palestina. Para evitar novo período de "acalmia" n'A Sombra, farei um acompanhamento do trabalho neste local, de modo que poderão conhecer melhor esta iniciativa de israelitas e palestinianos que promove a Paz de forma sublime.

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Campeão de ténis de mesa


No Público de ontem, José Pacheco Pereira (JPP) disparata sobre as reacções à captura de Saddam Hussein (18Dez2003, p. 7, "Nem duplicidade nem propaganda").
Lapidarmente, acusa quase todos (ou todos mesmo?) os que condenam a agressão ao Iraque ("articulistas"; "bloguistas" (!!!); "comentaristas" e todos os outros "istas") de "antiamericanismo" ou, "se quiserem" (como ele diz), de "antibushismo" (a verborreia neologística de JPP ainda vai dar cabo dos nervos à Academia de Ciências...).

Afirma o abrupto intelectual que, depois de "ditas as proclamações rituais contra o ditador sanguinário", os "istas" que referiu passam à ofensiva, desencantando "uma nova linha de ataque contra os EUA" ou minorando o sucedido. Antes, faz notar bem que essas "proclamações rituais" são acrescentadas "a despachar", dizendo com isso explicitamente (e não apenas sugerindo) que quase todos (ou todos?) os que analisam a captura de Saddam Hussein de outra forma que o constatar da "grande vitória" conseguida por Washington e Londres são, na verdade, defensores do ditador iraquiano.
Faz lembrar o tempo em que vociferava contra o Forum TSF, dizendo que 99% dos participantes eram contra a guerra no Iraque porque a estação de rádio os "escolhia a dedo" - lembram-se?

Lá para metade do texto, JPP (que se mostrou irritadíssimo quando a Al-Jazeera mostrou as imagens dos prisioneiros norte-americanos) justifica as imagens do exame médico a Saddam Hussein dizendo que na guerra (como no amor...) vale tudo! Se essas imagens, diz ele, evitarem um "morto americano", e acrescenta (a despachar?), "ou iraquiano", então valeu a pena mostrá-las. O abruptamente preventivo JPP ao seu melhor estilo, portanto.

A sentença do pensador é simples:
"O que isto não é certamente é um jogo de pingue-pongue (pinGUE!? ponGUE!?) com o nosso ego e o dos outros."

Caro Pacheco Pereira,

Compreendo perfeitamente a sua confusão ao ver tanta gente jogar ping-pong à sua volta e tantas bolas a cair ao chão. Afinal, quem são estes "ping-ponguistas" comparados consigo?
No entanto, devo confessar que prefiro o ping-pong deles ao seu. É que jogar ténis de mesa contra uma parede torna-se monótono ao fim de algum tempo, pelo menos para o observador, e o Pacheco Pereira há anos que está a jogar contra a parede.
Parabéns. Pode levantar a taça no guichet número nove.
Diga que fui eu que o mandei.

nota:
Não deixou de ser delicioso ver o título "Nem duplicidade nem propaganda" em corpo gordinho sobre a imagem de JPP, no Público. Ainda por cima do seu próprio punho. Há ironias...

quinta-feira, dezembro 18, 2003

O troféu


Desde que foi confirmada a captura de Saddam Hussein que se multiplicam os vaticínios de bom augúrio para a dita "administração Bush". Muitos afirmam mesmo que é o troféu que fazia falta a G. W. Bush (e a Tony Blair), chegando mesmo a transformar o ditador capturado no passaporte para a reeleição do "presidente" Bush em 2004 (isto a quase um ano de distância!).

Não será tanto assim.
Não é no plano internacional que se ganham eleições presidenciais norte-americanas, embora muitas aí se tenham perdido. Serão os norte-americanos a votar, chegado Novembro, e ter apanhado Saddam Hussein só serve para retirar a Washington uma das razões de peso que invocava para manter a presença militar no Iraque.
"Ok, dirão os norte-americanos, we got him. Now what?" Ou seja, vamos trazer os nossos militares para casa? Não me parece.
A tentativa de retirar o máximo de efectivos do terreno continua, da parte de Washington, mas está condicionada à sua substituição por tropas de outras nacionalidades, até agora em número manifestamente insuficiente. Aliás, sem participações de peso, de nada servirá arranjar efectivos militares para ocupar o Iraque, pois nada é mais prejudicial para uma operação militar do que um exército constituído por muitas meias dúzias de soldados de nacionalidades diferentes. Simplesmente não funciona. Os que poderiam enviar largos contingentes, como a Turquia ou o Paquistão, já tiraram o corpo fora; quanto aos "amigos" dos EUA, como Portugal, Espanha e o Japão, os seus contingentes são de um simbolismo confrangedor... Para mais se pensarmos o tipo de situação em que vão operar - não deixa de ser curioso que o contingente japonês seja colocado no Iraque com a condição de não se envolver em combates. É como atirar alguém à água com a condição de não se molhar.

Mas o Pentágono sabe o resultado que terá o envio cada vez mais consistente de "guerreiros de fim-de-semana" (as unidades da National Guard) para substituir os profissionais da 82ª ou da 101ª aerotransportadas, ou dos Marines, por isso continuam à procura de mais voluntários estrangeiros para os substituir. No entanto, é pouco provável que reunam as dezenas de milhar de efectivos necessários para o controlo real da situação - algo que nem os EUA conseguem, apesar do elevado número de militares no Iraque. Esses efectivos deverão lá permanecer, portanto, o que é exactamente o oposto do que a opinião pública norte-americana espera que aconteça, uma vez apanhado Saddam Hussein. Em boa verdade, seria uma consequência lógica, caso a população odiasse mais o ditador que os norte-americanos... O problema é mesmo esse. A teoria (teologia?) da libertação e democratização não se confirmou. Na prática, os iraquianos não querem a democracia; isto é, poderão vir a adoptá-la, um dia, mas não agora e, sobretudo, não imposta à baioneta e muito menos pelos amigos de Israel. Enquanto país democrático e defensor da liberdade e dos direitos individuais, os EUA não têm crédito nenhum no mundo árabe. Por mais palavras bonitas que se digam e escrevam - como as de Colin Powell no seu lírico texto do especial "The World in 2004", da revista The Economist - nada apagará meio século de jogos de poder no Oriente Médio, que 99,9% das vezes favoreceram os israelitas e desprezaram os palestinianos.
É preciso não esquecer que estamos a falar de uma civilização que ainda não esqueceu as Cruzadas e os "feitos" dos Cavaleiros da Fé, o que não pressagia nada de bom quanto à forma como os EUA serão vistos pelo mundo árabe nos próximos séculos. Pois é.

A captura de Saddam Hussein pode bem ser um presente envenenado para Washington, pois o povo entende facilmente a necessidade de capturar o "chefe", a "cabeça". As comparações com Adolf Hitler iam nesse sentido. Para a dita estratégia de política externa norte-americana, ter "maus da fita" a monte ajuda a explicar ao povo o porquê de manter um exército a milhares de quilómetros de casa, mas uma vez estes capturados, já não é tão fácil justificar o gasto de milhões de dólares e a perda de centenas de vidas para eliminar uns tantos "Hussein" e "Mohammed", numa lista extensa que ninguém percebe e cujos nomes ninguém conhece.

No Iraque, era o "Ás de Espadas" que era preciso apanhar. As outras cartas eram importantes, mas de importância incomparável para o norte-americano comum, martirizado e catequizado pelo papel absolutista de Saddam Hussein como leader do Iraque, secundado pelos dois filhos mais velhos, agora mortos.
Só assim se percebe que, apesar das condições humilhantes, ridículas, em que Saddam Hussein foi encontrado, se chame ainda "decapitação" à sua captura. Decapitação de quê? Era um velho enfiado num buraco infecto, a comer barras de Mars, com uma mala de dólares ao pé. A guerrilha e o terrorismo (duas realidades distintas que coexistem no Iraque de hoje) não dependiam dele e da sua mala de dinheiro. A sofisticação das acções, a sua frequência e o número de envolvidos, sugerem que se trata de algo mais - ou mesmo de vários "algos". De qualquer das formas, seria impossível coordenar essas acções a partir de um buraco no solo, no quintal de um casebre, sem comunicações excepto as mantidas por estafetas.
Que "troféu" é este?

A máquina de propaganda norte-americana e dos que apoiaram esta guerra tenta convencer o mundo de como foi óptimo apanhar Saddam Hussein, mas isso é inteiramente desnecessário. Praticamente todo o mundo suspirou de alívio ao saber que o ditador fora apanhado e se sentiu feliz com isso - isto não implica que praticamente todo o mundo se tenha esquecido de como começou esta guerra e porquê.
De facto, o que se pretende com tanto entusiasmo, como se Saddam Hussein fosse capturado num bunker cheio de armas químicas e comunicações state of the art, defendido até à morte por um batalhão de pretorianos, é esconder que sucedeu uma das duas coisas que Washington mais temia, precisamente por não ser o "Ás de Espadas" o mentor da guerrilha e do terrorismo no Iraque.

A primeira era capturá-lo morto, transformando-o num mártir islâmico; a segunda era capturá-lo vivo, criando um "Mandela" árabe. Qual das duas a pior? Desgraçadamente, para todos nós, a que aconteceu. Saladino acorrentado.
Saddam Hussein devia ter desaparecido, pura e simplesmente. A História pode bem com mitos sebastianinos, mas lida muito mal com mártires, mortos ou vivos, principalmente se forem árabes.

Quanto ao que penso de tudo isto, devo dizer que fiquei feliz com a notícia. O título da minha entrada "Good news?" era interrogativo porque não tinha ainda sido confirmada a captura de Saddam Hussein quando a escrevi, além de que os factores que agora expus já andavam na minha cabeça.
Para os que amam a liberdade e a justiça, a captura de Saddam Hussein é uma boa notícia, mas para todos os que pensam que liberdade e justiça são valores subjectivos, esta é, em definitivo, a pior notícia que podiam ter. E entre eles se conta a linha dura da administração norte-americana. Veremos como vão descalçar esta bota.

Yes, you got him.
Now what?



Rui Semblano
Porto, 17 de Dezembro de 2003

Não tão cedo como esperava, mas...

... já está.

Um rio místico em que Nemo não se encontra e que Zatoichi nunca veria. Tudo no Cinema para Indígenas, naturalmente.
Está assim pronto o terreno para o regresso de sua majestade, que testemunhei em primeira mão, ontem de madrugada.

nota:
Tipicamente, no Público de terça-feira, 16Dez2003, a notícia que enchia duas páginas sobre o terceiro capítulo de O Senhor dos Anéis apenas mencionava a ante-estreia de O Regresso do Rei em Lisboa... De Gaia, onde vi o filme à mesma hora que muitos felizardos alfacinhas, nada.
Depois dizem que o Menezes isto e o Menezes aquilo... Pois é.

A incerteza regressa?


Será? Esperemos que sim!
Never say never again!

Aguardamos confirmação!!

terça-feira, dezembro 16, 2003

O Rei regressa


Hoje à noite, quando se iniciar a quarta-feira, o Rei regressa!
A expectativa é grande e a esperança de não sofrer uma decepção também.

Fica a promessa de actualização do Cinema para Indígenas ao longo deste dia, com as últimas fitas vistas ("Mystic River"; "Finding Nemo"; "Zatoichi"), para que a crónica da terceira parte da trilogia do Senhor dos Anéis possa ser feita "a quente".

Depois... O Hobbit!

O melhor café é o da Brasileira


Enfim!
E que saudade!
Não tem o carisma da antiga Brasileira, mas está digna e mantém aquele sabor especial que vem de tomar o café paredes meias com o coração da Baixa.

Um local de pouso diário, possivelmente um bom sítio para iniciar o dia com o jornal "da manhã". Feito o "reconhecimento", no dia da abertura ao público (ontem), fica a certeza da recuperação sólida de um espaço que fazia falta no centro do Porto e a esperança de que contribua para a revitalização do mesmo.

Só o triste teatro Sá da Bandeira, hoje transformado em palco de "raves" duvidosas, causa algum mal-estar. Que bom seria se fosse recuperado como teatro de excelência, com produções nacionais e estrangeiras. E que bom seria voltar a conviver com os actores e as actrizes que outrora povoavam a Brasileira...

Quem sabe?...

domingo, dezembro 14, 2003

One track mind...


O Jaquim fez um pequeno apanhado de algumas reacções da blogosfera lusa à captura de Saddam Hussein, esta manhã. Na sua visão/comentário do que leu n'A Sombra (ver entrada abaixo "Good news?"), pode ler-se:

"6. É pá, isto pode ser muito mau para os americanos,
agora é que eles vão ver..."


O que significa que:
a) Não leu até ao fim e não percebeu.
b) Leu até ao fim e não percebeu.
c) Não leu até ao fim e não quis perceber.
d) Leu até ao fim e não quis perceber.
e) Já tinha lido antes de ler.
f) Nenhuma das anteriores.

Mas que se pode fazer? Pronto, Jaquim.
Leve lá os esquis.

Good news?


Saddam Hussein parece ter sido capturado em Tikrit, segundo a agência noticiosa iraniana (que não costuma enganar-se...). Será que foi desta? Será que foi capturado o primeiro sósia de Saddam? Os norte-americanos não confirmam nem desmentem e os britânicos pensam que é verdade.

Será?
Aguardemos.

nota:
A captura de Saddam Hussein não é tão favorável a Washington como poderá parecer, mas sempre seria menos um canalha a monte, se fosse verdade. As consequências de tal coisa são, como de costume no Golfo e no mundo árabe, imprevisíveis. Tanto pode ser muito bom como muito mau. E será, em todo o caso, um teste para a resistência - que pode demarcar-se de Saddam de forma inequívoca. Ou não.

nota2:
Ouvi a notícia às 11:00 horas, na Antena 2.

sexta-feira, dezembro 12, 2003

Novo e-mail


Finalmente está activo o e-mail novo d'A Sombra.
Passará a constar do cabeçalho do blog e da coluna da direita.
Aos que nos pretendem contactar, agradecemos façam copy-paste do endereço para os seus programas de correio electrónico.

O novo e-mail:
a-sombra@sapo.pt

Depois de andar a receber 40 e-mails por dia a "oferecer" produtos para aumentar consideravelmente certas partes da minha anatomia (o que não é, em todo o caso, necessário...) decidi acabar com os links directos nos e-mails deste e de todos os blogs que administro. mais uma vez peço desculpa pelo inconviniente, mas estou certo de que compreenderão a razão deste novo processo.

Um abraço a todos,

Pel'A Sombra,
RS

nota:
Os e-mails pessoais ainda não estão resolvidos, mas alerto para o facto de ter terminado as contas anteriores na Clix, pelo que agradeço não enviem mais e-mails para os antigos endereços.

Sekanevasse faziassekaski


Lido no Jaquinzinhos:

--- quote ---

(...)
2. O Crítico explica-me que cada bilhete para a ópera custaria cento e tal contos por espectáculo sem os subsídios. Acontece que não está disposto a pagar o real valor: prefere pagar apenas meia dúzia de contos e exige que os outros portugueses (os incultos) sejam obrigados a pagar-lhe o resto do bilhete. Senão, diz ele, acaba-se a ópera em Portugal. Note-se: não se acaba por falta do subsídio: acaba-se porque ELE que quer assistir à ópera não está disposto a suportar o devido valor. Eu, inculto como todos os liberais, gosto mais de ski. Não acha escandaloso que para fazer ski em Portugal seja necessário pagar cento e tal contos? Não deve ser subsidiado para o meu saltinho à Sierra Nevada?
(...)

--- end quote ---


Convenhamos que, para quem tem um visto permanente de entrada nos EUA, pedir um subsídio para esquiar na Sierra Nevada é um pouquinho provinciano. Então e Aspen, ó Jaquim? Já se imaginou a descer em direcção à Snowmass Village com a Nessun Dorma no Discman a abrir? E ainda dizem que o ski e a ópera são incompatíveis...

nota:
Acho que o Crítico e o Jaquim precisam de um novo jantar para acalmar os ânimos. Sem subsídio de alimentação, naturalmente. :)

Ilusões de grandeza...


Um almoço com três madeirenses pode ser muito complicado - principalmente quando grande parte do seu futuro continua ligado à sua ilha, o que significa, no caso da Madeira, um alinhamento pela cartilha de Alberto João, mais ou menos subconsciente.
Isto é um dado adquirido: ser opositor de Alberto João, para um madeirense, implica a ausência de futuro - ou a emigração.

Para dizer a verdade, já não me recordo de como a conversa foi para esse campo, mas, de repente, estávamos a falar dos miúdos que foram afastados das zonas turísticas madeirenses por andarem a pedir esmola. Bastou mencionar tal coisa para me acusarem de não saber o que estava a dizer e que até parecia que tinham enfiado os miúdos num campo de concentração! Sorrindo, admiti nunca ter estado na Madeira e, como tal, não ter testemunhado o processo de "limpeza", mas o certo é que não obtive esclarecimentos quanto ao método realmente empregue para conseguir tal façanha. Será que pediram às crianças, delicadamente, para deixarem de pedir esmola e ir para casa? Não sabiam. Ainda procurei fazer humor e afirmei estar plenamente convencido que se Alberto João fosse presidente da Câmara Municipal do Porto teríamos o problema dos "arrumadores" resolvido há anos, mas já não havia vontade de rir naquela mesa.

Como a questão dos miúdos se tornou insustentável, voltaram-se para os pais deles, "os tóxicodependentes de Câmara de Lobos". "Eles é que são os culpados!" - afirmaram - "Deviam era tirar-lhes os filhos!" - mas não explicaram o que fariam com os pais, depois disso feito, nem tão pouco o que aconteceria aos filhos. Foi então que tudo descambou! Que o Alberto João tinha transformado a Madeira num paraíso e que se fosse primeiro ministro resolvia os problemas todos em três tempos (!!!); que o dinheiro enviado pelo Estado não tinha importância quase nenhuma, porque o PIB da Madeira é tão grande que já nem podem receber subsídios da UE; que, claro, "a República" os tratou muito mal... Coitados. Perante tamanha demonstração de orgulho insular e solidariedade com o seu Governo regional, restou-me perguntar quanto haviam pago pela passagem aérea que os trouxe da Madeira para o Continente e se sabiam (ao menos) quanto eu pagaria pela mesma. Realmente, "a República" trata muito mal os madeirenses; como quando acumula as bolsas de estudo às que já recebem da Madeira, por exemplo.

"Alto lá!" - indignaram-se - "Vocês ganham mais que nós! As ajudas são justas!" Mas, afinal, em que ficamos? Precisam ou não de ajuda? Então o PIB madeirense não é superior à média nacional, com excepção de Lisboa e Vale do Tejo? Não "produzem mais que os continentais", os madeirenses?
Ah, o complexo da insularidade; o isolamento involuntário; a necessidade de "vir ao Continente"... É um facto. Já estive no meio do Atlântico e não gostaria de viver numa ilha. Estar condicionado pelo oceano; não poder sair e fazer quilómetros a sério, respirar outro ar, ouvir outra língua... Eu amo o mar e não conseguiria viver longe dele, mas não me agradaria nada ser seu refém.
Compreendo e aceito os benefícios da insularidade em termos de ajudas concedidas pelo Continente para diminuir essa realidade, mas que não me venham com histórias de PIB's e de como "a República" os maltratou (não percebi o tempo verbal - então agora são bem tratados?).

Felizmente, chegou a conta e a conversa mudou de rumo. É que estava mesmo a ponto de perguntar aos meus caros interlocutores quem eles achavam que contribuía mais para o aumento brutal do PIB da Madeira: se eles e os seus ordenados, impostos e produtividade, se um colombiano que use a ilha como plataforma para mover os seus tostõezitos livres de impostos, "AJ style".

Continuo, solenemente, "na minha".
É dar-lhes a independência. Já! (*)

nota:
No próximo almoço é melhor restringir a conversa ao estado do tempo. Em Portugal continental, claro...

(*) entrada "A bosta da III República", n'A Sombra.

(don't just) Blame Canada...


França, Alemanha, Rússia e Canadá Excluídos de Contratos no Iraque

Os EUA Divulgaram Ontem Uma Lista de 63 Países Autorizados a Concorrer a Contratos para a Reconstrução do Iraque com a Verba Recentemente Aprovada pelo Congresso, e Que Exclui Os Que Se Opuseram à Guerra, Nomeadamente a França, a Alemanha, a Rússia e o Canadá. Portugal Está Entre Os 63 Autorizados a Competir. Ao Fim do Dia, a Casa Branca Veio Anunciar Que para Os Excluídos "as Circunstâncias Podem Mudar Se Se Juntarem ao Esforço" Norte-americano no Iraque.

(in Público on line, 2003/12/11)

Sem comentários.

Ver notícia completa aqui.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

Tigerland


Verifiquei com satisfação que o Miguel está de volta "a casa".
Como amante dos felinos (guardião de uma e padrinho de mais uns trinta de ambos os sexos...) não podia deixar de fazer notar o regresso à actividade d'A Origem do Amor em grande estilo ("Eu e o Tigre")!

There's (really) no place like home...

Um abraço ao amigo "Migalhas". Bem vindo de volta!

terça-feira, dezembro 09, 2003

As pérolas do Adriático...


"Homens e nações agirão racionalmente apenas quando esgotarem todas as outras possibilidades."

Franjo Tudjman
The Impasses of Historical Reality - 1989

(Franjo Tudjman foi eleito presidente da Croácia em 1990 e seria reconduzido no cargo por mais dois mandatos, afastando-se no terceiro por motivos de saúde em 1999, vindo a falecer semanas depois - curiosa frase para um revisionista)

nota:
Esta citação não pretende, de modo algum, ilustrar a nossa opinião da entrada anterior ("Paradoxos"), mas calhou bem.
É que Franjo Tudjman ficou também notório pela publicação de Wastelands of History (1988), em que proclamava que Sérvios e Judeus haviam inflaccionado os números das vítimas da Segunda Guerra Mundial, desvalorizando o Holocausto. Trata-se, de facto, de um só livro: "Bespuca povjesne zbilje", título que tem sido traduzido de diversas maneiras, desde Wastelands of History a The Impasses of Historical Reality, passando por The Impasse of Historical Veracity, variando as datas apontadas como de publicação entre 1988 e 1989.
Pode ler-se algo mais sobre esta "pérola" do Adriático em Balkania.net, na rúbrica "Tudjman and the Genocide Apology", um excerto de "The New World Order And Yugoslavia", de Gerard Baudson.

nota2:
Aos mais curiosos, recomendo "Yugoslavia's Bloody Collapse - Causes, Course and Consequences" (edição de 1995), de Christopher Bennett (Hurst & Co. Publishers, Ltd - London; ou University Press - NY), de onde extraí a citação que abre esta entrada.

Paradoxos


Acabo de verificar que na ordenação dos seus blog links, o Descrédito nos cataloga na "esquerda"; não sei se tal se ficou a dever ao Pedro ou ao Mário, mas trata-se de mais uma tentativa de rotulação d'A Sombra que, normal e naturalmente, agradecemos e rejeitamos. Não, não somos de "esquerda" (sim, já sabem: "seja lá o que isso for"...).

Se o Pedro e o Mário assim o entenderem, lá ficaremos nós com a etiqueta naquele blog, mas se nos derem algum crédito, como parte interessada, e uma vez que a categoria "Paradoxal" não existe no Descrédito, ao menos que nos coloquem sob "Hetorodoxia", onde nos encontraremos mais à vontade.

Para o Descrédito, o nosso crédito habitual.
Um abraço,

Pel'A Sombra,
RS

segunda-feira, dezembro 08, 2003

Words indeed...


While I sit here trying to think of things to say
Someone lies bleeding in a field somewhere
So it would seem we've still got a long long way to go
I've seen all I wanna see today...


(Phill Collins . Long long way to go . No Jacket Required)

Olá João,

Compreendo a razão de ser da tua crítica inicial. Raramente recorro ao cinismo como "figura de estilo" e o que escrevi na entrada "Cauchemar" era cínico a valer e não apenas "figurativo". Era uma resposta ao cinismo dos que aplaudiram a iniciativa de Genebra e só podia ser dada na mesma moeda.

Estou cansado destes eventos, João; não pelo que pretendem, mas pelo modo como são encarados e pelos resultados que produzem. Se analisarmos bem a proposta de Genebra, verificaremos que é tirada quase a papel químico de Camp David (como bem faz notar a revista The Economist desta semana) - e todos sabemos como terminou Camp David.
Sei que os responsáveis que de facto contam nesta matéria se estão a marimbar para Camp David e para Genebra. A democracia converteu-se nesta miséria; o chavão "todos têm direito a expressar a sua opinião" e o pensamento que sempre o acompanha ("mas estamos a borrifar-nos para isso") tem dominado toda e qualquer forma de fazer política, das propinas às pescas - no plano nacional, do Iraque a Kyoto - internacionalmente. Israel e a Palestina não são excepções.

Desde a leitura das tuas primeiras palavras sobre o Oriente Médio que percebi estarmos de acordo "no essencial", como dizes. Talvez até mais que isso. Do que escreveste em "Words, not deeds." fazem-se os meus sonhos - e os de muitos que pretendem uma paz verdadeira entre israelitas e palestinianos.
Logo à cabeça, um só Estado laico que agregue os dois povos como um único. O maior e mais belo de todos os sonhos; a exclusão do factor "Deus" (claro que pelo menos 55.000 portugueses não sonham com nada disso, mas ao menos são só 55.000... o que ainda é de mais para o meu gosto).
Depois, o aviso balcânico. A ex-Jugoslávia devia ser um "case study" para demonstrar ao mundo como não se deve proceder a uma reorganização geopolítica - entenda-se: do preço a pagar quando se mexe no que deve estar quieto.

Quanto ao que chamas (e muito bem) de "injustiças históricas", costumo dizer que só passarei a usar o Kuffiyeh por motivos puramente estéticos quando Israel cumprir as resoluções da ONU que o levarão às fronteiras de 1967 e desmantelarão os colonatos, mas o ideal seria mesmo o regresso a 1947 sem os ingleses.

Quanto aos "actos" que exigi no lugar das palavras, em "Deeds not words", na entrada "Cinismos", referia-me às direcções políticas "de topo", como lhes chamas, mas não só. Enquanto as soluções para este problema (e tantos outros) forem apenas apresentadas em forums, cimeiras e congressos não oficiais de intelectuais e "afins", tudo permanecerá na mesma.
É na rua que se forçam as direcções políticas a tomar uma atitude concreta. E nas urnas, naturalmente.

Não tenho tido muito tempo livre para me dedicar a um projecto que abracei este ano e que já aqui referi (ver entrada "Paz", n'A Sombra), mas tenciono aproveitar a semana entre o Natal e o Ano Novo para o retomar. O projecto global está no site da Global Campaign to Rebuild Palestinian Homes (GCRPH), que se encontra direccionado em permanência, n'A Sombra, em Links Geral, à direita.

Mais que o apoio internacional, é apenas isto que é necessário incentivar: palestinianos e israelitas a trabalhar juntos, no terreno, pela paz. Quanto a mim, essa será a última esperança para a Palestina e para Israel.
Por esse motivo, este Natal, vou agir, não apenas escrever. Porque as palavras devem conduzir aos actos e desde há muito que não é assim.

Um forte abraço,

Rui


nota:
Obrigado pela dica sobre o interessante ponto de vista do Rui Tavares. Vale a pena reflectir sobre as suas palavras.

nota2:
Já há muito tempo que não se regista uma entrada nova na nossa lista permanente de Blog Links, nesta página (os blogs que nos mencionam ou a que fazemos referência têm presença assegurada na página de Blog Links completos d'A Sombra, que tento manter o mais actualizada possível, ajudado pelo Technorati).
Pois o Castelo de Cartas, pelo seu valor, como todos os que lá se encontram, passa a estar direccionado em permanência nos nossos Blog Links permanentes.
Words indeed, João. Words indeed...

sábado, dezembro 06, 2003

Dear Santa...


Imprescindível a carta ao Pai Natal da bela Ana Anes!
Se ao menos as concorrentes a miss universo tivessem o seu bom gosto... :)

Para a Ana, que está por perto neste fim-de-semana, um beijo desde A Sombra. E que tenha passado bem na bela Invicta, apesar do frio de rachar que tem imperado.