sábado, agosto 23, 2003

Há blogs assim...

Lido em Eu vou mas volto:

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(...)

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Um giro pelo blog deste senhor, José Carlos Soares de seu nome, e decidi:
Caro amigo, pode crer que fui, mas acredite: não vou voltar.

nota:
A ausência de links activos nesta entrada, bem como da transcrição acima, não é uma falha; nem técnica, nem humana. É, aliás, precisamente por humanidade que se verifica.

Not fair...

... since it's poetry.

A Sombra nunca coloca blogs nos seus links permanentes sem que exista uma razão forte; de facto, a razão principal é serem esses blogs visitados mais ou menos regularmente por nós - o que implica, subjectivamente, que lhes reconhecemos mérito. Normalmente, o número de blogs que são destacados desta forma é estável. Os mais atentos terão reparado na remoção de alguns links, pela inclusão de novos.

Pensava ter encontrado o número aproximadamente certo de blogs com este estatuto, mas existem sempre excepções. Foi o caso do blog do Luís, que escreve no Musana. Já trocámos palavras em privado, já visitei o seu blog, nascido a 18 de Agosto deste ano. Um "bebé" pouco mais novo que A Sombra.

O Luís escreve poesia e continua, regularmente, a publicar entradas. Esperava incluí-lo nos nossos Blog Links mais tarde, quando se confirmasse a sua perseverança, mas reparei que ainda não aparece referenciado em nenhum blog, através de link. Nenhum poeta merece tal sorte, ainda que péssimo, o que nem é o caso!

O Musana passa a constar em permanência da nossa lista de Blog Links.
Ao Luís, um renovado abraço desde A Sombra.

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Ninfeta
Jovem eterna

Musana

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2003


Achei piada.
Só esperava voltar a referir as visitas muito mais tarde, mas este número é significativo. Pena já não ir a tempo de saber quem foi o ilustre 2003º visitante d'A Sombra.

Seja ele/ela quem for, um abraço.
RS

Elementar


Roselyn Sanchez...
Diz-lhes algo? Não?
Well... Time to go back to basics, then.

sexta-feira, agosto 22, 2003

A Cat Affair


Mais dois blogs que merecem visitas.

1. Pegada na Areia
A Valentina despertou-me a curiosidade e fui ver a sua pegada na areia.
As ondas ainda não a tinham apagado. Espero que nunca a apaguem.

um exemplo: "Os gatos do lixo"
(Ainda há gente que ama os bichos. Bem haja tal gente.)

2. Icosaedro
O bom gosto é, para mim, como um magneto.
Para mais tive uma experiência interessante que só não durou mais porque sou gato.

ver e ouvir: "A deambular pelo Google"
(Um gosto. Tentem responder ao desafio do Pedro antes de abrir a janela dos comentários, ou a Insensatez pagar-se-á cara!)

A Pegada na Areia e o Icosaedro (a ordem inversa justifica-se por ser dada primazia às senhoras) passam a estar disponíveis em permanência nos Blog Links d'A Sombra.
Um abraço para a Valentina e outro para o Pedro.

(Já agora, um beijinho à querida Insensatez!)

nota:
Por uma questão de gestão de espaço, o blog A Oeste nada de novo já não se encontra em Blog Links, mas continua disponível n'A Sombra através do link da Periférica, em Links Geral.

Luto pela ONU...

... Luto por todos nós.

(A) Actualização em rodapé

A tristeza do actual papel da ONU é tão grande quanto isto:
Nem um esboço de vontade de enviar de imediato uma equipa de especialistas independentes para investigar o atentado de dia 19 de Agosto de 2003 no hotel Canal. É patético. A morte trágica e inglória de Sérgio Vieira de Mello ainda corre o risco de ficar para a história como a morte da ONU, apesar de esta ter morrido a 19 de Março de 2003. (*)

(*) A "janela de oportunidade" que iniciou o conflito com o Iraque (a tentativa de "decapitação" do regime Baath, a 20 de Março de 2003) abriu-se exactamente cinco meses antes de se ter fechado outra, bem mais importante de permanecer aberta: a da esperança na oportunidade de um mundo melhor, aquele em que Sérgio Vieira de Mello ainda acreditava. Espero que se reabra em breve. Nada mais.


(A) Actualização:

Outra reacção que compreendo, mas não aceito, é a do Governo brasileiro.
Quando um filho nosso, ainda por cima um dos mais excelsos, morre em circunstâncias extraordinárias e trágicas, seria de esperar que fizéssemos tudo para saber o que sucedeu, mas nada. Lula da Silva limita-se, como tantos outros, a imitar com os lábios as falas do seu ventríloquo. Uma triste sombra de outros tempos, este Lula...

(actualização a 22Ago2003, 11:32)

Masturbações

Nem só de virtualidade vive a blogosfera.
Uma amiga disse-me hoje, cara a cara: "Estou a estranhar que ainda não te tenhas referido ao Pacheco Pereira (JPP), desde que morreu o Sérgio Vieira de Mello." Por um momento não soube o que dizer. Desde dia 19, pelo menos, que não faço visitas "abruptas". Porquê? Talvez por, inconscientemente, já saber o que ia encontrar. Desde a defesa do "Ocidental Civilizacionista" por JPP que não tenho dúvidas quanto à sua posição no que respeita ao Iraque.

Concedendo que, apesar disso, estamos sempre a aprender, mesmo com quem aparenta nada ter a ensinar, fui ver como tem escrito o homem, por estes dias. Nada de novo.
Estava em plena masturbação. (1)


(1) a propósito da entrada "A Masturbação da Dor" in Abrupto

quinta-feira, agosto 21, 2003

Excepto Hebraico...


Se existe uma "democracia" que melhor ilustra o que escrevi no início da trilogia "Da Liberalização, da Democracia e dos seus Espelhos" é a israelita.
(ver "A Democracia, esse mito")

Como exemplo recorrente de como temos de "estar com os bons contra os maus" há muito que leio em vários suportes, da imprensa à literatura aos blogs, que Israel é "a única democracia do Médio Oriente" - significando isto, sibilinamente, que "a comunidade das nações livres" (como diria George, perdão, José Manuel) não pode "tomar partido" (idem) pelos palestinianos (leia-se "árabes").

Quem assim fala não é gago, mas isto é tudo o que se pode dizer sobre quem fala assim - e nada mais. Estes "connaisseurs" do Oriente Médio, porém, escolhem ignorar factos que demonstram que se a nossa "democracia" já é uma caricatura a israelita é um cartoon completo. (nota1)

Dois exemplos específicos: (nota2)

I. Ortodoxia

A política sionista israelita (não é um pleonasmo) é um reflexo do pensamento ortodoxo judaico, que acalenta mais que qualquer outro o ideal do "Grande Israel" e faz a apologia da segregação entre judeus e não judeus.
Esta élite judaica condiciona, em grande medida, o modo de fazer política em Israel, de uma forma semelhante ao verificado nos países árabes com as classes islâmicas ortodoxas - não esquecer que "ortodoxo" é um eufemismo para "fundamentalista".

Esta classe ortodoxa judaica encontra-se no topo da "cadeia alimentar" israelita, detendo privilégios medievais, negados ao comum cidadão judeu não ortodoxo, como a isenção completa de serviço militar.
Não deixa de ser ridículo que os israelitas que mais odeiam os árabes e fomentam o racismo se arroguem o direito, consagrado em lei, de ficarem isentos de os combater, nem que seja em legítima defesa.
Um privilégio de casta que pode estar na origem de tantas recusas no cumprimento do "dever militar" por parte dos que fazem parte de castas inferiores. Nada mais pungente para rebater o mito do "povo em armas", tantas vezes atribuído aos israelitas, quando são um povo apenas parcialmente em armas.

Estes privilegiados não têm o menor pejo em permitir o alistamento de mulheres nas Forças de Defesa Israelitas, mas quanto a ombrear com elas na "defesa" (preventiva q.b.) de Israel... Népias.


II. Racismo

Num elucidativo artigo de opinião publicado hoje no jornal Público, António Vilarigues (nota3) chama a nossa atenção para um facto que a comunicação social preferiu ignorar (com algumas excepções, incluindo o Haaretz), bem demonstrativo da "democracia" existente em Israel e de quem a controla (não tanto a extrema-direita laica, como dá a entender o artigo, mas mais a religiosa ortodoxa e xenófoba).

Um excerto:
"Israel: a extrema-direita de freio nos dentes
(...) A história é curta e brutal: o parlamento israelita, o Knesset, aprovou a 2 de Agosto uma lei que nega a cidadania israelita a palestinianos que se tenham casado com israelitas. Racismo é racismo, mesmo quando defendido por judeus. (...)"
(texto integral aqui)

De facto, o sistema político israelita é semelhante, por exemplo, ao português, e nada impede o nosso parlamento de fazer aprovar uma lei que, por hipótese, negue a cidadania portuguesa a brasileiros casados com portugueses.
Basta que tal lei seja "democraticamente" proposta e "democraticamente" votada pela maioria dos deputados. Fica à consideração de cada um se tal coisa é democrática (não "democrática", note-se). Quanto à sua legitimidade, não a deixaria ao cuidado de cada um, já que só quem não tem escrúpulos poderá ter dúvidas.

(a propósito de israelitas e palestinianos em Israel, ver "Camelot 2003 . 1")



nota1:
Digo "escolhem ignorar" pois se, de facto, são conhecedores do Oriente Médio não os desconhecem. Se não são tal coisa, não deveriam escrever como se o fossem.

nota2:
Apenas dois casos, correndo o risco de desapontar os "jaquins", que acham que A Sombra "toca sempre três vezes" como o outro - o das cartas.

nota3:
in Público, 21Ago2003, p. 6 (link no texto acima)

VSOP


Encontra-se disponível, à direita desta coluna, uma selecção de entradas d'A Sombra, que mereceram destaque pela blogosfera lusa e/ou que destacamos pessoalmente. Encontram-se sob o título: algumas Sombras.

RS

Desejo


Espero que Filomena Mónica nunca descubra como fazer um blog.
Ainda lhe chamava "os sentimentos de uma ocidental"...

Lamento

Lido em avatares de um desejo:

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Lamentável
Palavras de Durão Barroso, no discurso de pesar da morte do diplomata Ségio Vieira de Mello (tiro de memória): ... "em relação ao terrorismo, temos que estar de um lado ou do outro" ... "a comunidade das nações livres"...
Este uso dos slogans que Bush celebrizou na propaganda americana, aquando da preparação da guerra do Iraque, parece-me um pouco infeliz. Nas circunstâncias em que Durão Barroso fala é bem mais que isso: é deplorável.

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O lamento do Bruno não foi assimilado pelos Jaquinzinhos.
É uma perspectiva lamentável.

Existem tantas pessoas que vêem o Mundo a preto e branco...
E tantas mais que, não fazendo ideia do que falam, enchem o peito com preconceitos.

nota:
A "única democracia do Médio Oriente" só pode ser uma piada.
(ver link acima, para "Jaquinzinhos")
Vou terminar por me rir mais ao ler os Jaquins que o Valete!
(O humor negro devia imperar na blogosfera, mas temo que seja outro algo...)

O arabista e o kuffiyeh


Arabista, s. 2 gén. Pessoa que conhece ou estuda a língua, literatura ou costumes árabes.

O António Baeta recusou, modestamente, o epíteto de "arabista" que lhe atribuí, mas continuo a pensar que o seu amor à nossa herança árabe o justifica. Afinal, os portugueses, mesmo os que o desconhecem, têm mais sangue árabe nas veias que outro qualquer.

Kuffiyeh, lenço árabe; o padrão palestiniano é branco e negro, ou negro e branco. (também "kaffiyeh" ou "kufiyyeh" ou "keffiyeh")

Há bastante tempo que uso um Kuffiyeh palestiniano. Começou um dia, por solidariedade com o povo da Palestina, e ficou. Desde então que o acto de o colocar se tornou tão natural como calçar os sapatos, embora seja algo bem mais significativo que os sapatos.
No dia 19, na baixa do Porto, mais olhos se voltaram para mim que o habitual. Interrogar-se-iam, porventura, se transportava comigo uma carga de Semtex ou um cinto com barras de C4... Somos iguais aos árabes.
Eles vêem em cada "ocidental" um demónio, nós vemos em cada "árabe" um terrorista. Quando é que isto muda? Mudará algum dia?

Liberal - só

Lido em Jaquinzinhos:

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Tenho lido e ouvido um ódio concentrado na Conferência da Organização Mundial de Comércio porque esta tem como objectivo "eliminar as barreiras alfandegárias à circulação dos produtos agrícolas no contexto da liberalização do comércio mundial. "

Ser contra a OMC neo-liberal e a favor de liberalização anti-neo-liberal é anti-globalizante ou alter-globalizante? (Jaquinzinho Confuso).

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Mais uma vítima da propaganda...
Caro Jaquinzinho, parece ser mais um "confundido" por tanta desinformação. Um dano colateral.
Ou então, o que me recuso a acreditar, é um agente dessa desinformação, como os "de negro" que se juntam aos que protestam contra a globalização (um fenómeno neoliberal inequívoco, mas a que a omissão do "apelido" causa problemas - existe a globalização do terrorismo, por exemplo, ou a globalização das comunicações) para destruir restaurantes e incendiar automóveis.
É que bombardear a blogosfera com tanto "alter", "anti", "anti-neo", "neo" e "anti-anti" só pode significar uma dessas duas coisas: ou deu mesmo "tilt" ou está a ver se alguém dá "tilt". :)

nota:
Recomendo a leitura atenta desse campeão da luta contra a globalização neoliberal, que foi Adam Smith.

Sérgio Vieira de Mello (1948-2003)


A Sociedade das Nações não produziu tantas vítimas como a sua actual congénere. É um facto. Nunca haveria um quartel-general da Sociedade das Nações em Vichy, nem em 1941, nem em qualquer outro ano. Mas e se tivesse existido? E se um alucinado qualquer, ligado à resistência francesa, ou se um B-17 norte-americano que se enganasse no caminho para Dresden tivesse mandado pelos ares esse quartel-general? Quem teria sido a personalidade ligada à Sociedade das Nações de que hoje conheceríamos a data de nascimento e a da morte, por via desse acto violento?

A ONU devia ter terminado, como resultado da invasão do Iraque.
Os seus serviços deveriam ser transferidos para outra organização, ou outras organizações, mantendo o seu carácter e vocação, como a UNESCO ou a UNICEF, por exemplo. Essas organizações têm um papel importante no mundo de hoje. A ONU propriamente dita, em especial o seu Conselho de Segurança, já não.
Como aconteceu à NATO, que agora tem por papel a defesa do espaço europeu no Afeganistão (qualquer dia estamos a defender a Europa na Mongólia), o prazo de validade e a justificação de existência da ONU expiraram.

Sérgio Vieira de Mello morreu em vão. Outros irão seguir-se. Kofi Annan mostra-se indignado e triste, mas a culpa é tanto dele como do animal que se fez explodir para destruir o Hotel Canal, em Bagdad, a 19 de Agosto de 2003.

Não se enviam civis para trabalhar numa zona de guerra, especialmente quando essa zona de guerra é controlada por fanáticos que consideram todos os caucasianos como norte-americanos demoníacos, mesmo que sejam nórdicos ou transalpinos ou... brasileiros.
A guerra nunca acabou no Iraque. Sempre o disse e, desde que A Sombra existe, o afirmei, também, aqui. Os generais norte-americanos no terreno concordavam comigo uns dias antes deste atentado, contrariando os optimistas que, em Washington e não só, desde que G. W. Bush declarou o "fim das operações de grande envergadura" e o "início da reconstrução", transcreviam isso como "o fim da guerra".
No Público, por exemplo, o "Diário de Guerra" deu lugar ao "Pós-Guerra"... E os soldados norte-americanos, os soldados britânicos, os iraquianos, em armas ou civis, até um soldado dinamarquês, foram morrendo, cada vez mais. Até que morreu um brasileiro. Repito, a guerra no Iraque nunca terminou.

Não é possível reconstruir um país em guerra.
E esta será, até hoje, a maior bofetada já dada por alguém ao orgulho e à soberba imperial norte-americana.
A ONU nada tem a fazer no Iraque, nem em Nova Iorque.
E a Europa que abra os olhos ou que prepare os caixões e os corações para o que vai seguir-se; sem dúvida, como nos asseguravam José Manuel Fernandes ou Pacheco Pereira, "quando a guerra tinha acabado", nada de especial...

nota:
A luta armada como resposta a um invasor não é desculpa para a atrocidade cometida no Hotel Canal, mas condenar este acto como terrorista e ignóbil ao mesmo tempo que se ignora o facto de, nos países árabes, ainda se recordar as Cruzadas como se estas tivessem terminado o ano passado é, também, um crime.

terça-feira, agosto 19, 2003

Boomerang trip


Estou de saída para as terras do Falcoeiro (Al Baiaz).
Mas regresso amanhã.

nota:
Para que a ausência não seja tomada pelo abandono da interactividade diária com outros bloggers a que já me habituei.
Até mais logo.

RS

Porra!

Lido em Jaquinzinhos:

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Não liguem muito ao tom brincalhão, reconheço no RS da Sombra um equilíbrio de opinião que não é muito fácil de encontrar na nossa esquerda.

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NÃO SOU "DE ESQUERDA"; PORRA! (seja lá o que isso for...)

nota:
Talvez assim me leiam e me entendam.

nota2:
Este desabafo não é apenas dirigido aos Jaquinzinhos...
Para eles, um abraço.

RS

O Povo dos Dejectos...

Lido em Local e Blogal:

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Interrogações que compartilho
(...) Esta semana, nos blogs, por duas vezes, encontrei interrogações que me coloco, que também partilho em conversas e que me apetece propor em resposta a desabafos e contrariedades que por aí vou ouvindo.
Possivelmente os seus autores não as terão escrito como eu as entendi, nem eu partilho por inteiro todas as suas afirmações, mas que correspondem a interrogações das que mais me preocupam, é verdade. (...)

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Um desses textos, mencionado por António Baeta, é a terceira parte da trilogia "Da Liberalização, da Democracia e dos seus Espelhos", publicada n'A Sombra a partir de 15Ago2003, "A expansão da loucura".

Sempre correcto, o amigo Baeta, em privado, manifestou algum cuidado pelo uso de uma transcrição deste texto na sua entrada referida acima, mas não penso que ele me tenha compreendido de modo diferente, pois já me leu o suficiente para perceber que quando escrevo "Quantos de nós abdicariam desses benefícios?" (dos países desenvolvidos em favor do desenvolvimento do Terceiro Mundo) não faço mais que chamar a atenção para esse facto.
É um texto em que amargura e ironia se misturam com a dura realidade; uma realidade que me afecta a mim, por não ser imune; por não poder dizer, em consciência, "não vou por aí", apenas que "tento não ir"... O que faço não basta e revolta-me contra mim mesmo. E cada simples gesto que faço, na rotina do quotidiano, é um insulto a milhões de pessoas. Eu sei.

Estamos acomodados aos nossos modos e estilos de vida. Com mais ou menos luxo, qualquer um de nós, ditos "ocidentais civilizados", vive a anos-luz dos desgraçados que se arrastam no meio dos dejectos que abafam o Terceiro Mundo. Tão acomodados que muitos não se abstêm de escolher destinos turísticos onde fotografarão essa miséria como se fosse "típica" e muito "folclórica"... E colocamos homens em armas nas nossas muralhas e nos nossos céus e mares (que são já todos), para que o Povo dos Dejectos não tenha ilusões. O Primeiro Mundo é nosso e nunca será o deles.

Odeio os que, deliberadamente, contribuem para esta manutenção do Mundo, mas sei que eu próprio contribuo para ela, ao comprar coisas de que não preciso, comer e beber coisas de que não preciso e gastar mais recursos do que preciso, por poucos que sejam.
Sei, muito bem, que dizer não a determinadas marcas ou afirmar-se a favor do boicote de produtos de certos países ou fabricantes é daquelas formas rasteirinhas de se ser um "grande" revolucionário. Sei que não é por aí, já o sabia antes de os "grandes revolucionários" deste mundo terem ficado escandalizados pelo amor dos zapatistas à... Coca-cola.
Mas por mais que tente, por mais que recicle, por mais que ajude do pouco que posso, parece-me que há sempre algo "sujo" que não fica no tapete, ao entrar em casa, e que me acompanha para onde vá.

É a perda de um orgulho em ser europeu e português que se justificaria por outros motivos, talvez... É a vergonha de me sentir inferior aos que são subjugados por "ocidentais" como eu. E a raiva de, por sua via, não poder estar de bem comigo próprio e sentir-me quase obrigado a pedir desculpa por actos que não cometi - mas que, a meu modo, permiti, permito e não vejo como posso deixar de permitir... Resta esperar? Talvez...

Um abraço ao António Baeta.

nota:
Aguarda-se para breve a continuação no Local e Blogal dos pensamentos do meu Arabista predilecto na Blogosfera.

À frente


Um dos meus passatempos blogosféricos é o "back tracking", isto é, seguir os leitores d'A Sombra até às suas origens. É uma forma de perceber o impacto d'A Sombra junto dos que nela passam, a cada vez que nos elogiam ou (quase) insultam, que insultos ainda não chegaram, mas lá chegará o dia, ou, simplesmente, através da sua prosa, dos seus versos ou dos sons que ouvem e propõem, conhecer os seus perfis. Tenho passado bons momentos, alguns sublimes, em outras "sombras" que esta.

A minha última experiência deste tipo foi surpreendente.
Ao seguir uma pista do Sitemeter, uns segundos de espera (que a banda larga ainda não chegou - mas está quase!) e o monitor enche-se com esta frase, que me surge à frente em Bold garrafal a corpos duzentos e cento e poucos pixels:
"ABSURDO TESTAMENTO DE UMA AMIGA FODIDA" (*)
O impacto foi superior a qualquer cena do Hulk, garanto-vos!
(hmmm... apesar de não parecer, isto é um elogio!)

Pois li a referente entrada e continuei a ler por ali abaixo até que decidi que não conseguia ler tudo hoje e achei por bem colocar o blog responsável por esses bons momentos na lista permanente de Blog Links d'A Sombra.
Porque lá hei-de voltar mais vezes.

Falo de O Absurdo Testamento.
E desde A Sombra envio um abraço ao Tiago. :)

nota:
O título deste blog e o da entrada são em caixa alta e baixa, mas reproduzi-os assim para aproximar do efeito real! A junção dos dois (pois na altura era a primeira entrada, abaixo do nome do blog) foi explosiva.

Salut


Quem é vivo sempre aparece! Viva, Fab.

nota:
O Algarve, no Inverno, até é giro.

nota2:
And yes, real time sucks big time. :)

"Não doeu nadinha..."

Lido em Jaquinzinhos:

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Água, Energia, Saúde e...

A Sombra explica-nos que o interesse privado é um péssimo gestor dos bens públicos. E dá-nos 3 exemplos. A electricidade, a água e a saúde. Peço-lhes um exercício adicional. O mais importante de todos os bens. Que desgraça nos acontecerá se a alimentação humana passar a ser gerida por privados, cujo único objectivo é o lucro?

- Pssst... (segredos ao ouvido...)
- O quê? Já é? Como é possível? E não morremos todos à fome?


# jaquinzinho de jcd : 18.8.03

Jaquinzinhos comidos: 2

(Os comentários:)

blablabla () @ 08/18/2003 23:02:
Ui ui ! Esta doeu !

RS (http://www.asombra.blogspot.com/) @ 08/19/2003 00:52:
Enquanto houver um MacDonald's nunca morreremos à fome.
(Nah... Não doeu nadinha!)


--- end quote ---

Palavras para quê? (*)
É um jaquinzinho português!

(*) De onde a inexistência de um quarto exemplo.
Mas talvez não fosse pior (re)ler-se a entrada Compra-se, aqui mesmo.
À Sombra... que ao sol é uma desgraça.

nota:
Estranho um jaquinzinho achar que os alimentos são mais essenciais que a água... Suponho que existem jaquinzinhos... e jaquinzinhos.