quarta-feira, julho 05, 2006

segunda-feira, julho 03, 2006

Punição Rodoviária Portuguesa - PRP




Como venho dizendo há algum tempo, a alegria de ver a selecção portuguesa chegar longe no mundial de futebol não chega para apagar a triste realidade que nos rodeia. E tão triste é ela, que faz com que tal alegria seja parca... Como se fosse um bom vinho a acompanhar comida estragada.
Os exemplos desta situação abundam, da Educação ao Ambiente, mas escolho um pequeno detalhe para esta entrada que, apesar da sua especificidade, é demonstrativo da mentalidade que impera neste que é, cada vez mais, não apenas "um" mas "O" canto da Europa.

foto:
Eu e a primeira moto, uma Suzuki GS500E.
1993 - A1 - Manif contra as portagens.




Sou motociclista.
O facto de estar sem moto desde 1998 não apaga os mais de 300.000 km que tenho em duas rodas. Nesses anos, quando o velho Talbot Horizon que então tinha ficava a ganhar pó na garagem, contactava diariamente com outros motociclistas e vi de tudo, desde os que genuinamente eram apaixonados pelas motos aos que as tiravam das garagens apenas ao domingo de manhã para "o povinho ver" - e só quando estava sol!
Era, sem dúvida, quando chegava o frio e os céus se fechavam que encontrava na estrada os melhores desta "classe" especial de gente que aprecia a liberdade só proporcionada pela moto e que tem por companheiro o vento. Participei nas campanhas pelo ajustamento das portagens ao porte dos veículos de duas rodas e pela protecção dos pilares dos rails que tantas vidas têm literalmente ceifado e tantos corpos têm estropiado todos os anos, sem necessidade alguma. Tive vários acidentes, felizmente sem consequências de maior para mim, e apenas em uma ocasião fui "ao tapete" por palermice minha, apesar de ajudado por uma dessas armadilhas tão comuns nas nossas ruas e estradas (no caso, uma falha no asfalto).



Recentemente, o Ministério da Administração Interna (MAI) tem tomado as motos "de ponta", reagindo da pior maneira às estatísticas que vão mostrando o índice de sinistralidade dos motociclos por comparação com os outros veículos.


foto:
Eu e a BMW R80R, uma Boxer com alma.
1996 - Ciudad Rodrigo - Espanha
A caminho dos Pinguinos!



Há alguns dias a RTP mostrou uma reportagem em que tal índice era exorbitado à boa maneira do tablóide sensacionalista. Dizia-se na dita peça que as forças de segurança rodoviária iam fazer incidir a fiscalização especialmente sobre os motociclos, devido à quantidade enorme de acidentes em que estes estavam envolvidos. Para ilustrar a reportagem, a RTP contratou um "artista" que se prestou a fazer uma série de barbaridades com uma câmara montada na sua moto!
Apesar de terem incluído no trabalho "jornalístico" as declarações de um motociclista digno desse nome, que pôs o dedo em várias feridas e descreveu na perfeição qual é a postura de quem usa a moto com responsabilidade, foi o inconsciente da câmara na moto que fez a notícia, transmitindo a mensagem: somos, os motociclistas, todos "selvagens", assim, como ele!
Porém, mesmo no fim da reportagem, numa frase lida a correr, lá estava a verdade:
A grande maioria dos acidentes que envolveram motos a que se referia a peça fora provocada por... automóveis.
Resposta das autoridades? Cair em cima dos "selváticos" motociclistas. Ainda ontem, um guarda da Brigada de Trânsito explicava a uma estação televisiva que estavam a fazer uma "operação-stop" numa auto-estrada (!!!!) para fiscalizar em particular as motos de grande cilindrada, pois no dia anterior haviam registado 9 acidentes, 6 dos quais envolvendo motociclos!



Certo parece ser que a "cruzada" do Estado contra um meio de transporte muito mais amigo do Ambiente que os automóveis e que, por essa Europa fora, é acarinhado pelas autarquias como forma de combate ao excesso de trânsito e poluição provocados pelo automóvel nos centros urbanos, está para durar.
Entre nós, a moto permanece um "objecto de luxo" (o selo da minha BMW ou da Yamaha eram mais caros que o de um automóvel de 1200 cc), um "devaneio", um "perigo", sinónimo de um mundo onde imperam os "malucos", os "selvagens", como aquele da reportagem, pago pela RTP para o ser.

foto:
Eu e a minha última moto,
a fantástica Yamaha XTZ 750 Super Ténéré toda negra!
1997 - Ciudad Rodrigo - Espanha
Sempre a caminho de Tordesilhas e dos Pinguins!



Eu era um desses "selvagens" (e voltarei a ser mal possa) naquela noite em que o respeitável condutor de um Mercedes saiu de uma curva em contra mão e veio embater de frente na minha querida BMW. Eu, graças aos céus, passei-lhe por cima sem um arranhão, mas a moto ficou tão maltratada que fui forçado a separar-me dela (coisas dos seguros e dos ALD's...). Nessa noite, contribuí para o número de motociclistas "malucos" que engrossam as estatísticas e terei, quem sabe, provocado a saída da GNR para a estrada, a controlar as motos todas para protecção dos automobilistas...

A estrada é perigosa, habitada por muitos demónios, mas não é perseguindo um grupo específico de utilizadores que se resolvem os problemas da sinistralidade rodoviária, muito menos um em que ser-se vítima da estrada ou de outros condutores é a norma e não a excepção. Esta mentalidade vigente no MAI, espelhada nas acções da Divisão de Trânsito da PSP e da Brigada de Trânsito da GNR, é representativa do "savoir faire" lusitano. Do nosso característico "Know How", como diria José Sócrates, agora que o Francês morreu nos nossos liceus.

Certo dia, fui mandado parar pela BT depois de um troço particularmente manhoso de estrada em que, pelo que me disseram, circulava mais depressa do que seria seguro fazer. Quando perguntei ao "senhor guarda" se, então, não seria melhor colocar a patrulha ANTES do dito troço, para alertar os condutores "menos dotados" que eu, acrescentei, meio a sorrir, estando assim a alertar os mesmos para a zona de perigo, em lugar de esperar o resultado no final da mesma, o homenzinho olhou-me com uma expressão tão vazia que me impressionou (parece que o estou a ver, a boca entreaberta...).
Para ele, como para a maior parte dos que deveriam implementar a Prevenção Rodoviária em Portugal (a dita PRP), não faz sentido nenhum evitar que se comentam excessos na estrada. O que faz todo o sentido, para eles, é permitir - encorajar, mesmo - que os excessos sejam cometidos para, depois, punir os que os cometem - caso estes consigam sobreviver a eles, naturalmente, e não matando ninguém no processo, de preferência.

Como seria tão triste este país se os condutores fossem previamente avisados dos perigos da estrada e alertados para a presença da autoridade, das patrulhas, dos radares... E como seria triste a vida de polícias da DT e guardas da BT.
Para eles, como para tantos de nós, parece muito mais divertido ficar escondido depois de uma curva perigosa a ver quem lhe sobrevive para pagar a multa mais adiante. Com um pouco de sorte, se a coisa correr para o torto, até pode ser que não venha ninguém em sentido contrário, calmamente.
Alguém a conduzir uma moto, por exemplo.

Rui Semblano
2 de Julho de 2006

nota:
"Pinguinos" é o nome da maior concentração de Inverno da Europa, que ocorre a Fevereiro de cada ano, perto de Tordesilhas. Vem daqui o meu cognome de "Pinguim" no meio das duas rodas. É que, além disso, adoro pinguins desde que me conheço. :)

quinta-feira, junho 22, 2006

Cruzes Canhoto!








Ao que parece, o exame de Português do 9º ano foi fácil. Nem Camões nem Gil Vicente. Parece que "saiu orações", como disse um aluno ao jornal Público (edição de hoje).
Mas o melhor foram mesmo as cruzes!



Parece é que, mesmo com cruzes e orações, os resultados não serão grande coisa. Certo é que se verifica como normalíssimo o uso do sistema de respostas múltiplas, ou de "cruzinhas", em exames de Língua Portuguesa. É assim como o totoloto. "A gente" põe lá a cruz e reza.
Atrevo-me a sugerir à nossa ilustre ministra da Educação que use este método a 100% e lhe junte a componente do jogo de forma explícita, isto é, a pagar. Uma espécie de loto; o "escoloto", se quiserem. O "escoloto" joga-se assim: cada aluno pode escolher as cruzinhas que entender, desde que as pague; por exemplo a um euro cada "cruzinha". O nível de aproveitamento escolar dispararia para o topo da lista da UE e o ministério arranjava uma dotação suplementar digna de respeito.

É claro que nem todos poderiam pagar o número de apostas, perdão, de respostas necessário para garantir o prémio, desculpem, a aprovação, mas os exames sempre foram assim, não foram? Nem todos têm o mesmo crédito, quero dizer, o mesmo mérito.
(Hoje a boca está a fugir-me para a verdade! Bolas, bolas, bolas! - Eu não digo!)

Rui Semblano

nota post(erior):
Uma deficiência técnica no formato da imagem desta entrada impedia a sua visualização correcta.
Problema resolvido.

segunda-feira, junho 19, 2006

Esta é a ditosa Pátria, minha amada?




Por estes dias, o orgulho nacional tem no futebol a sua única razão de existir. A nós, pouco importa que o país esteja a afundar-se no lodo, desde que o resto do mundo pense que Portugal é um dos maiores entre os maiores da bola.
Tal e qual como o Brasil.




Entrada completa, abaixo. 666




Em que medida tem a selecção nacional de futebol do Brasil contribuído para tirar o seu país da miséria? Em nada. Tal como o Carnaval, é um mero escape. Enquanto duram, o Carnaval ou o mundial de futebol, o Brasil esquece as suas prisões, as suas favelas, os seus condomínios-fortaleza, os seus sem-terra, os madeireiros da Amazónia, os "mensalões" e os "anualões" dos políticos, o analfabetismo, a criminalidade, tudo. Passa a viver nas televisões de todo o mundo, como uma novela em que a ilusão de uma mulata coberta de pó de ouro ou de um menino de rua tornado ídolo da bola mostram o que o Brasil não é, mas passa a ser nos cafés de Marselha ou de Tóquio, nos pubs de Dublin ou nas esplanadas de Melbourne.

A imagem projectada por estes eventos cria um Brasil de sonho que passa a ser real para os estrangeiros, os que estão longe de saber como é, de facto, o Brasil. E para os brasileiros? Terminado o mundial ou o Carnaval, os jogadores regressam aos seus clubes milionários como as mulatas despidas do ouro regressam às suas favelas; os brasileiros, esses regressam ao seu surreal quotidiano, melancólico e repetitivo, em que tentam o equilíbrio que lhes permitirá escapar à queda definitiva no abismo... Muitos deles, porém, já nele caídos, apenas sonham ser possível regressar ao arame, um dia. Aguentar ao menos para chegar àqueles três dias por ano ou àquelas semanas mágicas, de quatro em quatro anos. Vivem para isso. Muitos vivem por isso. O resto, como veio demonstrar Lula da Silva, é um pesadelo de que não se acorda verdadeiramente. Um Brasil sem Carnaval e sem Mundial de futebol seria um inferno que nem as telenovelas ajudariam a suportar.

Afinal, dirão alguns, sempre faz alguma coisa pelo seu país, a selecção do Brasil. Pois faz. Mas nada que o tire da miséria. Querendo ou não, até ajuda a que a miséria se mantenha. E agora pergunto: é isto que queremos para Portugal?

Ao ver uma bandeira portuguesa pendurada numa varanda de um prédio degradado, imagino o tipo de orgulho nacional que sente a alminha que a lá pôs. Hoje, não consigo vibrar com as vitórias da selecção "de todos nós", porque hoje, a nossa Nação está reduzida a um trapo pendurado à janela, com o patrocínio de um Banco, de um jornal ou de uma loja de electrodomésticos... Não admira que os brasileiros se sintam cada vez mais em casa neste país.
E se, por um acaso, Portugal for campeão neste mundial de futebol, o povinho vai sair à rua, em histeria completa. E passaremos a viver no melhor país do mundo.

Rui Semblano
19 de Junho de 2006


nota post(erior):
Este texto foi publicado nas Cartas ao Director do jornal Público de 22 de Junho de 2006, com o título "Orgulho Nacional". (na edição Web - impressa - link só para assinantes do publico.pt)

quarta-feira, junho 14, 2006

Cruel

...
Dias tristes estes
Em que o futuro se revela enfim
Impiedoso e Ímpio
O Nada deixa de o ser
E eis que é Tudo
Os pulsos amarrados à cama de hospital
Para evitar que arranque o tubo...
...
...
Rui Semblano
14 de Junho de 2006
...
(Não haver Deus é um Deus também, dizia o Poeta ontem nascido)

terça-feira, junho 13, 2006

Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935)

...
Longe de mim em mim existo
À parte de quem sou,
A sombra e o movimento em que consisto.
...
Fernando Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888

Tesouro 0781






Nunca, mas nunca deixem que um cheque destes passe o prazo de validade!
Sempre que possível, optem pelo reembolso por transferência bancária.



Antes de mais nada, um obrigatório mea culpa: não recebi este cheque em 2004, ou seja, não sabia que o tinha recebido e só o encontrei quase um ano depois, no meio dos papéis e por abrir! Está mal. Agora o que está mesmo mal é o que se passou a seguir!

Logicamente, dirigi-me à minha repartição de Finanças para pedir a reemissão do cheque. Dois meses depois, como não obtivera resposta, fui lá de novo e perguntei se era normal tanto tempo de espera. Foi-me dito que sim e que lá voltasse passados quinze dias, caso o cheque reemitido não estivesse no correio. Lá voltei, quinze dias depois, para chegar à conclusão de que o pedido, afinal, nunca chegou a ser feito. Sem o mais leve pedido de desculpas, disseram-me para reiniciar o processo, mas que o melhor era mesmo fazer eu o pedido directamente à Direcção-Geral dos Impostos, em Lisboa. Pasmado, telefonei para Lisboa e uma funcionária da DGI (a única alma que sabia o que estava a fazer de todas as que estiveram envolvidas no processo) disse-me que não era nada com Lisboa, pois o cheque é emitido a partir da minha repartição de Finanças.

Estávamos em Dezembro de 2005 e lá voltei eu à minha repartição para novo processo. Desta vez, porém, e após estes meses todos, disseram-me que não tinha direito a este reembolso pois o mesmo já fora pago! E para eu ficar caladinho e ver como não tinha razão, facultaram-me um documento com os dados do cheque que diziam que eu tinha recebido e depositado (ou alguém por mim).
Apesar de leigo nestas andanças dos processos da DGI, logo me apercebi de dois factos estranhos: o primeiro era o de a data do cheque "pago" ser anterior à do que tenho em meu poder, isto é, se foi pago porque emitiram outro a seguir? O segundo facto estranho era o código, agência e conta em que teria depositado o tal cheque, respectivamente 0781, 11 e 325. Não tardou muito para perceber.

0781 não é o BES, nem o BPI, nem sequer a CGD... Como se pode ver no próprio cheque que reproduzo acima, na zona interbancária, 0781 é... o próprio Tesouro! Isto é, existiu um cheque anterior ao que tenho que não cheguei a receber e foi devolvido à DGI que, por sua vez, o depositou nos cofres do Tesouro, naturalmente. O que não é nada natural é que nenhum dos funcionários das Finanças que analisaram o processo tenha percebido que o reembolso não foi pago coisa nenhuma, apenas tendo retornado à origem, e que apresentem esse retorno como pretexto para não me reembolsarem. Tanta competência até assusta.

Resultado: quantas pessoas que, pelos mais variados motivos, dos quais a falta de pachorra (já lá vai quase um ano nisto!) não levam estas reclamações até ao fim e ficam sem o seu dinheiro? E será que o meu reembolso virá com os juros de mora deste ano que passou desde que pedi a reemissão do cheque?
Acredito que os funcionários públicos tenham razões de queixa do Governo, mas uma coisa é certa: se eu fosse um inspector do Estado e este caso fosse um teste, apenas uma funcionária de entre todos os envolvidos nele manteria o seu posto de trabalho...

Rui Semblano
13 de Junho de 2006

terça-feira, junho 06, 2006

Six Six Six



Dizem que hoje é o Dia da Besta (ó diabo!) e que só se repetirá daqui por um milénio, mas temos de admitir que o Diabo nada tem de pobre e que todos os dias lhe pertencem há muito. O Rato Zinga (ou o Mickey, já agora) que o diga.

Poderia o PSD ter reparado nesta realidade e atribuir ao Diabo um diazito por ano, agora o dia do cão não lembra nem ao Diabo!

Com estas e outras, o certo é que mais ou menos dentro de 180 dias vai ser proibido fumar em cafés, bares e restaurantes com menos de 100 m2, isto é, vai ser proibido fumar em cafés, bares e restaurantes.





Se isto fosse um país a sério, os donos dos ditos estabelecimentos colocariam o Estado em tribunal para, de duas uma, ou lhes devolverem o direito à propriedade privada ou lhes comprarem os mesmos, ficando assim com uma rede pública nacional de cafés, bares e restaurantes onde, com toda a legitimidade, poderia decidir quem lá pode fumar, comer, beber ou fazer outra coisa qualquer. Assim, ninguém se poderia revoltar contra o Estado, pois estaria a aplicar a lei dentro de espaços públicos, o que acontece hoje, e legitimamente, nos edifícios que lhe pertencem já.

Alegando, porém, que a saúde pública é demasiado séria para ser deixada nas mãos (e nas cabeças) das pessoas, o Estado decide por elas o que é melhor. A um não fumador não lhe basta a decisão de entrar ou não numa casa onde se fuma, o Estado deve decidir por ele que entra sim senhor, pois o dono da casa é uma besta (que, de qualquer modo, só tem direito a um dia de mil em mil anos). Sem perder a pose, o Estado declara inconstitucional que um proprietário decida que tipo de pessoas pode entrar na sua propriedade - e sim, isto implica equivaler o acto de fumar a um crime, pois é o mesmo que lhe dizer que não pode realizar reuniões de pedófilos, pelo menos para já, enquanto não estão organizados partidariamente.

Mais: está em marcha um plano de prevenção antitabagista que tem ajudas para tratamentos em clínicas (do Estado e/ou privadas) e tudo! Não tardará muito, os fumadores serão obrigados a "tratar-se" nessas clínicas, para seu próprio bem (e dos proprietários das mesmas, claro está), pois não poderão arranjar emprego se fumarem, não poderão viver no prédio-para-não-fumadores em que se converteu aquele onde vivem, ir à praia entretanto transformada em zona-livre-de-fumadores a que iam ou, simplesmente, fazer uma refeição fora.
Não sabiam que é isso que se segue?

Isto tem um nome: SEGREGAÇÃO.

Hoje poderá não ser o Dia do Diabo, mas é um dia do diabo. Vejam só que num edifício com um pé direito de dezenas de metros e muito bem arejado, como o aeroporto Sá Carneiro ou a gare do Oriente, vão existir mais caixotes do lixo que cinzeiros. Nem ao nível do lixo o fumador é considerado. Engraçado? Nem por isso. Quando os fumadores forem obrigados a viver em Townships, como o eram os "pretos" na antiga África do Sul, longe das cidades entupidas de trânsito mas saudavelmente livres do fumo do cigarro, começarão a ser dados outros passos, como a proibição de beber isto ou aquilo a bem da saúde pública e dos amigos dos amigos dos outros, que têm fábricas de bebidas "saudáveis" e "legais".

Quanto ao Diabo... Não esgotemos neste dia as profecias bestiais.
É que, dizem, pior que o 666 é mesmo o 999 e este não tarda nada.
É já a 9 de Setembro de 2009. E, acreditem, será muito pior que este.
Incomparavelmente pior.


Rui Semblano
No Dia da Besta (Quadrada). Posted by Picasa

quinta-feira, junho 01, 2006

Combustão espontânea. (parte 2)


Esta entrada divide-se em duas partes:
Combustão Espontânea - parte um / Combustão Espontânea - parte dois



Regressemos a 1963, o ano em que nasci.
Nessa altura, um ordenado médio pagaria cerca de quatro vezes o aluguer de uma casa com quatro assoalhadas (um T3 dos dias de hoje). Quarenta anos passados, um ordenado médio mal chega para alugar um T1 e, muito pior, um ordenado mínimo não chega para alugar uma casa. Qualquer casa.
Perante este facto simples, sem entrar em campos adjacentes ligados às necessidades básicas do ser-humano (das quais, convém lembrar, o Ensino já não faz parte, sendo hoje um verdadeiro luxo - e em certa medida um verdadeiro lixo), como não vemos ainda automóveis e autocarros a arder nas cidades deste país? Talvez a razão para isso seja o burguês ambicioso e egoísta (perdoem-me as redundâncias) que se esconde no fundo de cada um de nós, sonhando em segredo passar de explorado a explorador.
Mesmo entre os sem-nome (ver a parte 1), este sonho é recorrente.

Entre os consumidores, esta oportunidade tantas vezes sonhada encontra uma janela nos investimentos em Bolsa, individualmente insignificantes e praticamente sem valor para quem os realiza, mas muito significativos se somados e mais ainda se considerarmos o que constituem. Esta quota do mercado de papel flutua ao sabor do vento dos grandes negócios e é presa fácil para os que realmente controlam o jogo, como presas fáceis são os que se esquecem de como é difícil ganhar dinheiro a sério na Bolsa e como ele é extremamente fácil de aí se perder para sempre.
Estes microinvestidores não são mais que outra espécie de consumidores, iludidos pela aparente diferença entre um bocado de papel e um televisor de LCD, que os impede de perceber o logro em que se deixam enredar. Virtualmente, estes aspirantes não fazem mais que preencher um importante nicho do sistema oportunista, raramente ascendendo à condição superior.

Aí, no topo, o que realmente importa é acumular riqueza e esta, como disse (ver parte 1), nunca é suficiente - e não chega para todos, segundo consta. No cimo da cadeia, os que controlam o jogo são cada vez menos, pois não existe classe mais autofágica - entre os consumidores, a autofagia está ainda em fase embrionária, tal como existe mais acima, e os seus efeitos manifestam-se de outra forma, mas o burguês já percebeu que o dinheiro nunca chega e que quanto mais dividido menos terá. O resultado desta percepção é evidente.

Portugal é um país demasiado pequeno e cabotino para os movimentos discretos que o grande capital tem por norma executar, pelo que as suas manobras são mais visíveis que em outros locais, o que revela duas coisas: a pouca inteligência dos executores e a perversão em que mergulhámos. Não é por acaso que Portugal é reconhecidamente o país do mundo em que os administradores dos bancos são melhor remunerados e em que mais dinheiro se aposta no Euromilhões - dois excelentes indicadores da degradação social existente em Portugal e de que, segundo algumas almas que vão lendo jornais (incluindo um antigo administrador da General Electric), deveríamos ter vergonha.

Em 1993, trinta anos depois do meu nascimento, um administrador bancário ganhava milhares de contos por mês e milhões de contos de prémios semestrais. Quantos milhões? Que importa? Se fosse apenas um milhar de contos por mês e um milhão de contos de seis em seis meses já seria escandaloso, num país onde o ordenado mínimo ainda hoje não chega aos 100 contos mensais - e era bem mais que isso (em alguns casos, só em prémios, cerca de 10 milhões de contos por ano...).
E o consumidor lá continua, embrenhado na sua tragédia nada cómica, que é a de ser não mais que consumido, afinal. Deixou de fazer parte do motor que movia o antigo capitalismo; esse motor há muito que se tornou autosuficiente e apenas necessita de uma coisa para funcionar: combustível.

Sendo assim, o capitalismo de que nos falavam Marx e Engels já não existe (o de Hardt e Negri também, embora não claramente autopsiado). O pesadelo consumou-se. Este novo sistema, o oportunismo, assente no consumismo, substituiu-o por completo. O capital já não precisa do capitalismo para se reproduzir, apenas precisa de consumir, de consumo; consumir os produtos e bens e consumir o combustível que, por seu turno, os consome: nós, uma vez mais.
Resta-nos a esperança mais ténue e desgraçada de todas: a de, como todo o combustível, sermos inflamáveis. E será o sinal do fim do sonho, do terrível despertar e de um novo início. Em direcção a quê? Não sei. Ninguém sabe; nem os que sabem que em 2010 o barril de petróleo estará a 40 dólares. Sei que será muito pior e por muito tempo, pois os que primeiro deixarão de sonhar e provocarão o despertar de todos os outros estarão entre as fileiras dos sem-nome, e estes nada pretendem ao revoltar-se que não seja a própria revolta.

Como em França e no Brasil, serão os "vagabundos" de Sarkozy e de Lula da Silva a iniciar a revolução que se aproxima; uma revolução paradoxal, pois a nada serve, nada procura atingir e é vazia de ideias, mas poderosa, violenta e, quem sabe, inexorável. As qualidades do fogo purificador, enfim. Consumirá tudo e todos, excepto os controladores do jogo, nessa altura a salvo e bem longe do monte de merda que criaram, possivelmente numa ilha artificial de algum país árabe. Mas talvez nem aí estejam seguros e a justiça os apanhe um dia, se calhar sob a forma de um crescente explosivo. Inch'Allah!

Nós, apesar de tudo, sobreviveremos.
É que existe vida para lá do écran de plasma.
Muito mais do que se julga.

Rui Semblano
31 de Maio e 1 de Junho de 2006




Dead Can Dance - The host of Seraphim - Serpent's Egg
(a propósito de Manuel da Cerveira Pinto - Boassas - melhor ilustração seria impossível)

quarta-feira, maio 31, 2006

Combustão espontânea. (parte 1)



Como se pode ainda acreditar que o sistema em que vivemos é o capitalista? E, não o sendo, como negar que Marx não se encaixa neste quadro? E como não rir ao verificar que os que defendem esta última tese permanecem convictos de ainda viverem num sistema capitalista? O que se alterou na nossa sociedade nos últimos vinte anos? E, mais importante, como pode tanta coisa ter sucedido debaixo dos nossos narizes sem que reagíssemos?

Estamos em permanente combustão, mas controlada.
A espontaneidade, porém, surgirá quando menos se esperar.
Ou assim o espero.

Entrada completa abaixo. 666



A burguesia não pode existir sem revolucionar constantemente os instrumentos de produção e, por consequência, as relações a ela relativas e todas as relações sociais. A conservação, na sua forma pura, dos velhos métodos produtivos foi, por contra, a condição fundamental para a existência de todas as formas iniciais de industrialização. Revoluções permanentes na produção, alterações ininterruptas de todas as condições sociais, contínua incerteza e agitação, distinguem a época burguesa das que a antecederam. Todas as relações fixas, de rápida consolidação, com o seu cortejo de preconceitos e opiniões veneráveis, são varridas; todas as que se lhes assemelham tornam-se velhas à nascença. Tudo o que é sólido se desvanece, tudo o que é sagrado é profanado e o homem é, enfim, compelido a encarar a frio a sua verdadeira condição e as suas relações com o seu semelhante.

Marx e Engels, Collected Works, Vol. 6, p. 487. Moscow, Progress Publishers, 1976.
Marx, Capital, Vol. 1, p. 457. Moscow, Progress Publishers (s/ data).
(tradução d'A Sombra)


Eu nasci em 1963, a 28 de Novembro.
Por volta desse dia, C. L. R. James, um Trotskysta convicto, empenhado no que considerava ser o movimento revolucionário negro nos EUA, dava uma conferência em Londres, denominada "O Marxismo para o nosso tempo", que se tornaria o título de um curioso estudo sobre estratégia revolucionária (profundamente teórico e inócuo, mas interessante por isso mesmo), em que caracterizava a sociedade de então como a concretização da ideia que transcrevi acima: fruto burguês em constante mutação.

Quando eu nasci, portanto, a profecia de Marx sobre o fim do proletariado era ainda uma visão apocalíptica projectada para diante, sobre a qual C. L. R. James e outros teóricos construíam teses mais ao jeito de Trotsky e da sua revolução (não burguesa) permanente - única forma de manter o "espírito" do proletariado. Mas este já não era, em 1963, o que fora em 1938.

Nos EUA como na Europa (com excepção dos países a Leste da Cortina de Ferro e a Oeste dos Pirinéus - embora a Espanha de Franco rapidamente se abrisse aos EUA, deixando-nos orgulhosamente sós) o pesadelo de Marx começou a desenhar-se desde 1944. Desta circunstância nos dá boa conta um obscuro estudo de Conrad Lodziak, trinta anos mais tarde (1), isto é: da conversão em massa dos produtores (o proletariado) em consumidores (a burguesia). Resulta, assim, que o lugar antes ocupado pelo proletário ficou vago, já que ninguém o ocupou. Surgiu um novo tipo social, incaracterizável, indistinto e anónimo, composto pelos que não fazem mais que tentar aceder ao consumismo, seja ele qual for. É uma legião de desempregados, trabalhadores temporários e sem qualificações e de pseudoestudantes, muitos deles deslocados (os imigrantes), que constituem o patamar mais baixo da cadeia consumista: os sem-nome. Mas lá chegaremos.

Morto o proletariado, morta a luta de classes.
A burguesia, guarda avançada do Capital, jamais se revoltaria contra quem a alimenta e, ganha a luta pela capitulação do proletariado que a ela se juntou não a podendo vencer, engorda um pouco por todo, até assimilar a lógica da classe superior: não há riqueza que seja suficiente.
A esta ideia voltaremos mais tarde.

Esta realidade, em que nos encontramos hoje, criou apenas duas classes sociais, já que abaixo delas nada existe de nominável ou distinto (a tal legião de que falei acima), sendo elas constituídas pelos que consomem e pelos que satisfazem os que consomem. Aos primeiros facilmente se chamará consumidores; aos segundos dificilmente se poderá chamar capitalistas e, irónica e cinicamente, fácil seria dar-lhes o nome de produtores, embora esta designação atinja aqui um nível de enorme perversidade. De determinado ponto de vista, ambas as classes são capitalistas, pelo que a designação perde sentido, como o perdeu como identificadora do sistema sócioeconómico vigente nos países onde nasceu e vingou o capitalismo. Como os seus componentes mudaram, também o sistema mudou, forçosamente. Marx devia ter previsto isso, mas talvez o seu terror perante a premonição do fim do proletariado o tenha impedido de querer ver mais além.

Esta cadeia de consumo não é piramidal, embora seja tão vertical quanto possível, e a gradação entre os seus componentes essênciais é claríssima e chega a ser bruta, de tão simples e básica. No topo encontram-se os que detêm os bens de consumo produzidos e os próprios meios de produção - muitos deles meros instrumentos financeiros, desenhados tanto para suportar o escoamento dos produtos como para controlar o seu fluxo (os antigos capitalistas e alguns aristocratas). No meio, verdadeira base do sistema, os consumidores (a antiga burguesia e parte do antigo proletariado, bem como a maior parte da aristocracia) e esta assenta na tal mole indistinta que não chega a ser uma classe, os sem-nome, e em boa medida depende deles.

A pedra de toque deste neocapitalismo, mais apropriadamente neoliberalismo, é um sonho: o de cada sem-nome chegar a consumidor e o de cada consumidor chegar a ser senhor do que consome. Como é de oportunidades que falamos, darei ao sistema vigente, que sucedeu ao Capitalismo, o nome de Oportunismo.

E como estas ideias já chegam para iniciar a reflexão que espero provocar em quem visita esta Sombra, deixo a segunda parte desta exposição para a próxima entrada, a editar oportunamente, claro.

Rui Semblano


(1)
Conrad Lodziak, Manipulating Needs - Capitalism and Culture
London, Pluto Press, 1995.


Esta entrada divide-se em duas partes:
Combustão Espontânea - parte um / Combustão Espontânea - parte dois

quinta-feira, maio 18, 2006

Keep On!



Caros amigos e visitantes,

Por motivos que nada têm de graves mas tudo de aborrecidos, por me afastarem do teclado, A Sombra estará um pouco intermitente, nos próximos tempos, algo que me deixa "piurso" por serem tempos em que, das "novas" imagens do vôo 77 a bater no Pentágono à carta de Ahmadinejad a G. W. Bush, passando por uma promessa que fiz a Malou e não pude ainda cumprir (não está esquecida!), muito teria a dizer e a aqui escrever.

Hoje, a prioridade foi para o 4º desafio literário, abaixo, ao qual faltei e só agora pude corresponder.
Em breve, espero, regressarei a 200%.
Para já, limito-me a cavalgar o tigre.
A todos os que me enviaram mensagens ou que, simplesmente, aqui passaram, os meus agradecimentos e sinceras desculpas.

Rui Semblano

Desvanecer...










Conto participante no
4º desafio de criação literária
interblogs (a destempo!)

O mote era esta imagem da Beatriz.





Desvanecer

Teria chegado demasiado cedo? Não estava ninguém por perto e o local, assim deserto, mais se assemelhava àquele que em sonhos despertos sempre visitava. O passar do tempo alterara um pouco o aspecto do velho banco de madeira e ferro. Tinham passado trinta anos... Quase trinta e um, de facto.
Não se sentou. Tendo chegado primeiro, teria o privilégio de a ver chegar. Acendeu um cigarro, inspirando o fumo profundamente. O seu olhar fixou-se nas réguas de madeira do banco, a descascar do sol e da chuva, do frio e do vento... Relembrou a imagem que vira no espelho, essa manhã, quando se barbeava; aqueles trinta anos haviam sido tão gentis quanto impiedosos, permitindo-lhe recordar cada dia passado como se fosse sempre o anterior àquele em que ali estivera pela última vez, a cada manhã que se olhava no espelho. Ilusões. Agora, ali, mais fortes eram, quase reais; quase palpáveis. Então, trazido pela brisa, o perfume dela chegou.

Os anos passados desvaneciam-se a cada passo que aquela mulher dava na sua direcção. Ao chegar junto dele, tinham desaparecido por completo, todos os trinta.
- Perdoa a espera.
Ele sorriu.
- Acabo de chegar. - e indicou-lhe o banco.
- Entre todos os bancos deste parque, é mesmo este?
- Já não te recordas?
Ela não respondeu. Como poderia?
- Desculpa. - pediu ele, desviando o olhar daquelas íris que jamais saberia se azuis se verdes...
Sentaram-se.
Permaneceram em silêncio, por momentos. Ele tinha pensado e repensado mil vezes tudo o que tinha para lhe dizer, mas nada do que quisera dizer-lhe nos últimos trinta anos lhe ocorria, agora. Teria ela conseguido, de facto, anular o tempo e, com isso, todas as suas palavras por dizer? Teria o tempo, além de desvanecido, parado?
- Se tudo fosse diferente - começou ela - eu nunca estaria aqui, agora.
- Assim é.
Os olhares de ambos encontraram-se e, com isso, as suas almas também.
- Não vejo arrependimento em ti.
- Porque nenhum existe. - afirmou ele, num tom de voz sereno e verdadeiro.
Nos lábios da jovem nasceu um sorriso e a sua mão tocou o rosto do homem, que a tomou na sua, beijando-a.
- E, no entanto, - continuou ela - sinto que sem ti eu não seria quem sou. Seria, certamente; mas não eu. Não é estranho?
- Não para nós.
- Devo ouvir-te.
Sim; para isso fora ali a pedido dele. Mas o que lhe poderia dizer? Tudo o que pretendia dizer-lhe estava já nos olhos dela. Talvez o melhor fosse aproveitar aquele momento a seu lado, simplesmente. Desviou o olhar para o bosque. Continuavam sós. Apenas uma ligeira brisa e o perfume dela, ainda. Sempre.
- Tu és tudo o que poderia dizer-te. - e nada mais.
Ficaram assim, sentados em silêncio, como há trinta anos, ouvindo as árvores e os pássaros e a água a correr, mais abaixo. Ocorria-lhe agora que foi graças a essa circunstância que agora lhe era dado estar ali com ela. O mistério revelado, enfim. E fez-se tarde.

A noite chegaria, em breve. Sem uma palavra, levantaram-se, abraçando-se, e ele ficou ali, a vê-la partir pelo mesmo caminho por onde chegara; exactamente como há trinta anos. Não lhe tinha dito adeus.
Nunca lhe diria adeus.


Rui Semblano


nota:
Por circunstâncias a que a minha vontade é alheia, apenas hoje publico o meu conto. Aos que participaram neste desafio e aos que visitaram A Sombra na expectativa de o ler mais cedo, as minhas desculpas.

nota2:
Os contos participantes nesta edição encontram-se nas entradas dos seguintes blogs e autores:

Ashfixia (Raquel): A História perdida no orvalho,
Wisdom, that's what i've aspired (Beatriz): Aquele banquinho de madeira,
Realidade Torta (Bill): Doces Sonhos,
Instantes Clarissa (Clarissa): Instantes XLVII,
Conteúdo Manifesto (Conteúdo Latente): Parque,
Do Lado do Mar (Doladodomar): Conto do banco,
Espreitador (PiresF): Trono dos meus sonhos (in A Rua dos Contos),
Tetros (Ipslon): Pirralho,
A quilómetros de mim (Maite): A Catedral Verde,
Incomplete (Parrot): Local de encontro,
Poetando (Pedro Pinto): s/ título,
Pedaços de Papel (Vanessa): Banco de Jardim: Aquele, o único.

A todos os participantes, de novo as minhas desculpas e a promessa de voltar a cada um para ler com calma as vossas palavras, como merecem ser lidas. Um abraço, RS.

nota post(erior):
Por lapso, a responsabilidade do mote foi atribuida à Clarissa, quando na realidade foi por iniciativa da Beatriz que escrevemos sobre esta sugestiva imagem. Está corrigido, com as minhas desculpas!

quinta-feira, maio 11, 2006

Burn motherfucker. Burn.


Às vezes dá vontade de iniciar a revolta armada, deixar de ver filmes
sobre assaltos a bancos e tomar a iniciativa. Afinal, o dinheiro não é exactamente dos
depositantes e existem seguros para isso, além de que ladrão que rouba a ladrão...

O telhado já está a arder e está. Quem precisa de água?

...
You Know it...

terça-feira, maio 09, 2006

Status report...

Já há muito que devia ter actualizado as Relações Sombrias e os Blog Links d'A Sombra, estes aqui à direita, mas só agora o faço, pelo que me penitencio junto dos que agora estão neles referenciados. Como podem não estar a par da "política de integração" d'A Sombra, passo a resumir:

Para evitar uma lista longa de blog links na página principal, tenho todos os blogs relacionados com A Sombra nas Relações Sombrias, ficando reservada a inserção na página principal (esta) apenas aos blog links que uso muito regularmente (alguns diariamente).
É um processo que se destina a "consumo interno", por isso o estruturei assim.
Quanto à divisão entre Sp (Specials), plm (Pour le mérite) e sem classificação, os últimos são os que só aparecem nas Relações Sombrias, os plm os que constam da página principal e os Sp aqueles que, também aqui, se destacam por motivos de amizade ou simpatia (ou empatia!) mais profunda.

Passemos à actualização:


Para os Blog Links Sp um velho amigo entra directamente. Esteve para ser um dos bloggers d'A Sombra nos idos de 2003 (e mais não digo). Irreverente incondicional, aguardo com expectativa a sua entrada na blogosfera, agora que decidiu entrar. Veremos se é desta!
O Gasparzinho diz Ide p'ra Fátima! (e eu acrescento: "Já!")



Pour le mérite (plm), temos entradas já há muito merecidas e uma directíssima (coisa rara, pois normalmente só acontece depois de um período apenas nas Relações Sombrias), a saber:

O pungente Caderno de Corda, do amigo e companheiro de lutas Davi Reis, que conquistou a minha admiração pela forma como está na blogosfera, de peito aberto. Coragem, sinceridade e raiva, por vezes, temperadas com humor inteligente. Tudo isto feito com o pêlo do cão. Já cá devias estar há muito, amigo.




As Ideias Fixas do Sá Morais (a que dei o epíteto de Samurai/s) é outra das agradáveis surpresas que tive recentemente e que já deveria ter entrado para os plm. A justiça é feita hoje a este excelente recanto, onde somos desafiados a usar o cérebro de várias maneiras (incluindo com imaginação). Bem vindo de novo, amigo Sá.




O Paredes Brancas, da Fatma, chegou até mim pela mão segura do António Baeta e está tudo dito. Lá vou sempre que preciso acalmar um dos meus demónios. E resulta. Não se tratando de uma entrada directa (já estava nas Relações Sombrias), conseguiu por mérito a inclusão na página principal d'A Sombra. É que começo a ir lá mais vezes...
Os demónios...



E, last but not the least... Sophia's. Às vezes as primeiras impressões são marcantes. Foi o que me aconteceu com o blog da Sofia. A primeira imagem que lá vi disse-me (quase) tudo. E fui voltando. E voltando. Depois a página 115 do Poesias Completas de Alexandre O'Neill... Mas a cerejinha foi o "sr. Rui". Pronto. Rendi-me.
Acho que me perdi na tradução. :)


E agora os blogs que passam a integrar as Relações Sombrias, junto com os que referi acima, que descobri recentemente e me ficaram na retina:

O Atento, de Manuel Gomes, que é isso mesmo; o Espumadamente, onde o Espumante convida a visitas demoradas (e de flute na mão!); O Homem do Leme, de João Melo Alvim (com que simpatizei de imediato - o Leme, na Foz, era a minha praia de infância!) que conseguiu captar-me (muito) para além do título e, finalmente, o Tempo Suspenso, de Pedro Nogueira, com quem partilho a paixão da sétima arte.

Agora as más notícias:

A Ana Anes "adormeceu" o seu Um Blog de Ana Anes. Espero que acorde em breve.
O Little Black Spot está em Stand-by, mas não adormecido! Calamidade! Aguardemos.

E pronto.
Também os Arquivos Completos d'A Sombra estão actualizados.
Apenas o Cinema para Indígenas está mal. Não consigo chegar lá e já estou em falta com quatro filmes... Miséria!

Um abraço a todos e bom trabalho.
RS

sábado, maio 06, 2006

Entusiasmos...






Speed is not how fast you can drive
But how fast your mind works

Rui Semblano




A sinistralidade nas estradas portuguesas já fez verter muito mais tinta do que sangue e, ainda assim, a maior parte dela quase se esgotou numa palavra: velocidade.
Ainda há pouco tempo, n'A Fábrica, recordava ao Filipe Pinto que o resultado de um choque entre dois veículos que se movem a 50 km/h cada é igual ao choque de um deles a 100 km/h contra um obstáculo imóvel. Culpar a velocidade pela desgraça que é a condução em Portugal é demasiado fácil.

O que não se diz, mas é a pura realidade, é que o verdadeiro motivo para tanto acidente é a distracção; a total despreocupação com que se encara o acto de conduzir. De facto, conduzir um veículo automóvel tornou-se tão banal como ver televisão ou falar ao telemóvel, sendo encarado como algo simples, fácil, corriqueiro. Algo que qualquer um pode fazer. As razões para tanto sangue derramado na estrada começam aqui.

Quantos de nós não ouviram já a desculpa "estava distraído" aplicada à condução? E quantos de nós não a usaram já? Eu já a usei, embora a minha distracção seja algo diversa, 99% das vezes. Em determinadas alturas, estou tão concentrado na condução que falho uma saída, um desvio no trajecto. Nesses momentos, não tento "corrigir" o "erro", o que poderia resultar numa manobra muito perigosa; antes deixo-me ir no fluxo. Por contra, a maioria dos condutores pensa demasiado no seu trajecto e quase nada na condução. E a maior parte dos que estão ao volante viaja como se fosse um passageiro, alheios à estrada em si e tão atentos à paisagem como os que com eles viajam no automóvel.

Milhares de vezes a minha esposa não consegue evitar um "olha isto" ou "olha aquilo", ao que invariavelmente respondo "olha tu", quando conduzo. Adoro conduzir, automóveis ou motos, mas quando conduzo só a estrada me importa. No final de uma viagem, recordo esta ou aquela curva, o pior asfalto aqui e o paralelo acolá, aquele cruzamento manhoso, mas não tenho memória de castelos, de aves nos céus ou de qualquer ponto de interesse nas paisagens que atravessei. Não me lembro de nada nem de ninguém que não estivesse directamente relacionado com a minha condução ou no meu campo visual.
E a minha prioridade é sempre a mesma em toda e qualquer viagem: chegar vivo e em segurança. Para mim, a estrada é um local perigoso e os veículos que nela circulam são verdadeiras armas, prontas a disparar. Tendo consciência de que a maior parte dos condutores não faz a mínima ideia do que está a fazer, conduzindo como quem está a ver o Travel Channel, isto é, como quem está a fazer outra coisa qualquer, obrigo-me a ter atenção por mim e por eles.
Um exemplo:
Em condições de perfeita visibilidade, vejo um camião TIR que se desloca em sentido oposto a mim com um automóvel colado a ele. Eu vejo-os ambos e eles devem ver-me, mas reajo como se não fosse assim porque sei que a maior parte das vezes não é assim. A possibilidade de um dos condutores ir completamente distraído é assustadoramente elevada para que a ignore. O TIR dá sinal que vai encostar à berma e abranda; estou a aproximar-me e "sei" o que vai acontecer. O condutor do automóvel atrás do camião, apercebendo-se da sua eminente paragem, sai da sua traseira como se não houvesse mais ninguém na estrada. Se eu não "soubesse" que ele ia fazer aquilo, teríamos chocado frontalmente.

É um processo esgotante e que requer toda a concentração. Não atendo telemóveis, mesmo com o sistema de mãos livres, e raramente converso. Sinto-me como um piloto de caça em ambiente hostil e, a cada vez que chego ao destino, fico feliz por ter conseguido escapar mais uma vez, agradecendo aos céus e ao carro ou moto que conduzi (falo com eles como se fossem capazes de me entender).

Um veículo automóvel é uma arma.
Enquanto não se agir em conformidade, continuarão a morrer muitas pessoas nas nossas estradas, porque conduzem como se não fosse assim, porque não sentem que têm uma arma nas mãos e, com ela, a responsabilidade inerente ao porte e uso de arma. Conduzir nas estradas de Portugal é como ir à caça com um bando de distraídos que não faz ideia do que é uma caçadeira ou uma carabina e que, de vez em quando, disparam sem saber como e matam alguém, dizendo "Oops! desculpem lá! Estava distraído!".

Da próxima vez que conduzirem em viagem, mesmo curta, lembrem-se de que estão a atravessar uma zona de guerra, cheia de gente armada e inconsciente. Se assumirem essa atitude poderão não recordar nada das paisagens que percorreram, mas as probabilidades de chegarem vivos aos vossos destinos aumentarão dramaticamente.
E se quiserem ver as vistas ou conversar muito pelo caminho, por favor, vão de combóio.

Rui Semblano




So let's be careful out there.
Keep your eyes on that road.




Sukhwinder Singh, Sapna Awasthi feat. Panjabi Mc
Chaiyya Chaiyya Bollywood Joint - Inside Man ost

sexta-feira, maio 05, 2006

O bom vizinho...



Todos deveriam ter tido um vizinho assim.
Ao menos uma vez.



Joe Hisaishi - The Path of Wind - Tonari No Totoro [ost]


Ontem desapareceu mais um velho amigo.
O tempo não pára...
Já aproveitaram o vosso, hoje?

terça-feira, maio 02, 2006

Dorothy, tu é que tinhas razão!

Seja lá como, onde ou quanto tempo esteja fora,
não há nada como chegar a casa. :)

Uma boa semana a todos.

segunda-feira, maio 01, 2006

Mayday! Mayday!


A data de hoje tem um significado cada vez mais insólito, dadas as alterações que se deram no mundo do trabalho.
Há quem afirme que o fim dos contratos de trabalho estáveis, a conversão dos sindicatos em clubes de campo e a globalização aplicada ao livre trânsito de empresas e trabalhadores mais que a bens e serviços veio terminar de vez com o conceito de "classes". Talvez Marx fosse incapaz de reconhecer as classes sociais de hoje, mas que existem ainda é um facto.
Têm é outros nomes.
As finalidades, porém, mantêm-se.
Agora cruzem os bracinhos e repitam:
- Está tudo bem. Está tudo bem.



Zeca Afonso - Maio Maduro Maio - Cantigas do Maio



.....Editado e publicado em Al-Baiaz, cortesia de Gil Marques Carvalho.

domingo, abril 30, 2006

My God! It´s full of stars!

É o que sinto ao olhar o céu em noites como esta, por Terras do Falcoeiro!
Sempre fantástico! São milhares. Milhões!

Já tinha saudades.

(Um abraço aos que por aqui passam!)

Editado e publicado em Al-Baiaz, cortesia de Gil Marques Carvalho.

sábado, abril 29, 2006

Weekend...




Lá vou eu com os boiões de vidro para a minha sogra encher de fruta e da aguardente do meu sogro! Estarei por Terras do Falcoeiro até segunda-feira, mas andarei por perto, graças ao meu cunhado.
E darei um pulo a Tomar, naturalmente, para o habitual café no Paraíso.

Bom fim-de-semana!

Ah! A disposição mudou.
Listen to Shadow's Mood (updated).