sexta-feira, agosto 15, 2003

Tragédia Comum

(continuação da entrada "A Democracia, esse mito", abaixo)
Da Liberalização, da Democracia e dos seus Espelhos

(em relação a uma sugestão do Liberdade de Expressão, levemente analisada na sua entrada "O Ambientalista Liberal I")

Da gestão dos bens comunitários em democracia.
(ver "The Tragedy of the Commons", por Garret Hardin, 1968)

2. Mezzo

Garret Hardin faz uma análise hoje já considerada clássica do problema da sobrepopulação no mundo (isto em 1968), que inicia com um apanhado de referências que vão desde a lógica da corrida ao armamento, durante a Guerra Fria, ao jogo do galo (tic-tac-toe), passando pelo "dilema do prisioneiro" e variantes do mesmo, como o dilema do "pasto comunitário" (ver notas em rodapé, nesta entrada).

Desde logo, Hardin considera o problema do excesso populacional como pertencente à classe dos que "não têm uma solução técnica", sendo este tipo de problemas definidos como aqueles para os quais a tecnologia não apresenta soluções.
Hardin trata o excesso de população como uma praga incontrolável, capaz de exaurir todos os recursos naturais, se prevalecerem os direitos do homem, tal como ainda hoje os conhecemos. A sua aversão pelas Nações Unidas, pelo Estado Providência e pela Democracia são dignos dos melhores textos fascistas publicados no século XX.

Sobre o direito de usufruto dos bens considerados comunitários, dá o exemplo das Reservas Naturais. Diz ele que, ou cessamos de as tratar como bens comuns ou elas deixarão de ter qualquer valor enquanto tais.

"(...) Que devemos fazer? Temos várias opções. podemos vender as Reservas ao sector privado. Podemos mantê-las como património do Estado, mas transferir a sua exploração para o sector privado ou mesmo atribuir o acesso a elas segundo princípios discriminatórios, que seriam, por exemplo,
a) a riqueza de cada um, em que o direito de entrada seria leiloado,
b) o mérito, em que este seria definido por parâmetros concensualmente aceites,
c) a lotaria, em que se sorteariam os felizardos a entrar,
d) a limitação da entrada aos primeiros a chegar, implicando a gestão de longas filas de espera.
Todas estas abordagens são questionáveis, mas temos de escolher - ou condescender na destruição do bem comunitário que são as Reservas Naturais. (...)"


Sendo um texto de 1968, até custa ter de o rebater.
Seria um pouco como tentar, hoje, rebater um daqueles estudos proféticos, escritos pela mesma altura, em que se previam auto-estradas nos céus e domésticas robotizadas para o ano 2000.

Também no que toca à poluição, Hardin avisava que a capacidade regenerativa da Natureza já não suportava os danos que lhe eram feitos.
A máxima "Água corrente purifica-se a si mesma a cada dez milhas" já em 1968 não se aplicava.
Outro bem comunitário ameaçado pela comunidade como, aliás, todos os recursos naturais, em especial as fontes de alimentação.

A este respeito, citando J. Fletcher (in Situation Ethics, de 1968), escreve:
"A moralidade de uma acção é determinada pelo estado do sistema na altura em que é cometida". E exemplifica:

"Há 150 anos atrás, podia matar-se um bisonte apenas para lhe extrair a língua, para fazer um jantar, abandonando a carcaça do bicho para apodrecer, sem que houvesse nisto algo de desperdício. Hoje em dia (1968) , quando restam apenas algumas centenas de bisontes, ficaríamos chocados com tal comportamento."

O pobre Hardin escrevia em 1968, mas mesmo que o tivesse feito em 1868 ou em 1768, não teria o mínimo de razão. E deveria saber que os nativos da América do Norte sempre consideraram este tipo de comportamento não só chocante como criminoso. Infelizmente, em 1968, já poucos mais nativos norte-americanos existiam do que bisontes, nos EUA.

Segue este ensaio fascizóide em jeito de apologia do liberalismo como garante de bens comuns que apenas deixando de o ser poderão prevalecer.
Quanto a isto, nem vou comentar. Apenas dizer que pretende algo como "Antes cem obras de arte numa cave de um castelo que duas num museu do Estado". Mais ou menos aquilo em que Göering acreditava, coitado.

Termina Hardin com esta conclusão deveras espantosa, regressando ao tema de fundo da sua intervenção, a explosão demográfica incontrolada:

"A única forma de preservar e desenvolver mais e melhores liberdades é prescindir da liberdade de procriar, e isto o mais depressa possível. "Liberdade é o reconhecimento da necessidade" -- e é o papel da educação revelar a todos a necessidade de abandonar o direito a procriar. Apenas deste modo poderemos colocar um ponto final neste aspecto da tragédia dos "bens comunitários/comuns/plebeus". (1)

Heil Hardin!

(1) Uma das características deste ensaio de Garret Hardin é a ambiguidade do termo "Commons" em inglês. Dá para quase tudo.

nota:
Nos exemplos citados por João Miranda, na entrada mencionada acima, surgem alguns equívocos, como a tradução de "Tragedy of the Commons" por "Tragédia dos Comuns" (note-se que o título da presente entrada, "Tragédia Comum" apenas é inspirada pelo estudo de Hardin, não é uma tradução) ou a afirmação "Antigamente, em Inglaterra, as aldeias tinham pastagens comunitárias. Cada aldeão podia colocar nessas pastagens quantas ovelhas tivesse", quando Hardin aponta o exemplo do pasto comunitário como mais um exercício teórico sobre uma variação do dilema do prisioneiro (será melhor manter o pasto ou aumentar o rebanho? melhor o bem privado ou o público?).

Apesar de algumas falhas, porém, o Liberdade de Expressão aponta (e bem, quanto a mim) que, de um modo geral, os privados cuidam melhor das suas propriedades que o Estado das públicas.
No entanto, o próprio Hardin chama a atenção para um facto importante: o dom da gestão eficiente não é hereditário, isto é, nada garante que uma propriedade privada seja igualmente bem gerida durante gerações.
Neste aspecto, o público tem a vantagem de ser gerido por quem a comunidade escolhe, ou seja, em caso de má gestão, o período até uma nova é mais restrito e, de toda a forma, os gestores são nomeados por mérito e não por direito de sangue. Mas este mérito e a forma como são nomeados é, ou tem sido, o cerne da questão. (ou será o "cherne" da questão?)

Continua...
(there's some more to follow. Stay tuned.)

Este texto compõe-se das entradas:
1. Intro - A Democracia, esse mito.
2. Mezzo - Tragédia Comum.
3. Finale - A expansão da loucura.

A Democracia, esse mito

Da Liberalização, da Democracia e dos seus Espelhos

(A propósito de algumas entradas em blogs sobre o papel actual do Estado no que toca à Providência, seja pelo RMG, pela gestão florestal ou pela relação de Portugal com a UE. Resumindo: sobre o tipo de Estado em que vivemos.)

1. Intro

As criticas ao Sistema em que vivemos são as mais variadas e coloridas. Algumas mesmo bem documentadas, com referências a documentos interessantes, cheios de considerações que, independentemente do agrado que nos provocam ou não, têm o mérito de nos pôr a pensar; o que não é nada mau.

O Sistema em que vivemos tem um nome curioso, que apenas aos incapazes de raciocínio não faz rir, seja pela ironia, seja pela tragicomédia que encerra:
Democracia.

Mas que democracia?
Desde logo, convém desfazer um mito que tem circulado na nossa sociedade (e refiro-me à Europa), originado num restrito e maniqueísta nicho, que se tem vindo a repercutir em círculos cada vez mais alargados:
O de que a Democracia que conhecemos na Europa tem tudo a ver com a norte-americana, seguida, rapidamente, da doméstica conclusão de serem os valores portugueses idênticos aos norte-americanos.
Serviu isto de suporte ao tristemente célebre e redutor "connosco ou contra nós", aludindo a uma escolha, de facto descabida, entre o Iraque déspota e os Estados Unidos democratas.
Na realidade, a este respeito, existem duas constatações que são indesmentíveis:
A primeira, que a democracia nos EUA é substancialmente diferente da europeia (os apregoados "valores comuns" que, supostamente, nos unem são muito menos que os "díspares" que nos separam).
A segunda, em sequência directa da anterior, que a democracia europeia (da qual a portuguesa é uma mera variante), bem como a norte-americana, bem entendido, não passa de uma caricatura.

Quantos de nós se riram com a "Mafalda", de Quino, quando esta descobriu o significado e origem da palavra "democracia" num dicionário? E quantos de nós ainda hoje se riem? Eu já não me rio.
A democracia que conhecemos hoje é mais uma bola de borracha, que serve para tudo menos para cumprir os seus próprios fundamentos, a saber: o poder de decisão dos governados sobre os governantes e os seus actos.
É precisamente nesta componente, "e os seus actos", que está o problema.

Falemos de Portugal, então.
Os sucessivos Governos, desde o 25 de Abril de 1974, terão sido eleitos democraticamente? Em princípio sim. Mais, sobretudo "no" princípio, quando a afluência às urnas era grande. O que se tem verificado é que tal afluência tem decrescido. Mas tal parece estar a inverter-se. E, curiosamente, não no número de votos atribuídos aos partidos, mas aos que não são atribuídos aos partidos.
Aos votos em branco.
Imaginemos que, em lugar da abstenção, se verificava uma votação em branco do mesmo nível desta. O que sucederia? Pois nada. É ver-se, a cada ronda eleitoral, a importância dada aos votos em branco e às abstenções.
Pessoalmente, que não abdico do meu direito de voto e o faço em branco como forma de protesto, por não me rever nas forças em presença, fico aborrecido por ver como comentadores e analistas dão maior importância aos que não querem saber do seu direito de voto para nada do que aos que votam em branco.
E se por cada "x" votos em branco existisse uma cadeira vazia no parlamento?

Em bom português, estou-me borrifando para os que não se dirigem às urnas. Para eles, é indiferente quem os governa. Ao votar em branco, pelo contrário, eu e muitos como eu estão a dizer, bem alto, que não nos é indiferente quem nos governa, mas antes que quem concorreu às eleições não nos merece a confiança para governar.
Este tipo de voto devia ser importantíssimo, pois é ele que mede o nível de descontentamento da sociedade com a classe política (e não os níveis de "assim-assim" das sondagens). Devia ser um factor de pressão, pois, a partir de uma determinada percentagem, impossibilitaria a constituição de uma nova legislatura, obrigando os políticos a pensar - de verdade - o que correu mal e a tentar corrigir esses aspectos.
Serão os candidatos? Será o programa? Será o quê?

Vejam-se os recentes fogos florestais.
Todos os quadrantes políticos, do BE ao CDS/PP, tentam tirar dividendos desta tragédia e não se vão esquecer de a mencionar, cada um a seu modo, nas próximas eleições.
"Porquê?" não é a pergunta, mas sim "Porque não?".
Vai ser "giro", estará "na moda", será parte "sine qua non" de qualquer campanha que se preze, mas nada mais que isso. No final de contas, o que importa é que existam mais cruzinhas no "martelinho" que na "setinha", na "estrelinha" que na "rosinha", na "laranjinha" que na "mãozinha".
Depois, feito o Governo e terminada a "dança das cadeiras" no parlamento, o povinho tem é de estar calado e aguentar uns anitos, mesmo que o resultado das eleições, em termos de acção do Governo, mal recorde o programa eleitoral que, supostamente, o elegeu. E quanto aos deputados, incluindo ministros, é o mesmo. Ainda que não sejam quem se pensava que eram, há que aguentá-los até ao fim.

Veja-se o escândalo que foi um chefe de estado-maior ter demonstrado falta de confiança no "seu" ministro! Parece que a confiança se exerce apenas de cima para baixo, isto é, que se um primeiro-ministro declarar ter perdido a confiança no povo português, teremos de mudar todos de país...
Mas, alto lá! Aí vem a bola de borracha! (cuidado com as cabeças!):
O povo é "quem mais ordena", ou seja, nós estamos acima dos que elegemos, por via dessa condição! Está claro. O primeiro-ministro não tem esse direito.
Mas, então, nós podemos mandar passear o primeiro-ministro!
(Cuidado com a bola!):
Não! Alto aí! O primeiro-ministro é o chefe de Governo e comanda todos os portugueses! Não se pode pôr em causa a sua legitimidade.

Neste ponto, aquele miúdo esperto do 3º ano do primeiro ciclo levanta a mão e pergunta: "Desculpe, mas se foi o povo que o legitimou, qual a sua legitimidade para se sobrepor ao povo?"
A bola de borracha atravessará a sala, vinda ninguém sabe de onde, e, ao levantarmos as cabeças, verificaremos que o miúdo desapareceu, enquanto o primeiro-ministro, ajeitando o fato, dirá: "Next question, please? CNN, yes."

É esta a nossa "democracia".
E não me falem de "Democracias Directas" ou "Indirectas".
Ou há democracia ou não.
Uma vez que não a temos, deviam-lhe chamar outra coisa, mais aproximada ao que existe no seu lugar. Tecnocracia ou Autocracia ou Mediocracia...
Mas nunca Democracia.

Continua...
(there's more to follow. Stay tuned.)

Este texto compõe-se das entradas:
1. Intro - A Democracia, esse mito.
2. Mezzo - Tragédia Comum.
3. Finale - A expansão da loucura.

Et tu, Brute.

Lido em Abrupto:

--- quote ---

(...)
É minha intenção manter os leitores do Abrupto
informados de como evolui este caso.

--- end quote ---


Isto a propósito de notícias que surgiram em alguma comunicação social, levantando suspeitas quanto à honestidade de José Pacheco Pereira, no que toca ao fisco, que originaram uma série de entradas no Abrupto, normalmente assinaladas "Também ele".

Quanto a mim, a vida de cada um a si próprio diz respeito.
Este tipo de atitude, que excede a reacção natural de quem "é filho de boa gente", não revela que algo vai mal no reino do Abrupto, mas, apenas, que JPP continua a mudar lâmpadas limitando-se a ergue-las e a esperar que o mundo faça rodar o casquilho...

Alguém lhe devia explicar que, assim, não funciona.
Copérnico, tão esquecido nos dias de hoje, seria um bom princípio.

quinta-feira, agosto 14, 2003

"How Nevena found you"...

Enviado por Radmila Milinkov (Rada):
(endereço de e-mail omitido por se tratar de mensagem particular)
My Two Second Shelf Life

--- quote ---

Hi,
I thought I'd just solve the mystery for you.
I have a link to "Random Blogs" and often I just visit the blogs that come up when I click on the link.
I remember visiting your blog, but alas...could not read it, because I only have two languages, English and Serbian.
I hope you continue to visit though...

Rada

--- end quote ---


Está explicado o mistério.
Mas a dúvida permanece e amplifica-se: culpar o Canadá ou a Sérvia?
Aposto que Paulo Portas, esse crâneo, teria uma resposta pronta.

note:
Mistery solved.
We will place My Two Second Shelf Life as a permanent link under our "Blogosphere" list. Your blog is interesting enough and Melissa was a bit lonely, anyway. :)

So Rada, meet Melissa; Melissa, meet Rada.

note2:
And of course we will keep on visiting you, Rada.
We're kind of a "second shelf" ourselves... :)

Blame Canada


To our illustrious visitor from Canada, whose hit originated from
the Nevena 1 blog, our warm welcome and a puzzling question:
How and why did you manage to get here?

note:
Through out the whole Nevena 1 blog there seems to be
no direct link to our blog whatsoever!
Mind you, this one we do blame on Canada! :)

Best regards,
RS

Anagrama


Acabo de verificar que ARNOLD é um anagrama de RONALD!
Será isto um bom ou um mau sinal?
Hmmm... I wonder...

nota:
Reagan e Schwarzenegger... Bom, só com muita imaginação!
E daí... O certo é que, depois de Dubya (1), Reagan nem parece mau de todo!

(1) "Dubya" - carinhosa alcunha de George W. Bush, onomatopeia inglesa de W., para diferenciar do papá, que não o tinha. O "dubya".

Outra derrota não, por favor!


Com a troca de ideias entre A Sombra e outros blogs sobre os incêndios, passou-me da ideia editar uma entrada sobre um (des)dito de José Manuel Fernandes (mais um), em editorial do Público de 11Ago2003, p. 5, intitulado, singelamente, "Schwarzenegger".

Avisa JMF que não se deve substimar Arnold, não vá ele ser outro Ronald.
Mas não só!
Avisa, sobretudo, que ser subestimado é uma vantagem, em política, rematando da seguinte forma: "George W. Bush também passou a vida inteira a ser subestimado..." (sic)
Por favor! Qualquer coisa, excepto outra derrota vitoriosa!
Ao menos que este ganhe mesmo as eleições.
Sempre se podem culpar os eleitores...

nota:
Bem que avisei JMF que estava a desatinar.
Ei-lo de volta em grande estilo. Assim é que é! Assim até parece ele.

terça-feira, agosto 12, 2003

Fogos bons


À boleia do Mestre de Aviz, descobri num blog, que já visitava esporadicamente, um texto sobre o tema dos incêndios florestais que alerta para os problemas já mencionados n'A Sombra e em outros blogs (ver entradas abaixo), mas que salienta um facto do qual raramente nos recordamos: a dos fogos provocados pela própria Natureza como parte do seu ciclo normal de revitalização e regeneração.

Falo da entrada "O Fogo é bom" (título polémico para um texto magnífico) e encontra-se n'A Aba de Heisenberg.
Merece uma leitura atenta e uma reflexão condigna.


nota:
Por via deste texto de Paulo César Simões, A Aba de Heisenberg passa a figurar na nossa lista permanente de Blog Links.
Aos bloggers d'A Aba de Heisenberg, o nosso abraço.

Pel'A Sombra,
RS

Contextos


Lido em Liberdade de Expressão:

--- quote ---

(...) Este post do Rui
("Espírito industrial", mais abaixo) muito interessante. O Rui tira do contexto uma frase dita a propósito de subsídios estatais. Estes subsídios estatais são dados para replantar pinheiro e eucalipto que os proprietários não conseguem proteger dos fogos. São estes subsídios que estão a alimentar os incêndios e que impedem que o pinhal e o eucaliptal revertam naturalmente para o Maquis Mediterrânico. O Maquis Mediterrânico não é floresta e por isso, se o objectivo é voltar a um dos ecossistema primitivo do país, a área florestal que existe hoje terá que ser substancialmente reduzida.

--- end quote ---


Caro João Miranda (Liberdade de Expressão),

Para evitar este tipo de comentário, se bem se recorda (e os leitores d'A Sombra, também), alertei para a necessidade da leitura integral das entradas dos blogs que comentei (ver Link acima, "Espírito industrial", entrada de 09Ago2003, n'A Sombra). Não me limitei a retirar uma frase do contexto, mas percorri várias entradas do Liberdade de Expressão relativas a este tema, e nelas encontrei sempre a vertente económica como vector fundamental da manutenção florestal, o que me parece incorrecto: como ironizei antes, a ser assim, excluindo os factores ideológicos e sentimentais, daria muito mais lucro o abate integral da Amazónia que a sua protecção.

Para esclarecer esta constatação, que muito gostaria estivesse errada, agradeço uma resposta a esta pergunta:
Se a reposição do macquis mediterrânico (nas áreas em que é devido) e a ordenação correcta da restante floresta nacional não são actividades lucrativas, deverão ser realizadas ou não? E, em caso afirmativo, por quem?

Quanto a outros esclarecimentos, e porque não gosto de comentar opiniões alheias sem expor as minhas, recomendo a leitura da entrada imediatamente anterior a esta, "Fogo de vista".

Saudações,
sempre pel'A Sombra,
RS

nota:
Sem querer mais que corrigir um lapso de escrita, chamo a atenção para o facto de este blog não se intitular "o Sombra" ou "Sombra", mas A Sombra. There is a difference. :)

Fogo de vista

(*) Actualização em rodapé

Já tanto se disse (e continua a dizer) sobre a catástrofe que se abateu sobre as nossas florestas e, porém, não vejo o Governo a actuar como seria de esperar, ou seja, de acordo com uma situação de calamidade pública.
Claro que, aparentemente, as medidas mais urgentes estão a ser tomadas, como as indemnizações aos que perderam gado e pastos, mas não vejo que as férias parlamentares tenham sofrido alterações. O país arde e a Assembleia da República continua de tanga, ao melhor estilo Silly Season. Tira-se um livro branco da cartola (mais um...) e pronto.

Algumas pessoas mais esclarecidas, como um autarca, também chefe dos bombeiros, presente no debate de domingo passado na RTP 1 (lamento não recordar o seu nome) vão alertando para se começar, desde já, a discussão sobre as medidas a tomar futuramente para evitar que um descalabro destes se repita. E vai avisando (muito bem) que nessa mesa só deverão ter assento os que têm sólidos conhecimentos na matéria e não quem não sabe "distinguir um eucalipto de um chaparro" (sic). (ver actualização abaixo)

Isto terá impacto positivo na essencial reordenação das zonas florestais e, chegada a hora, na reflorestação das áreas queimadas. Como disseram alguns bloggers, embora pecando por falta de tacto ou excessivo sentido de negócio (ver entrada "Espírito industrial", n'A Sombra), as nossas florestas são, também, resultado de políticas de rentabilização industrial (resinas, papel e a própria madeira) do tempo de Salazar, altura em que factores como o impacto ambiental ou a prevenção eram secundários ou, simplesmente, ignorados, não só em Portugal como em quase todo o mundo.
Excessos foram cometidos nessa altura, mas excessos continuam a ser cometidos hoje, quando as preocupações mencionadas acima já são um factor de primeira ordem... no papel.

Entre as medidas que poderão ser tomadas, as principais têm a ver com a prevenção. Dotar os bombeiros e a protecção civil de mais e melhores meios é fundamental, mas a Natureza ri-se dos nossos esforços para a domar e, quando decide reduzir-nos à nossa insignificância, apenas podemos minorar a extensão dos danos. Este Verão, em Portugal, nem o mais numeroso e melhor equipado corpo de bombeiros florestais profissionais poderia fazer muito mais do que fizeram os verdadeiros heróis e heroínas que combateram e combatem ainda as chamas nas nossas florestas.
Importa, pois, colocar o ênfase na vigilância e nos meios de primeira intervenção, ainda considerada preventiva, na fase inicial dos fogos, bem como numa exigente política de ordenamento e reflorestação, com especial incidência nos terrenos particulares.
Precisamos de nova legislação? Que seja feita.

A aplicação acertada de verbas para este fim implica uma selecção rígida de prioridades e uma gestão de recursos muito acima da que temos testemunhado, incluindo a de recursos militares. Estes, quanto a mim, devem assumir um papel de primeira linha na vigilância das florestas, enquanto se cria um verdadeiro corpo de guardas florestais e outro de bombeiros florestais, ambos profissionais, numerosos e bem remunerados. Um país com a nossa área verde não pode continuar a depender de meia dúzia de voluntários, por mais excelentes que sejam, para controlar tanta floresta. Quanto à atribuição de meios de combate a este tipo de incêndios à Força Aérea, eles serão sempre bem vindos, mas não poderão dispensar um ainda mais forte investimento nesta área no âmbito da própria Protecção Civil, que é a entidade que deverá dispor de meios deste tipo adaptados, especificamente, ao combate e controlo de fogos florestais. E esse controlo não é um trabalho "de Verão"! É antes dele chegar que se evitam as condições de risco que aumentam as probabilidades da ocorrências de fogos nas florestas, pelo que os necessários corpos profissionais de guardas, bombeiros florestais e Protecção Civil terão trabalho (e muito) todo o ano!

E estas condições, meios e serviços terão de ser assegurados pelo Estado, pagos por todos nós, pois dar ao sector privado esta responsabilidade equivale a regar o que resta de verde com gasolina e atirar-lhe um fósforo. Que ninguém se iluda com isto; acreditar que uma empresa privada cujo ramo de actividade seja o combate ao fogo ficará maravilhada com longos períodos de inactividade é irracional. Esta responsabilidade terá de ser de uma entidade que lucre muito mais com a inexistência de fogo do que com a sua ocorrência. Apenas o Estado cumpre este requisito.

Este tipo de medidas têm de ser implementadas desde já. O resto, como prender uns poucos pseudo-pirómanos ou proibir o lançamento de alguns foguetes, não passa de um irrisório, ridículo e trágico fogo de vista.

nota:
Ver entrada acima sobre o comentário à Sombra
publicado em Liberdade de Expressão.


(*) Actualização (em 16Ago2003)

Com o nosso pedido de desculpas e agradecimentos ao Paulo César Simões
(A Aba de Heisenberg) pela tardia actualização desta entrada com a informação que, gentilmente, nos enviou por e-mail (transcrita mais para diante, n'A Sombra).

"(...) O autarca é Jaime Soares, da Câmara de Poiares.
É o presidente de camara mais antigo do país (30 anos de serviço)
e é chefe dos bombeiros há 42 anos. (...)"

Fica o esclarecimento e a menção do nome do autarca que mencionei no texto acima.

domingo, agosto 10, 2003

Era mais napoleónica


Existem, de facto, algumas buscas curiosas, que trazem estranhos visitantes à Sombra. Como a análise deste fenómeno é prática normal na blogosfera lusa, tinha prometido a mim mesmo ter outra atitude, não por a achar descabida - por vezes tem mesmo piada - mas pelo carácter d'A Sombra, onde os visitantes esperam (espero eu) encontrar algo mais.

Já por duas vezes aderi ao "blog-costume" de saudar visitantes exóticos, por ter achado a ideia simpática, pelo que foi criado um precedente que aproveito agora, mas não para enumerar o rol de buscas incríveis que trazem desconcertados visitantes a esta Sombra, que depois me entretenho a eliminar manualmente das estatísticas do GoStats.
Destina-se esta entrada, apenas, a prestar um esclarecimento a um visitante reincidente que, mais que desconcertado, deve andar completamente perdido n'A Sombra.

Caro amigo (ou cara amiga) em busca de "era+napoleonica", garanto-lhe que nada existe neste blog que o ajude, por isso escusa de cá vir a cada vez que A Sombra lhe surge nos resultados do Google. A julgar pelo número de vezes que cá veio parar, atrevo-me a sugerir que não busque mais. Pare. Vai ver que, quando menos esperar, a era napoleónica lhe cai em cima. De resto, espero que tenha apreciado esta Sombra e aqui se refresque mais vezes; adoramos "invasões" dessas, mesmo não sendo francesas.

Pel'A Sombra,
RS

nota:
O Fabien e o Zé Mário é que são os culpados disto tudo!

Melo


No seguimento da entrada anterior para que alguns se recordem que a blogosfera se escreve, principalmente, numa outra língua que o português, Melo, o blog de Melissa Lorenzen passa a estar direccionado, em permanência, n'A Sombra.
Mas não em Blog Links.

A nova categoria em que Melo se encontra chama-se Blogosphere. Outros se juntarão a ele, quando tal se justificar. E não. Não foi A Sombra que inventou o termo.

note:
In case you fly by, Melissa, know that
you're now permanently linked to the Shadow. :)
Have a nice flight.

Mellow


(My love must be a kind of blind love...
I can't see anyone but you.)

Are the stars out tonight
I don't know if it's cloudy or bright
I only have eyes for you, dear...

The moon may be high
But I can't see a thing in the sky
I only have eyes for you
I don't know if we're in a garden
or on a crowded avenue...

You are here
And so am I
Maybe millions of people go by
But they all disappear from view
And I only have eyes...

For you.


(in For Collectors Only, The Flamingos - Collectables - 1992)

Mais um Standard fantástico...
Isto começa a ser concorrência desleal ao Valete.

Recordo esta doce melodia, a propósito de um blog
inserido num site "delicioso".
A propósito, por se chamar... "Melo".

Melissa Lorenzen, a sua bela autora, assim o define:

"If only we'd stop trying to be happy
we'd have a pretty good time."

(Edith Wharton)

Eis duas sugestões a explorar:

O Blog, propriamente dito.
A "estranha" página dedicada a Dubya. (1)

Aproveitem a sugestão, se puderem.
Vale a pena.

Mellow, adj. (of people or behaviour) Wise and gentle through age or experience. - (port.) sem correspondência directa.
Melo, abr. Melodic - (port.) Melodioso

(1) "Estranha" por ser feita por uma norte-americana. Deve ser um membro de uma célula da Al-Qaeda... Mas, então, porque não está "adormecida"?

Mesmo um relógio parado...

... está certo ao segundo duas vezes por dia.

É por essas (e por outras) que continuo a visitar o blog de
José Pacheco Pereira. Dois exemplos:

ENTRE A DESRESPONSABILIZAÇÃO E A BOÇALIDADE
publicado a 09/08/03, 13:40
e
FLASHBACK
publicado a 07/08/03, 23:21

nota:
Lamento não dispor dos links directos para as referidas entradas, mas o Abrupto não parece estar a funcionar segundo este princípio. É pena.

Ausências


A ausência de Sevinate Pinto desta "reunião" não foi
um mero acaso ou esquecimento.
A este propósito, leia-se o Editorial do Público, de 09Ago2003,
assinado por Manuel Carvalho.

sábado, agosto 09, 2003

Espírito industrial

(*) actualização no final da entrada

As rondas pela blogosfera têm destas coisas.
Ainda a limpar as lágrimas e com o estômago à beira de um ataque de cãibras, após uma visita ao Valete Fratres!, fui espreitar duas entradas de outros blogs aí propostas e perdi a vontade de rir. Ao ler esses blogs, deparei com algumas considerações espantosas a propósito dos incêndios florestais em Portugal.
Para não ser acusado de descontextualizar, sugiro a leitura integral das entradas que vou mencionar, através dos links existentes abaixo.

Lido em O Comprometido Espectador:

--- quote ---

Não quero parecer insensível. E muito menos desrespeitar a memória das onze pessoas que já morreram nesta vaga de incêndios. Mas parte da floresta portuguesa que está a arder está a arder muito bem. (...)

--- end quote ---


Este "espectador" (as aspas acompanham a ironia do autor do blog, já que nenhum "espectador", principalmente um "comprometido", escreveria um blog) menciona a origem artificial da maior parte da floresta de pinho portuguesa (não menciona o eucalipto, aparentemente ignífugo) herdada do salazarismo. Aponta, ainda, para a impossibilidade de manter estes "horrores", que são as florestas do interior, pela falta de gente que os mantenha, que assegure a sua manutenção, por contraste com as "maravilhas" que não carecem desse serviço para se manterem, como as searas e os montados alentejanos. Portanto, segundo ele, é deixar arder a parte que arde, não quantificando a mesma.
Quando se escrevem certas barbaridades, como "parte da floresta portuguesa que está a arder está a arder muito bem", não há nada que as desculpe, principalmente protestos de sensibilidade à laia de prefácio.
Não se querer parecer insensível é, apenas, um voto de quem não tem sensibilidade.
A sensibilidade não é um objectivo a atingir por etapas.
É algo que se tem. Ou não.

Lido em Liberdade de Expressão:

--- quote ---

(...) A floresta portuguesa é uma plantação artificial e insustentável. Existem incentivos para a renovar após cada incêndio, mas não existem condições para que ela se mantenha com as dimensões actuais porque não existem pessoas interessadas em conservá-la. E por isso, a floresta é vulnerável a incêndios e representa um perigo para a saúde e para a vida das populações.

--- end quote ---


Ao contrário de alguns "comprometidos", o Liberdade de Expressão acertou na mouche ao baptizar o seu blog. Em democracia, nada a dizer. Cada um diz (e escreve) o que lhe apetece. Mais um adepto do abate da área florestal existente para dimensões proporcionais à população rural - não li neste blog o elogio do belo macquis mediterrânico, uma paisagem tipicamente transmontana, como todos sabemos - com o acréscimo de fazer depender a existência de florestas de interesses económicos.
A confirmá-lo, esta enormidade: "As actividades florestais devem ser economicamente sustentáveis. Não basta que sejam ideológica ou sentimentalmente sustentáveis".
Pronto. Está justificada a destruição da Amazónia. Entre o lucro de ter aquela madeira toda ali parada a apodrecer à chuva e ao sol ou cortá-la toda às tábuas, a escolha, para este senhor, é óbvia. Salva-se, no Liberdade de Expressão, o não existirem lágrimas de crocodilo. Sensibilidade não é um factor. Já o lucro, perdão, o economicamente sustentável...

nota:
Congratulo-me por viver num país onde os que assim escrevem e pensam o fazem invocando um direito que lhes é inteiramente extrínseco.
Plaudite, cives!


(*) actualização (10Ago2003, 02:50)

To set the record straight:
De facto, apenas a entrada d'O Comprometido Espectador estava referida no Valete Fratres!, mas foi através dela que cheguei ao Liberdade de Expressão.
Fica o registo.

Jeunesse


Extractos memorizados de uma conversa telefónica (*)

FJ - he he he...
RS - Estava mesmo a ver... Era suposto estares em férias.
FJ - he he he...
RS - O link não foi lá muito súbtil...
FJ - he he he...
RS - Estás a rir porque pensas que não vou reeditar a tua entrada.
FJ - ...
RS - Só uma pergunta. Pensaste duas vezes?
FJ - Três.
RS - Ok. Just checking.
FJ - Olha lá. Não vais alterar-me o post, pois não?
RS - he he he...
FJ - Rui?
RS - You know... "Blogging is a contact sport"?
FJ - I don't need parental guidance!
RS - Às vezes pergunto-me...
FJ - Bah... A esta hora já o post circulou. Tens de pensar na reputação do blog.
RS - ...
FJ - "Não retirar entradas, bla, bla, bla, cada um fala por si, bla, bla, bla...", lembras-te?
RS - Só me f...., Fabien.
FJ - You know the rules...
RS e FJ - There are no rules.
FJ - Pois.
RS - ...
FJ - Então?...
RS - Ok. So be it.
FJ - That's the spirit!
RS - Como é que isso está?
FJ - Nem está a arder, nem se vê Marte.
RS - Perfeito. Have a good one.
FJ - Have 2.
RS - Vê se ganhas juízo.
FJ - Já não tenho esperanças.

Click.

(*) sem recurso aos serviços da PJ.

Espírito de serviço


Depois de constatada a inadequada composição da frota da Força Aérea Portuguesa (FAP) para combater os incêndios florestais, pois os kits de adaptação de aeronaves para este fim eram aplicados aos Hércules C-130, pouco adequados para "sobrevoar incêndios", o Governo procura soluções.

A primeira foi pedir auxílio ao estrangeiro, para o envio de aeronaves.
Entre os que responderam ao apelo, dentro e fora da NATO, Itália, Alemanha e Marrocos, este último com o concurso de um... Hércules C-130. Os marroquinos ainda não perceberam que o C-130 "não serve" para este tipo de missões, mas o Governo português não o mandou para trás para não ferir susceptibilidades; assim, tem andado um C-130 marroquino a gastar carburante nos céus de Portugal "para nada", enquanto os da FAP vão fazendo "outras coisas" (muito importantes, decerto!).

A segunda foi recorrer a verbas de emergência, portuguesas e da UE, a fim de socorrer as vítimas dos fogos. Uma solução bem conhecida de todos nós, como foi recordado por muitos analistas, comentadores, jornalistas e... bloggers. Hoje 50 milhões, para o ano 100? Bah! É só dinheiro. Siga.

A terceira está, ainda, em discussão.
Dotar a FAP de meios próprios para o combate a incêndio? Isso não agradaria muito a Manuela Ferreira Leite. Mesmo que a verba para a aquisição inicial de material específico venha da UE, os custos de operação são elevadíssimos para o Estado. Além do mais, assim não se geram lucros, nem para os madeireiros.
Paulo Portas, também, não quererá "abastardar" o papel marcial da FAP, hoje a arma aérea melhor equipada em termos de relação homem/material. Nem os EUA dispõem de mais de um caça topo de gama por piloto, pelo contrário, muitos pilotos partilham as mesmas máquinas, o que é contraproducente - todos os que emprestam o seu automóvel à esposa ou ao marido, em base regular, atestarão este facto. Mas Portugal tem uma esquadrilha de F-16 evoluídos em que cada piloto dispõe de dois aparelhos. Caso ímpar no mundo, como uma vista de olhos à Jane's poderá confirmar.
Durão Barroso, como habitualmente, só fará prognósticos depois de tomada a decisão e, aconteça o que acontecer, estará com os seus ministros a 200% (seja lá o que isso for...).
Já Amílcar Theias manifestará a sua preocupação na compra de material de uso civil para os militares, visto ser mais atractivo que o de uso militar para os que buscam uma recordação na hora de passar à reserva.
Marques Mendes permanecerá igual a si mesmo, declarando que comprar material normalmente usado pelos soldados da paz para a FAP será uma "ganda nóia".
Possivelmente, será José Luís Arnaut a avançar uma alternativa sensata: um leque de subsídios provenientes da UE para a criação de empresas privadas nacionais com meios aéreos de combate aos fogos.

Portugal é uma mina de ouro para este tipo de empresas (perguntem aos espanhóis!) e, por mim, vou já concorrer, mas sempre imbuído do mais elevado espírito de serviço e na esperança de ter pouco trabalho.
Até proporei a compra de novas aeronaves para a firma, a cada ano que passe sem se verificarem incêndios nas nossas florestas!
Para comemorar e às custas da UE, claro!

quinta-feira, agosto 07, 2003

Twisted minds


A exposição de um blogger, como de todos os que publicam sites na Internet, pode sempre ser alvo de exploração, por parte de quem partilha este espaço. Os que optam pelos blogs interactivos, com comentários, sujeitam-se a ouvir de tudo, o bom e o mau.

A Sombra escolheu ser editorial, isto é, não ter comentários e dar voz aos que nos contactam via e-mail após filtragem, para não ficar sujeita a este tipo de interactividade, pois um servidor de comentários com possibilidade de controlo custa dinheiro e, para além disso, não nos agrada andar a apagar o que outros escrevem sobre nós.
Quem tem comentários assume o risco - e bem - ao deixar que todo o tipo de mensagens, elogiosas ou insultuosas, permaneçam expostas. São as regras do jogo. Felizmente, nunca recebemos um e-mail insultuoso, mas alguns não têm tido essa sorte - recordo o Resistência Islâmica ou o Dicionário do Diabo ou o Aviz - mas lá chegará o dia.
De acordo com o teor do insulto, trataremos esse e-mail como todos os outros, ou seja, dar-lhe-emos a resposta adequada - que até pode passar por o ignorar, simplesmente.

A Catarina Campos, no 100nada, teve uma experiência desagradável com um chico esperto, anónimo, a acusá-la de falta de carácter... Os que visitam a Catarina poderão achar muita coisa, mas nunca que a rapariga tem falta de carácter.

Escrevemos o que sentimos e, tantas vezes, outros sentem como nós.
A exposição é consciente e medida, muito mais quando assinamos com o nosso nome ou nos identificamos sem ambiguidades, como é o caso no 100nada.

Catarina, não pares.
Encontraste uma pedra no teu caminho.
A julgar pelo tamanho da dita, um pontapé bem aplicado
deverá desempedir a via.
100 mais nada!

Um abraço,
RS

Cretino


Cretino, s. m. e adj. Indivíduo ou designativo do indivíduo dotado de absoluta incapacidade mental por deformidade orgânica; imbecil; lorpa; pacóvio. (Fr. crétin por chrétien, do lat. christianu).

nota:
Por opção consciente a "cretinóide". Um tanto era pouco...